Fugir da briga de preços com os chineses é a base da estratégia definida pela subsidiária do grupo alemão Semikron no Brasil para continuar crescendo na região. Tradicional fabricante de diodos, componentes para circuitos eletrônicos e chips, a empresa escolheu os setores de energia, mais especificamente a geração eólica, e automotivo, principalmente os carros elétricos, para manter o ritmo de expansão. O pano de fundo é a drástica redução nos preços dos diodos e componentes em todo o mundo, causada pela inundação dos produtos chineses.
Na área de energia, o objetivo é fornecer o sistema de potência dos módulos conversores de frequência que conectam os aerogeradores à rede de transmissão. Já para o setor automotivo, a ideia é produzir os inversores usados nos carros elétricos. A matriz atende boa parte dos fabricantes europeus de aerogeradores, até mesmo os já instalados no Brasil. "Algumas multinacionais que estão produzindo aerogeradores aqui estão trazendo o equipamento de fora. Muitas vezes da nossa matriz. Então, se comprarem de nós (no Brasil), vão aumentar ainda mais o nível de nacionalização de seus produtos", conta Edelweis Ritt, presidente no Brasil e única mulher a comandar uma subsidiária entre as 34 que o grupo possui atualmente.
A Semikron já tem experiência com veículos movidos por motores elétricos ou híbridos, como em máquinas agrícolas e de construção, empilhadeiras, barcos e ônibus. A empresa fornece equipamentos para os ônibus híbridos que circulam em São Paulo. Mas o maior desafio neste momento é participar do desenvolvimento dos carros elétricos, atual aposta das grandes montadoras mundiais. Edelweis diz que a empresa conseguiu uma grande vitória ao reduzir o peso do seu equipamento em 33%. A redução do peso final do carro elétrico é um dos maiores problemas das montadoras nesses projetos.
Motivado pelo potencial do carro elétrico, o grupo criou uma empresa somente para atuar no desenvolvimento desse produto. A Semikron Automotive Systems tem 45 empregados e vai se concentrar no desenvolvimento e produção de inversores, conversores e carregadores para veículos elétricos em geral. "Está sendo uma intensa troca de experiências. Nós estamos aprendendo com as montadoras e elas com a gente", conta a presidente no Brasil.
O segmento de veículos elétricos, que inclui as máquinas, está entre os quatro principais para a empresa e respondeu por 10% da receita total do grupo no ano passado, de € 545 milhões. A companhia fechou 2011 com um faturamento de R$ 120 milhões no Brasil, alta de 30% sobre 2010. A expectativa é crescer 10% este ano. Da receita total, um terço vem da venda de chips, um terço dos diodos e componentes e outro um terço do que chama de soluções - produtos específicos para determinados clientes. Do total de 3,6 mil empregados no mundo, cerca de 500 estão no Brasil.
Da receita total, a Europa responde por 60%. A Ásia aparece em segundo lugar com 30%. As Américas ficam com os 10% restantes. Mas o potencial do mercado interno brasileiro, atrelado ao problema de câmbio e inflação, faz com que a aposta da subsidiária seja mesmo nas vendas internas.