Greenwashing

Precisamos falar sobre greenwashing

Por Marina Mantoan, Lutz Kuehne, Clarisse Ottero e Fernanda Filipavicius, de Forensic & Integrity Services da EY Brasil Vivemos em um mundo de negócios competitivos e, diante das atuais pressões de investidores sobre as temáticas de ESG, uma imagem íntegra e sustentável definitivamente representa uma vantagem. O que cria um terreno fértil para o que chamamos de greenwashing. Cunhado em 1989 e traduzido como “lavagem verde”, o termo é caracterizado pela valorização de uma empresa ou produto por meio de omissão de informações, fake news, exageros fictícios ou até mesmo a manipulação ou ausência de dados relevantes. Isso pode ocorrer em diferentes cenários, desde relatórios anuais e financeiros, até propagandas de marketing, rótulos de produtos, imagens ou declarações públicas.


15/03/2023 09:28
Precisamos falar sobre greenwashing Visualizações: 1090

No ambiente corporativo, estamos sujeitos a falhas, crises reputacionais e imprecisão de informações. Contudo, diante de ações com consequências ambientais e sociais, todo zelo é pouco. A reputação de uma empresa está diretamente ligada à integridade, à transparência e às evidências de ações pontuais e sistêmicas que resultem em impactos positivos mensuráveis a curto, médio e longo prazo para a sociedade. Ao partirmos dessa premissa, sabemos o quanto a indústria de combustíveis fósseis, por exemplo, é constantemente criticada por greenwashing. Quando tratamos temáticas como redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) e neutralidade de carbono, observa-se que o plano de negócios muitas vezes segue na contramão dos compromissos com a descarbonização assumidos publicamente. Outro setor que vem sofrendo críticas relativas a greenwashing e forte pressão regulatória por mais transparência na agenda e critérios ESG é o setor financeiro, principalmente os fundos de investimento que se apresentam como sustentáveis.

Por isso, para que a agenda ESG seja de fato um norteador na redução e reparação de danos sociais e ambientais, a tendência é que as entidades regulatórias intensifiquem o combate à prática de greenwashing. Atualmente, há diversos formatos de relatórios e métricas que auxiliam empresas e instituições na identificação das melhores práticas na divulgação de impactos relativos a ESG, como o GRI (Global Report Initiative), SASB (Sustainability Accounting Standards Board), e PRI (Principles for Responsible Investment World Economic Forum).

 

Nesse sentido, tendo como horizonte o aspecto preventivo, o principal pilar para evitar o greenwashing é a governança corporativa. O uso das estruturas de governança e compliance das empresas é crucial para ações de ESG centradas em compromissos estratégicos, análise e monitoramento de riscos e fortalecimento da cultura organizacional em toda a comunidade de stakeholders (clientes, fornecedores, colaboradores etc). Embora as empresas tenham ciência da importância da agenda ESG e, até mesmo do conceito de greenwashing, pode haver um despreparo para enfrentar crises reputacionais ligadas a esse tipo de ocorrência. Por isso, listamos a seguir 6 passos e caminhos imprescindíveis de ação para as empresas diante de uma crise de greenwashing:

1) Invista em soluções tecnológicas para a geração de dados confiáveis, gerando evidências que garantam a confiabilidade dos dados, inclusive no que tange ao atingimento ou não dos compromissos assumidos publicamente. Isso inclui o suporte às três linhas de defesa da governança em relação às metas e ações concretas da agenda ESG, que sempre devem ser alinhadas à estratégia da empresa, verídicas e alcançáveis. No momento da crise, soluções tecnológicas aplicadas auxiliarão com mais rapidez e precisão diante do confronto de dados.

2) Mantenha a política de gestão de crises sempre atualizada. Ela precisa endereçar os riscos e reunir todas as informações desse processo. Por exemplo, planos de contingência, procedimentos sobre o que deve ser feito e quem precisa ser acionado em caso de crises efetivas. Considere desenhar uma política a partir do mapeamento de riscos e da simulação de possíveis crises.

3) Acione o comitê de gestão de crise com membros de diferentes expertises, com as competências certas para centralizar, coordenar e endereçar as ações. É muito importante definir antecipadamente quais são os papéis e responsabilidades de cada membro. Isso agiliza a tomada de decisões.

4) Em caso de iniciar o processo investigativo, selecione uma empresa de consultoria externa independente que irá reunir fatos, dados e documentos por meio da coleta de informações disponíveis para análise de quem são os envolvidos, modus operandi, entre outros impactos. Considere sempre o acionamento de um escritório de advocacia especializado em temas ESG e gestão de crises para avaliação dos impactos e resultados no processo de gestão de crise e, sobretudo, na continuidade do negócio.

5) Estabeleça protocolos de comunicação, como monitoramento da repercussão, que poderão ser acionados de acordo com o impacto da questão de greenwashing e os diversos públicos envolvidos. É aconselhável que sejam contratados e usados agentes externos (como agências de comunicação) para a comunicação assertiva e direcionada aos interesses dos diversos grupos e públicos-alvos, como investidores, mercados, empregados, governo, comunidade, entre outros.

6) Por fim, realize treinamentos periódicos e tempestivos para os momentos de crises, que incluam desde os porta-vozes até a disseminação entre os colaboradores para que todos tenham ciência do ocorrido. Esses treinamentos devem ter uma programação pautada em medidas em curso, orientação de como proceder, processo de gestão de crise para diversas análises, comunicação institucional e pronunciamentos públicos.

Este artigo faz parte do ESG Guidebook. Acesse aqui o e-book na íntegra.

 

Fonte: Redação TN com Agência EY

 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Combustível
Etanol fecha a semana em recuperação moderada, mas merca...
25/05/26
Comunicação
Pesquisadoras de diferentes lugares do mundo se reúnem n...
24/05/26
Prêmio
Jovens do Jacarezinho (RJ) recebem prêmio em Oxford (UK)
23/05/26
Etanol
Com aumento na oferta, preço do etanol acelera queda e a...
22/05/26
Energia Elétrica
ANEEL homologa leilões de reserva de capacidade na forma...
22/05/26
Energia Elétrica
TAESA anuncia a aquisição de cinco concessões de transmi...
21/05/26
Meio ambiente
WCA completa primeiro ano ampliando debates sobre mercad...
21/05/26
Fenasucro
Combustível do Futuro consolida pioneirismo brasileiro e...
20/05/26
DIVERSIDADE E INCLUSÃO
Escritora Rebeca Kim lança livro com protagonismo PCD em...
19/05/26
Biometano
Naturgy debate cenário de gás natural e oportunidades co...
19/05/26
Meio Ambiente
Refinaria de Mataripe acelera agenda ambiental com uso e...
19/05/26
Combustíveis
Etanol mantém baixa na semana, mas Paulínia esboça reaçã...
18/05/26
Fertilizantes
Com investimento de R$ 100 milhões, a Fábrica de Fertili...
18/05/26
Saúde e Bem-estar
Luta Antimanicomial destaca importância do acolhimento e...
18/05/26
Etanol
Alteração de normas sobre comercialização de etanol anid...
15/05/26
Energia Elétrica
Encontro das Indústrias do Setor Elétrico reúne mais de ...
15/05/26
Comunicação Corporativa
CPFL Energia aumenta o som da segurança em música para f...
14/05/26
Biometano
CNPE fixa meta inicial de 0,5% para biometano no gás nat...
13/05/26
Evento
"Mato Grosso vai se tornar a Califórnia brasileira", diz...
13/05/26
Combustíveis
Etanol fecha a semana em baixa e amplia pressão sobre o ...
11/05/26
Energia Elétrica
Neoenergia renova mais três concessões e anuncia investi...
08/05/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.