Empresas

Neoenergia vai investir R$ 2,7 bilhões

Valor Econômico
07/12/2010 09:27
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Os investimentos da Neoenergia no próximo ano vão chegar a R$ 2,7 bilhões, recorde para a empresa e um dos maiores investimentos anuais a ser realizado em crescimento orgânico por um mesmo grupo do setor elétrico. Somente na atividade de distribuição, nos estados da Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Norte, serão destinados R$ 1,8 bilhão. Para se ter ideia da magnitude do investimento, esse valor representa cerca de 25% do total investido por ano pelas mais de 40 empresas ligadas à Associação dos Distribuidores de Energia Elétrica (Abraee). A associação diz que os investimentos em distribuição somam R$ 7,6 bilhões anuais.


As ambições da Neoenergia para o próximo ano são ainda maiores. A empresa tem em caixa R$ 4 bilhões, sob o título de reserva de lucro, que planeja usar em aquisições. Mas nesse quesito, a companhia terá de esperar por um arranjo entre seus acionistas, Previ e Iberdrola. O fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (Previ), que é hoje o maior acionista, vive um dilema já que o fundo também é dono da CPFL Energia junto com a Camargo Corrêa. As duas empresas competem hoje pelos ativos de distribuição do país e também nos leilões de usinas hidrelétricas e até mesmo eólicas.


Para a Previ, não está sendo fácil conseguir chegar a um acordo com seus diferentes sócios nas duas empresas. A Iberdrola, uma grande elétrica espanhola, tem interesse em manter seus ativos no país e uma fusão com a CPFL, que seria o caminho ideal para a Previ em termos de otimização de seus investimentos, não a deixaria na posição que tem hoje. A Previ chegou a contratar o Morgan Stanley para avaliar a Neoenergia. Os espanhóis não quiseram sentar para conversar com a Camargo e discutir uma fusão. Com isso, uma das possibilidades, segundo contam algumas fontes ligadas à operação, é de que a empresa seja cindida, ficando a Iberdrola com a geração e a Previ com a distribuição.


O presidente da Neoenergia, Marcelo Corrêa, entretanto, não fala sobre o assunto e diz que isso cabe aos sócios. Fala apenas que o caixa de R$ 4 bilhões que a empresa possui hoje é considerável para se fazer qualquer aquisição. "E ainda podemos fazer uma emissão de ações se comprarmos um grande ativo", diz ele. A abertura de capital da Neoenergia na bolsa de valores é esperada há bastante tempo.


Mas antes de qualquer definição no setor, as regras para o terceiro ciclo de revisão das empresas distribuidoras precisarão ser definidas pela Aneel e isso deve acontecer somente no início do ano que vem, já que a agência prorrogou o prazo da audiência pública que está recebendo vasta contribuição das distribuidoras para que sejam feitas alterações. A decisão afeta diretamente o valor dessas companhias. Corrêa diz que, da forma como está proposta hoje pela Aneel, os investimentos serão reduzidos no próximo ciclo tarifário.


Os números da Neoenergia foram aprovados na última reunião do conselho de administração e neles estão inseridos as hidrelétricas de Belo Monte e Baixo Iguaçu, essa última ainda sob embargo da Justiça. "E isso se não ganharmos mais nenhum leilão", diz Marcelo Corrêa, que vai concorrer no leilão da hidrelétrica de Teles Pires, que acontece no dia 17 de dezembro. A usina terá 1.800 MW de capacidade e vai requerer cerca de R$ 6 bilhões em investimentos.
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