Etanol de milho

Produção de etanol de milho se firma no país e deve dobrar este ano

Redação/Boletim SCA
14/12/2020 10:06
Visualizações: 1851

Atividade emergente no agronegócio brasileiro, a produção de etanol a partir do processamento de milho, que começou a dar seus primeiros grandes passos há cerca de três anos, driblou o cenário adverso de 2020 e deverá quase dobrar em relação a 2019, mesmo com o impacto da pandemia sobre o consumo de combustíveis e a forte valorização dos preços do cereal.

A entrada de duas grandes novas plantas em operação --- uma da FS e outra da Inpasa, ambas em Mato Grosso --- fez com que a fabricação de etanol de milho crescesse 96,4% de janeiro a outubro em relação ao mesmo período do ano passado e alcançasse quase 2,1 bilhão de litros.

Se for considerado o período da safra sucroalcooleira 2020/21, que começou em abril, a produção até outubro foi 92% maior que a de igual intervalo da temporada passada. Para todo o ciclo atual, a expectativa é de aumento de 64%, para 2,75 bilhões de litros, segundo a União Nacional do Etanol de Milho (Unem).

O volume ainda é pequeno se comparado ao da tradicional produção de etanol de cana no Centro-Sul --- que, de abril a outubro, alcançou 28,3 bilhões de litros no Centro-Sul ---, mas já deverá superar o do Norte e do Nordeste, onde as usinas sucroalcooleiras deverão produzir 1,9 bilhão de litros do biocombustível na safra.

Na prática, a pandemia manteve na gaveta alguns projetos que estavam no papel, mas apenas postergou o início das operações de uma das quatro usinas que estavam programadas para começar a funcionar neste ano --- a da Etamil, em Campo Novo do Parecis (MT), que deverá começar a operar no início de 2021.

Além das usinas da FS e da Inpasa, uma terceira usina poderá entrar em operação ainda neste ano. Trata-se da ALD Bioenergia , em Nova Marilândia (MT), que ligará as máquinas em 2020 se receber a tempo autorização da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Quando o derretimento dos preços do petróleo e as medidas de isolamento social impostas pela covid-19 fizeram gelar a espinha até dos mais acostumados às crises no segmento de etanol, acreditava-se que as usinas que utilizam milho, por não terem a opção de recorrer ao mercado de açúcar, seriam as primeiras a purgar. E, no segundo semestre, o encarecimento do cereal, impulsionado pelo câmbio, ampliou o descrédito com o segmento.

Pouco se contava, porém, com o potencial do mercado de DDGs (Dried Distilled Grains). Resultantes do processamento do milho na produção de etanol, os DDGs já são tipo de ração popular nos Estados Unidos, onde, antes da pandemia, alcançaram produção de 38 milhões de toneladas ao ano. No Brasil a produção é bem menor, mas continuou crescendo neste ano, para 2 milhões de toneladas.

Mas o que surpreendeu no Brasil foi o preço do DDG, que dobrou em apenas um ano. Em Mato Grosso, a tonelada do produto saltou de menos de R$ 700, em novembro de 2019, para R$ 1.425 na primeira quinzena de novembro deste ano.

A valorização acompanhou a disparada de milho, soja e farelo de soja, mas também refletiu o impacto da seca nas pastagens, que aumentou a procura por ração. Outro fator importante foi o aumento da demanda internacional por carnes, que impulsionou o interesse por parte de confinadores e criadores de aves e suínos.

Com os preços atuais, o DDG já cobre 50% do custo de uma usina de etanol com a compra de milho, segundo Nolasco. "O DDG faz hedge natural com o milho. Não é um subproduto, é tão importante quanto o etanol", afirma Guilherme Nolasco, presidente da Unem.

De fato, se as usinas dependessem apenas do mercado de etanol, as dificuldades seriam maiores. De acordo com análise da consultoria Pecege, de Ribeirão Preto (SP), a saca do milho teria que cair cerca de R$ 20 ante os valores atuais, que estão em torno de R$ 60, para que o etanol à base do grão oferecesse, sozinho, retorno financeiro.

Divulgação

Mas Nolasco também ressalta que as usinas já entraram no mercado de milho preparadas, e estão comprando o grão de forma antecipada há meses. No momento, as usinas estão adquirindo o milho que vão processar em 2022, a preços de R$ 40 a saca. No caso das usinas flex, que processam tanto milho quanto cana, a antecipação não é regra, e a utilização do grão acaba sendo uma forma de ocupação da capacidade na entressafra de cana.

O modelo de produção flex é o preponderante hoje entre as usinas que utilizam milho no país. São 11 unidades com capacidade flex --- em geral, usinas de cana que resolveram "diversificar" a fonte de matéria-prima --- e cinco "full" (que utilizam só o milho como matéria-prima).

A Unem mapeou 23 novos projetos de usinas de milho, dos quais 19 são de indústrias "full". Porém, nem todas vão sair do papel. Para Nolasco, o segmento deverá entrar agora em uma segunda etapa de crescimento, que tende a ser caracterizada pela ampliação das capacidades atuais. "Não tem nenhuma grande usina em construção para entrar em funcionamento em 2021, mas há três ampliações: em Nova Mutum, Sinop e Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso. Elas vão sustentar o crescimento [do segmento] em 2021/22", afirma.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Royalties
Firjan anuncia mobilização para defender interesse do RJ...
16/04/26
Reconhecimento
3º Prêmio Foresea de Fornecedores premia melhores empres...
16/04/26
Cana Summit
Abertura do Cana Summit 2026: autoridades e especialista...
15/04/26
Gás Natural
TBG e SCGás inauguram nova estação em Santa Catarina e a...
15/04/26
Espírito Santo
Indústria de Petróleo e Gás no ES deve investir mais de ...
15/04/26
Investimentos
SEAP: Bacia Sergipe-Alagoas irá receber dois FPSOs
14/04/26
Petrobras
US$450 milhões serão investidos no maior projeto de moni...
14/04/26
Combustíveis
Etanol gera economia superior a R$ 2,5 bilhões em março ...
14/04/26
Espírito Santo
Próximo pico da produção de petróleo no ES será em 2027
14/04/26
ANP
Oferta Permanente de Concessão (OPC): edital com inclusã...
14/04/26
Refino
Honeywell impulsiona primeiro projeto de Etanol-to-Jet (...
14/04/26
Cana Summit
Diesel sob pressão no campo acelera corrida por novas fo...
14/04/26
Pessoas
Eduardo Beser é o novo diretor-geral de Operações no Bra...
13/04/26
Evento
Promoção da Infis, 4º Seminário Tributação em Óleo e Gás...
13/04/26
Investimento
Camorim investe R$ 52 mi na construção de uma das maiore...
13/04/26
Bacia de Campos
Nova descoberta de hidrocarbonetos em águas profundas no...
13/04/26
BOGE 2026
Maior encontro de petróleo e gás do Norte e Nordeste es...
10/04/26
ANP
Fiscalização: aprovada consulta pública para revisão de ...
10/04/26
ANP
Reservas provadas de petróleo no Brasil cresceram 3,84% ...
10/04/26
Bacia de Campos
Petrobras retoma 100% de participação no campo de Tartar...
10/04/26
Oportunidade
Por que formar profissionais para funções críticas se to...
09/04/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23