Etanol

Setor naval busca no etanol brasileiro uma alternativa além das negociações da IMO

Maiores produtores de etanol do Brasil, em apoio ao projeto piloto da Maersk, reafirmam o protagonismo nacional na transição energética e posicionam o etanol como alternativa viável para o setor naval.

Redação TN Petróleo/Assessoria Atvos
21/10/2025 12:00
Setor naval busca no etanol brasileiro uma alternativa além das negociações da IMO Imagem: Divulgação Maersk Visualizações: 1600

A.P. Moller – Maersk e Everllance, gigantes globais de transporte marítimo, após o recente ciclo de discussões da Organização Marítima Internacional (IMO) sobre o futuro marco regulatório de emissões, apresentaram em uma iniciativa de apoio ao plano mundial de descarbonização do setor naval o seu posicionamento conjunto, que visa sublinhar a importância de soluções de baixo carbono com escala e disponibilidade imediata. A despeito do resultado das discussões sobre o Net-Zero Framework (NZF), Maersk, Everllance e os produtores brasileiros de etanol mantêm seu foco em soluções tangíveis para um futuro mais limpo. Na ocasião, também estiveram presentes as principais produtoras e comercializadoras de etanol do Brasil, como Atvos, Copersucar, FS, Inpasa e Raízen.

Etanol: solução comprovada, acessível e pronta para uso
O posicionamento conjunto fortalece a posição técnica e regulatória do Brasil no debate internacional, evidenciando que a transição energética não depende de um único marco regulatório. Em diversos países, o etanol já é amplamente utilizado como aditivo ou combustível direto no transporte rodoviário.
No setor marítimo, a escala produtiva consolidada e sustentável do etanol brasileiro é uma vantagem competitiva inegável. Testes realizados com sucesso utilizaram o etanol e um blend E10 em navios dual-fuel (bunker e metanol). Esta iniciativa de sucesso abre caminho para novas alternativas sustentáveis de propulsão naval, demonstrando a prontidão da solução.

A Maersk seguirá com o teste-piloto na embarcação Laura Maersk até o final de novembro. A empresa avalia se há alguma diferença entre o metanol padrão e o E10 em termos de qualidade de ignição, ou seja, na forma como os combustíveis queimam, se há diferença ou semelhança na corrosão e na lubrificação e, não menos importante, se as emissões são diferentes entre os dois. O motivo da mistura é ampliar a disponibilidade e o pool de fornecimento para navios de combustível duplo.
A Laura Maersk é uma embarcação que tem capacidade de transportar 2.100 TEUs (Contêineres de 20 pés) que atende clientes no Mar Báltico. Foi o primeiro navio porta contêineres movido a metanol do mundo.

Brasil como protagonista da transição energética
Ao apoiar a iniciativa da Maersk, as produtoras e comercializadoras reforçam o compromisso do Brasil em buscar um futuro energético mais limpo, competitivo e baseado em fontes renováveis alinhados a agenda ambiental e os esforços globais pela neutralidade de carbono, independentemente dos ritmos regulatórios internacionais.

“Este é um momento memorável, possível graças à soma de muitos esforços. Para o transporte marítimo, a escala de produção existente do etanol é uma vantagem e poderia fornecer uma terceira opção de combustível para motores a metanol de combustível duplo. A colaboração entre produtores, usuários e reguladores de etanol será essencial para compreendermos melhor o seu papel no panorama energético futuro do setor”, afirma Morten Bo Christiansen, Senior Vice-presidente, Head de Transição Energética da A.P. Moller – Maersk.

“O etanol, já utilizado em grande escala em outros setores de transporte, é um dos vários combustíveis alternativos que merecem uma avaliação técnica e regulatória mais aprofundada. O Brasil demonstra capacidade de produzir etanol de forma sustentável, com potencial de crescimento e atendendo às mais rigorosas regras de certificação, o que é fundamental para a descarbonização global do setor”, diz Danilo Veras, vice-presidente de Políticas Públicas e Regulatórias para a América Latina da A.P. Moller – Maersk.

Oportunidade econômica e industrial
A validação do etanol no transporte marítimo representa enorme oportunidade para o Brasil, maior produtor global de combustíveis renováveis. Em uma projeção conservadora, se apenas 10% da demanda projetada de bunker (combustível marítimo) em 2030 for substituída por etanol, a demanda resultante seria equivalente a toda a produção atual do país — um impulso expressivo para a economia nacional, geração de empregos e novos investimentos em infraestrutura, inovação e certificação – a safra recorde de 24/25 foi de 34,96 bilhões de litros.

O apoio das produtoras evidencia a maturidade e prontidão da cadeia nacional para integrar soluções energéticas renováveis no mercado internacional.

Rumo a um padrão global robusto e baseado em dados
As produtoras defendem a urgência de um padrão global sólido para combustíveis, baseado em emissões de ciclo de vida e transparência, garantindo que a transição utilize as soluções mais eficientes e disponíveis.
 
“Apoiamos plenamente o trabalho futuro da IMO para analisar a compatibilidade do etanol com tecnologias marítimas, a competição por matérias-primas, o ciclo de vida e os processos de certificação. A colaboração contínua entre produtores, usuários e reguladores será essencial para consolidar o papel do etanol na matriz energética do setor, e continuaremos a investir e demonstrar a viabilidade do etanol, independentemente dos desafios regulatórios que se apresentem”, concluem as produtoras brasileiras de etanol.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Exportações
Setor de óleo e gás e parlamentares discutem Imposto de ...
29/04/26
Evento
PortosRio participa do Rio de Janeiro Export 2026 e dest...
29/04/26
Royalties
Valores referentes à produção de fevereiro para contrato...
29/04/26
Resultado
Foresea registra melhor ano de sua história e consolida ...
29/04/26
Internacional
OTC Houston: ANP participa de painéis e realiza evento c...
29/04/26
Apoio Offshore
Wilson Sons revoluciona logística offshore com entrega p...
29/04/26
Internacional
PPSA e ANP promovem evento em Houston para apresentar o...
28/04/26
Segurança no Trabalho
Gasmig bate recorde de 1300 dias sem acidentes do trabalho
28/04/26
Workshop
ANP realiza workshop sobre proposta de novo modelo de li...
28/04/26
GLP
Subvenção ao GLP: ANP publica roteiro com orientações ao...
27/04/26
Diesel
Subvenção ao óleo diesel: ANP altera cálculo do preço de...
27/04/26
Combustíveis
E32 reforça estratégia consistente do Brasil em seguranç...
27/04/26
Oferta Permanente
Oferta Permanente de Partilha (OPP): ANP aprova estudos ...
27/04/26
Royalties
Hidrelétricas da ENGIE Brasil repassam R$ 49,8 milhões e...
23/04/26
BOGE 2026
Maior encontro de petróleo e gás do Norte e Nordeste te...
23/04/26
Oportunidade
Firjan SENAI tem mais de 11 mil vagas gratuitas em quali...
22/04/26
Combustíveis
Etanol aprofunda queda na semana e amplia perdas no acum...
20/04/26
P&D
Centro de pesquisa na USP inaugura sede e impulsiona tec...
17/04/26
PPSA
Produção de petróleo da União atinge 182 mil barris por ...
17/04/26
Reforma Tributária
MODEC patrocina debate sobre reforma tributária no setor...
17/04/26
E&P
Revisão de resolução sobre cessão de contratos de E&P é ...
17/04/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23