Energia elétrica

Leilão de linhas de transmissão atrai investidor privado e anima indústria

Reuters, 13/04/2017
13/04/2017 15:02
Visualizações: 806

Um leilão que ofertará concessões para a construção de novas linhas de transmissão de energia em 26 de abril tem atraído forte interesse de investidores, principalmente privados, o que gera otimismo na indústria fornecedora de equipamentos.

A perspectiva de quem acompanha os preparativos para o certame é de que haverá lances de empresas por todos ou quase todos os 35 lotes de projetos que serão ofertados, com possíveis exceções para empreendimentos vistos como mais complexos do ponto de vista ambiental.

O certame, assim, poderia repetir ou superar o desempenho da última licitação de linhas de energia, em outubro passado, que teve o melhor resultado desde 2012, ao receber propostas para 21 dos 24 lotes disponíveis.

"Acho que esse leilão vai ser mais fervente que o do ano passado... Tem aí uma dúzia ou mais de investidores (estudando projetos) e cada proponente desse estuda um ou mais lotes, alguns estudam todos os lotes", disse à Reuters o diretor de energia da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Newton Duarte.

A avaliação é compartilhada pelo coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Nivalde de Castro. "O leilão será muito competitivo, com deságios, e possivelmente sem lotes vazios."

A maior movimentação é atribuída à elevação da taxa de retorno dos projetos, efetivada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no ano passado para evitar novos fracassos após uma série de leilões de transmissão malsucedidos realizados desde 2013.

"Os retornos são bastante bons, e evidentemente isso é o que está atraindo tantos possíveis investidores. Estamos com uma perspectiva bastante positiva a respeito do resultado do leilão", avaliou o vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios da fabricante de equipamentos ABB no Brasil, José Paiva.

A avaliação dos especialistas é que devem participar do certame empresas de transmissão privadas já presentes no país --como Cteep, Taesa e Alupar-- e elétricas mais presentes em outros segmentos, como a geradora Engie, além de fundos de investimento.

"De todos leilões em que participamos, esse é o que tem maior demanda. E uma característica distinta é que são muitos investidores, e há um grande número de fundos de investimento. Isso já foi acentuado no último leilão, e agora vem muito mais forte", disse à Reuters o diretor-executivo da Alubar Metais e Cabos, Mauricio Gouveia.

Ele disse, inclusive, que a Alubar começa a avaliar uma expansão em sua fábrica no Brasil para atender a demanda que será gerada por esse e outros leilões de transmissão de grande porte que estão na agenda da Aneel.

"Estamos planejando ampliações para os próximos anos... vamos definir até o final do primeiro semestre o tamanho da ampliação, devido à expectativa com os negócios, crescendo com os leilões", disse o executivo da Alubar, fornecedora de vergalhões e cabos elétricos para linhas de transmissão e redes distribuição de energia.

Liminirares

Decisões judiciais liminares que livram indústrias de pagar parte de uma cobrança que será incluída nas tarifas de energia a partir do segundo semestre, para quitar indenizações devidas pela União a transmissoras de energia, devem ter pouco impacto no leilão, avaliou o especialista em energia do Demarest Advogados, Raphael Gomes.

Ele disse que, embora algumas companhias como Eletrobras Cteep, Cemig e Copel corram risco de receber menos recursos que o esperado devido às liminares, essa discussão está centrada em concessões antigas, com pouco impacto sobre novos empreendimentos.

Essas indenizações haviam sido prometidas pelo governo às elétricas no final de 2012, quando as empresas aceitaram renovar antecipadamente contratos de concessão que venceriam nos anos seguintes.

"Existe um temor em relação a uma nova judicialização no setor, mas no leilão, especificamente... não tenho sentido essa preocupação", disse.

Castro, da UFRJ, mantém o otimismo com o leilão, mas avalia que a Cteep "fica fragilizada" para a disputa. Já a Eletrobras, outra companhia com recursos a receber, já anunciou que não vai participar da licitação.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Brasil-Alemanha
PMEs Go Green realiza ciclo de workshops gratuitos com f...
26/01/26
Etanol
Hidratado registra valorização no mercado semanal e diário
26/01/26
Logística
Terminais Ageo captam R$ 450 milhões em debêntures incen...
23/01/26
Petrobras
Alta eficiência amplia refino e aumenta produção de comb...
22/01/26
Combustíveis
IBP: Decisão da ANP garante segurança de abastecimento e...
22/01/26
PPSA
Produção de petróleo da União atinge 174 mil barris por ...
21/01/26
Apoio Offshore
Fundo da Marinha Mercante destina R$ 2,3 bilhões à const...
21/01/26
Drilling
Navio-sonda Norbe IX, da Foresea, passa por manutenção p...
21/01/26
Biocombustíveis
Sifaeg destaca novo ciclo de investimentos e consolidaçã...
20/01/26
Navegação Marítima
Descarbonização: a nova rota do setor marítimo brasileiro
20/01/26
PD&I
CEPETRO e Universidade Tecnológica da PETRONAS desenvolv...
19/01/26
Pessoas
Zilor anuncia novo Diretor de Pessoas
19/01/26
Navegação
Petrobras e Transpetro assinam contratos do Programa Mar...
19/01/26
Etanol
Indicadores Cepea mostram etanol hidratado em alta no me...
19/01/26
Posicionamento IBP
Importação de biodiesel
16/01/26
Bacia de Campos
Brava Energia anuncia aquisição de 50% de participação n...
16/01/26
Biocombustíveis
Com R$ 6,4 bi em 2025, BNDES faz aprovação recorde de cr...
16/01/26
Créditos de Carbono
Edital ProFloresta+ supera expectativas e recebe 16 prop...
16/01/26
iBEM26
Inteligência Artificial faz aumentar demanda por energia...
16/01/26
Resultado
Em 2025 a Petrobras produziu 2,40 milhões de barris de ó...
16/01/26
Pré-Sal
Equinor arremata primeira carga de petróleo da União do ...
15/01/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.