Empresas

OGX cai 17% e perde R$ 11 bilhões em valor de mercado

Valor Econômico
19/04/2011 09:40
Visualizações: 625
A nova avaliação da DeGolyer and MacNaughton (D&M) sobre os recursos da OGX encerrou a lua de mel do mercado com a empresa. Alguns analistas rebaixaram a recomendação para as ações da companhia e vários reduziram os preços-alvo.


Os papéis da petroleira de Eike Batista registraram a maior queda entre as empresas que integram o Ibovespa, principal índice da bolsa. A ação fechou o dia com queda muito forte, de 17,25%, cotada a R$ 16,26.

A desvalorização das ações da OGX derrubou todos os papéis do grupo de Eike Batista, movimento que os investidores chamam de "risco X". As empresas, apenas no pregão de ontem, perderam R$ 12 bilhões em valor de mercado, sendo que a OGX, sozinha, respondeu por 91% desse total, ou R$ 10,96 bilhões.


A queda muito acentuada da petrolífera estressou o mercado, uma vez que a ação é também fortemente negociada em operações a termo e no segmento de opções. Sozinha, a OGX negociou R$ 1,57 bilhão, ou 15,6% do total movimentado ontem na bolsa. Ainda no grupo: MMX caiu 5,60%; LLX, 5,22%; MPX, 3,55%; OSX, 2,99%; e PortX, 1,84%.


Além das companhias do empresário, outras que, assim como a OGX, têm um perfil pré-operacional foram alvo de venda dos investidores. Em particular as novatas HRT, que caiu 9,88% e passou a valer R$ 797 milhões menos, e a QGEP, do grupo Queiroz Galvão, que foca seus negócios no segmento de gás, que perdeu 5,54%. "O mercado agora está preocupado com esse modelo de negócios", resumiu um analista.


BTG Pactual, J.P. Morgan, Bofa Merrill Lynch e Deutsche Bank foram alguns dos bancos que reagiram negativamente à avaliação sobre os recursos potenciais da OGX, que ficaram abaixo das enormes expectativas que a empresa vinha, e ainda vem, transmitindo para o mercado.


Marcus Sequeira, do Deutsche, reduziu de R$ 28 para R$ 23 o valor projetado para a ação e rebaixou a recomendação para "manter".


Em relatório para os clientes do banco alemão, o analista ressaltou que concorda com a avaliação da OGX sobre o potencial de aumento futuro de recursos da companhia, mas frisa que, a seu ver, o investidor não tem que pagar por isso agora.


A principal razão para a queda das ações da OGX ontem é que, após a segunda avaliação da consultoria, se esperava uma diminuição do grau de incerteza envolvendo o potencial de recursos - ainda não é possível falar em reservas de óleo e gás, já que seriam necessários mais poços para confirmar e dimensionar a extensão dos reservatórios.


Mas ao apresentar a nova estimativa de reservas na sexta-feira a empresa foi taxada de excessivamente otimista, o que trouxe algumas desconfianças sobre a credibilidade da OGX.
 

"Se a expectativa do mercado não tivesse sido tão inflada por uma série de promessas por parte da OGX, o relatório teria sido bem recebido", afirma Ricardo Corrêa, da corretora Ativa.


Segundo ele, os dados são "bons e mostram uma campanha de sucesso". Mas, na opinião dele, houve uma inflação de expectativas e isso gera incertezas. "A OGX está se comportando com o investidor como se fosse um prospector de projetos", diz.


Em relatório, Corrêa ressalta que os recursos contingentes apresentados pela OGX vieram com nível de incerteza 3C, e não 2C (mais provável) como era a expectativa do mercado. "O resultado frustra as expectativas e agrega um componente de risco relacionado à divulgação dos dados por parte da OGX, que apresentou inicialmente números do potencial de reservas de delineação que pode levar a uma percepção incorreta a respeito do verdadeiro resultado do relatório", ressalta Corrêa.


A empresa utilizou estimativas altas (em vez de médias) e tambem projeções de delineação e de recursos potenciais. Mas ainda existem incertezas técnicas sobre a existência desses recursos e sua comercialidade, que somente serão reduzidas quando forem perfurados mais poços.


Desde sexta-feira, a diretoria-executiva da OGX e o próprio Eike Batista, que é presidente do conselho de administração, vêm afirmando que a consultoria D&M foi conservadora.


Ontem, durante uma teleconferência, o presidente da OGX, Paulo Mendonça, repetiu diversas vezes que a DeGolyer não teve acesso à totalidade dos números da empresa. Foram analisados os resultados de apenas 19 dos 34 poços já perfurados. Já na sexta a OGX informava que a análise de todos os poços atrasaria o laudo da D&M em mais seis meses e, por isso, a decisão foi deixar de lado os resultados mais recentes. Ontem Batista comparou o relatório ao personagem do filme "O curioso caso de Benjamin Button", estrelado por Brad Pitt.


"O relatório já foi divulgado com notícias antigas, porque não contempla esses 15 últimos poços perfurados. É como o Benjamin Button, já nasceu velho."


Corrêa, da Ativa, considerou o comentário improprio. "Invalidar a relevância de dados divulgados pela própria empresa não reforça nossa confiança relacionada à capacidade de gestão de expectativa da OGX. Sendo assim, apesar de considerar que o potencial de reservas citado parece promissor, ressaltamos que uma precificação superior ao volume divulgado pela D&M implica uma estratégia de risco mais elevado que deve ser considerada na avaliação da empresa feita pelo mercado", diz o analista em relatório.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
Internacional
Petrobras e Pemex firmam parceria para cooperação em E&P
23/06/26
Fenasucro
Pela primeira vez, Brasil recebe congresso latino-americ...
23/06/26
Energy Summit
Com quatro prêmios, ENGIE é destaque no Energy Summit Awards
23/06/26
Combustíveis
Distribuidoras de combustíveis cobram avanço imediato do...
23/06/26
Energy Summit
Energy Summit 2026: Tecnologias da Embrapii fortalecem a...
22/06/26
Energy Summit
Biodiesel e combustíveis renováveis entram no centro da ...
22/06/26
Gás Natural
ANP prorroga consulta pública sobre cálculo do Método do...
22/06/26
Rio de Janeiro
Anuário do Petróleo no Rio, da Firjan, destaca que recor...
22/06/26
Biometano
Com mercado cinco vezes maior desde 2020, setor de biome...
22/06/26
Petrobras
Com investimento estimado de US$ 1,2 bilhão, Petrobras a...
22/06/26
Combustíveis
Etanol fecha a semana em recuperação e mostra sinais de ...
22/06/26
Inteligência Artificial
Impacto industrial: Executivo brasileiro integra novo co...
20/06/26
Indústria Naval
Ecovix assina contrato para a construção de quatro navio...
19/06/26
Exportações
Para ONIP tributação sobre exportações de petróleo compr...
18/06/26
Aviação
Fórum IBP SAF reúne setor privado e agentes públicos par...
18/06/26
Pré-Sal
Consórcio de Libra liderado pela Petrobras contrata Cepe...
18/06/26
Eólica Offshore
Com representante no Comitê Diretor da CEM, o WFO reforç...
18/06/26
Combustíveis
ANP realiza segunda parte de audiência pública sobre car...
18/06/26
PPSA
Produção de petróleo da União atinge 187 mil barris por ...
18/06/26
ANP
ANP faz pesquisa para aprimorar sua Carta de Serviços
17/06/26
Resultado
Atlas Portuário do ES: portos capixabas movimentam 137,5...
17/06/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.