Energia elétrica

RS adota plano de emergência para garantir abastecimento de energia

Valor Econômico
02/03/2005 00:00
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A estiagem que já dura três meses no Rio Grande do Sul levou o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e o governo gaúcho a colocarem em prática um plano de emergência para garantir o abastecimento de energia no Estado, ainda sem necessidade de recorrer ao racionamento. As providências já incluem o aumento do despacho de energia da região Sudeste para o Sul e a entrada em operação de usinas térmicas no Estado para compensar a redução da geração nas hidrelétricas, destinada a poupar água nos reservatórios.
Segundo o presidente do ONS, Mário Santos, desde meados de fevereiro o Sudeste está enviando 2.500 megawatts (MW) médios ao Sul e entre os três Estados da região a situação é mais crítica no Rio Grande do Sul. O secretário das Minas e Energia do governo gaúcho, Valdir Andres, explicou que anteontem o Estado chegou a receber 3.000 MW, o equivalente a 71% do consumo local, ante a média histórica de 35% a 38%.
O problema, conforme Andres, é que o Rio Grande do Sul está chegando ao limite da capacidade de recepção de energia do Sudeste, atualmente entre 3.400 e 3.500 MW. Ele admite o risco de colapso no sistema caso a situação não melhore nas próximas semanas. Com a manutenção das altas temperaturas no Estado, o secretário prevê picos de consumo de até 4.400 MW entre março e abril, acima do recorde de 4.286 MW registrado na semana passada.
O presidente do ONS explicou que nos últimos meses os níveis de chuva em bacias importantes como as dos rios Jacuí e Uruguai, este na divisa com Santa Catarina, foram 71% e 73%, respectivamente, inferiores à média histórica. Como os reservatórios da região são relativamente pequenos, o quadro provoca fortes oscilações na capacidade de geração, explicou o presidente da distribuidora gaúcha RGE, Sidney Simonaggio.
Atualmente os níveis de armazenamento no Sul do país estão em 53%, na média, acima da curva de aversão ao risco de 22%. Mesmo assim, as usinas de Itá e Machadinho, que normalmente produzem juntas 1.200 MW no rio Uruguai, estão operando apenas com uma turbina cada uma e gerando cerca de 400 MW, informou a diretoria da Tractebel Energia, que opera as duas hidrelétricas.
Segundo a empresa, o nível do reservatório de Machadinho está em 468,67 metros, quase 12 metros abaixo do padrão normal e somente 3,67 metros acima da cota mínima de operação. Em Itá, o nível está em 364,98 metros, cinco abaixo do normal e 98 centímetros além do mínimo necessário para operar. Conforme a empresa, se não chover o volume de água disponível é suficiente para mais 45 dias.
Na bacia do Jacuí, as usinas Itaúba, Jacuí e Passo Real, as três da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), mais a hidrelétrica Dona Francisca, que somam uma potência total de 963 MW, estão produzindo apenas 448 MW, acrescentou Andres. Pelos cálculos da Secretaria de Minas e Energia do Rio Grande do Sul, o nível dos reservatórios no Estado está caindo 1% ao dia e a previsão é que o tempo continue seco até abril.
Como compensação, o ONS determinou a entrada em operação das térmicas gaúchas Presidente Médici, que está produzindo 235 MW em Candiota, e Termocanoas, com mais 160 MW em Canoas. Na próxima terça-feira o operador fará uma reunião com todas as empresas de energia do Sul do país para fazer um balanço da situação.
Caso seja constatado que a oferta não é suficiente para suprir a demanda de toda a região, que está na faixa dos 8.870 MW médios, outras medidas poderão ser adotadas. Entre elas estão o despacho de outras térmicas como Jorge Lacerda (SC) e de mais uma máquina da Presidente Médici e ainda, em última instância, a suspensão da exportação de 260 MW para o Uruguai, adiantou Santos.
O secretário gaúcho também deve ir à Argentina na segunda-feira para negociar a retomada do fornecimento de gás natural para a térmica AES Uruguaiana, capaz de injetar mais 500 MW no sistema. A usina deixou de receber o combustível argentino há quase 20 dias em função de problemas de abastecimento no país vizinho, disse Andres. O ONS e a Secretaria de Minas e Energia do Estado criaram grupos de trabalho para buscar alternativas e as duas equipes devem se reunir nos próximos dias.

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