Artigo Exclusivo

Eficiência, integração ou transição energética: o que vem primeiro? por Thiago Valejo Rodrigues

Redação TN/Assessoria
20/09/2022 13:21
Eficiência, integração ou transição energética: o que vem primeiro? por Thiago Valejo Rodrigues Imagem: Divulgação Visualizações: 2398

Não faz muito tempo, ouvi de um respeitado professor a seguinte reflexão: a integração entre diferentes fontes de energia funciona como estratégia no curto prazo, mas no longo prazo, o mundo só sobreviverá se abraçar a transição energética.

Além da transição e integração, trabalhar a eficiência nos processos de produção e transformação de energia é uma meta constante no planejamento e na atuação de diversas empresas, com bastante oportunidades de aprimoramento.

Vide o motor à combustão, inventado antes de 1800 e, passados mais de 200 anos, sua eficiência não ultrapassa muito o patamar de 40%. De tudo que é gerado de energia com a queima do combustível, a maior parte não é aproveitada em energia mecânica.

Pode-se estimar, em média, que para cada 1% de ganho de eficiência existe um potencial de redução de 2,5% nas emissões de COequivalente, com base em dados do Governo Americano (EPA).

Enquanto continua a se investir na eletrificação, principalmente no setor de transportes, a decisão da fabricante automotiva Toyota, em recente anúncio realizado no final de julho de 2022, foi investir no aumento da eficiência dos motores à combustão.

A mesma lógica se aplica no ambiente industrial, com o exemplo de um processo que utilize turbinas a gás, as quais, por vezes, possuem eficiência de queima na casa dos 30%. Sempre interessante destacar o conceito de energia útil, a efetivamente aplicada para o fim que se deseja, como exemplo geração de luz, versus a energia total que precisa ser produzida para contabilizar as perdas até se chegar na lâmpada.

A verdade é que ainda há muito espaço para aumentar o aproveitamento energético, até mesmo na aplicação de soluções híbridas que utilizem tanto combustível quanto eletricidade.

O que nos leva à integração energética e as sinergias de aplicar diferentes tipos de energia em um mesmo processo. As oportunidades vão desde integrar empreendimentos de eólica offshore e campos maduros de petróleo para aumento da produção, até plantas de hidrogênio com painéis de energia solar.

Antes de se pensar na transição energética, e aqui cabe um disclaimer com relação ao conceito de transição: não é uma mudança completa da matriz e, sim, o maior percentual de consumo de fontes limpas.

Por isso, petróleo, gás e até mesmo carvão continuarão com sua parcela significativa de contribuição na geração da energia no mundo. Carvão, diga-se de passagem, tem cenário projetado de aumento do volume de consumo global, de acordo com a IEA.

Não é preciso negar as vantagens dos processos de geração de energia mais limpa e o uso de eletricidade como alternativa a queima de combustíveis, principalmente aqueles mais poluentes. Aprofundar o debate sobre a transição energética tem ganhado força em espaços antes exclusivos do mercado de petróleo, por exemplo.

Por outro lado, qualquer análise quanto à substituição de fonte de energia deve considerar o conjunto do sistema energético, a cadeia de valor desde a produção até o consumo final. Nesse ponto, ainda há diversos gargalos e desafios para serem superados, na parte elétrica, como na parte de transmissão e distribuição de energia, não só no Brasil, mas em todo o mundo.

Muito se fala sobre o custo da não descarbonização e os impactos para o planeta com a queima de fontes fósseis. Porém, é preciso abordar um aspecto importante que impacta no desenvolvimento das renováveis - o preço da energia.

A economia da transição energética deve considerar o estímulo que altos preços de um determinado tipo de energia, como os recentes picos dos valores de barril de petróleo e do GNL, acarreta o incremento de participação das novas fontes na matriz energética.

No cenário atual, com maior demanda por gás no mundo e restrições de mobilidade dos recursos energéticos, mais que nunca cabe um olhar específico para os perfis de produção e de consumo regionais. A maior eficiência de consumo de energia, a melhor configuração de integração de fontes e o cenário de transição energética serão priorizados de acordo com o custo de oportunidade para cada país do mundo.

Sobre o autor: Thiago Valejo Rodrigues é formado em engenharia química pela UERJ, tem MBA em Economia de Petróleo e Gás pela UFRJ e pós graduação em Business Intelligence Master - Sistemas Inteligentes de Apoio à Decisão em Negócios pela PUC-Rio. Atua como gerente de Projetos de Petróleo, Gás e Naval da Firjan

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Biometano
Copa Energia amplia debate sobre o futuro do biometano n...
10/08/26
Comunicação e Inclusão
Festival de comunicação reúne profissionais e estudantes...
10/08/26
Etanol
Etanol encerra a semana estável, com leve alta no hidratado
10/08/26
Saúde e Bem - Estar
52% dos pais dizem que empresas incentivam priorizar a f...
07/08/26
Biometano
ANP aprova resolução sobre especificação e controle da q...
07/08/26
Saúde e Bem - Estar
Usar o celular na cama prejudica o coração. Entenda o risco
07/08/26
Mobilidade Urbana
Scania e Caio lançam novo ônibus a gás/biometano Padron ...
07/08/26
Comunicação Case
ASUS leva ExpertBook além do Everest para demonstrar a r...
06/08/26
Etanol
Venda de etanol em junho supera os 3 bilhões de litros
06/08/26
Pequenas Empresas
Itaú Unibanco e Soften Sistemas anunciam parceria para a...
06/08/26
Fenasucro
Fenasucro & Agrocana: cinco motivos para não perder o pr...
06/08/26
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
IA deixa de ser tendência e começa a redesenhar a indúst...
04/08/26
Fenasucro
Brasil concentra oportunidades de investimento em biocom...
04/08/26
Comunicação Case
AstraZeneca aposta na linguagem da Geração Z para falar ...
04/08/26
Retenção de talentos
Grupo Aço Cearense engaja 4 mil operários e atinge 93% d...
04/08/26
Etanol
Alteração de normas sobre comercialização de etanol anid...
03/08/26
Comunicação Corporativa
Copa Airlines e Argo Solutions anunciam integração no se...
03/08/26
Biodiversidade
ExxonMobil Brasil destina mais de R$ 1 milhão para prese...
03/08/26
SOG 2026
Eneva reforça compromisso com Sergipe e destaca expansão...
31/07/26
Biodiesel
Volatilidade do petróleo reforça importância estratégica...
27/07/26
Fenasucro
ApexBrasil traz investidores internacionais de SAF e e-S...
27/07/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.