O foco de crescimento da Energias do Brasil no país tende a continuar no segmento de geração, setor no qual a empresa começou a avançar com a gestão de António Pita de Abreu, que está deixando a presidência para assumir a responsabilidade pela geração do grupo Energias de Portugal no mundo.
"Onde há oportunidade de negócio no Brasil é na geração, fora o crescimento orgânico... O crescimento tende a ser em geração", disse Abreu em entrevista à imprensa sobre os resultados da empresa no quarto trimestre, na qual fez também um balanço dos quatro anos em que esteve na presidência da companhia.
O executivo assume a responsabilidade pelo segmento de geração do grupo EDP no mundo, dentro do conselho de administração, e para seu lugar na Energias do Brasil foi indicado o nome da economista Ana Maria Fernandes.
No final do ano passado, a chinesa Three Gorges venceu a disputa pela participação de cerca de 21% do governo português no controle da EDP - superando outras grandes do setor como a Eletrobras e a alemã E.ON - ao pagar 2,7 bilhões de euros.
"O que a entrada do novo acionista permitirá é eventualmente aumentar a presença da empresa em outras áreas", disse Abreu sobre o ingresso dos chineses no bloco de controle, ao acrescentar que "sua opinião pessoal" é de que os novos acionistas invistam em áreas onde há perspectivas de crescimento, como o Brasil.
Ele acrescentou, que a empresa - que opera a EDP Escelsa (ES) e a EDP Bandeirante (SP) - não analisa nenhuma proposta de aquisição de ativo de distribuição no momento e não tem interesse nos ativos do Grupo Rede Energia, cuja participação de 54% do acionista majoritário está à venda.
Em 2008, a Energias do Brasil fez uma troca de ativos com o Grupo Rede, por meio do qual assumiu a usina hidrelétrica Lajeado (653 MW) e entregou ativos de distribuição que hoje compõem a Enersul.
Segundo Abreu, foi quando a empresa iniciou a busca para equilibrar a atuação entre os segmentos de geração e distribuição. "Foi importante para nós porque equilibrou os riscos", disse o executivo, acrescentando que no segmento de distribuição é necessária uma constante redução de custos.
O engenheiro disse também que considera que conseguiu atingir os objetivos de sua gestão de crescer em geração, equilibrar portfólio, melhorar a eficiência na operação e crescer no segmento de energia eólica. Em 2016, a Energias do Brasil terá 2.625 MW de capacidade de geração em operação.
A nova presidente da Energias do Brasil, Ana Maria Fernandes, que era presidente da EDP Renováveis, disse que o Brasil é uma região com muitas possibilidades e considerado um dos países de crescimento mais importante na área de energia.
"Vamos tentar alavancar novas possibilidades que a nova estrutura acionista nos permitirá. Tentar um crescimento não só orgânico... Não vamos ficar parados", disse.
Resultados
A Energias do Brasil sofreu queda de cerca de 59% no lucro líquido do quarto trimestre de 2011, para R$ 82 milhões, afetada, entre outros fatores pelo arrefecimento da economia e verão mais ameno.
"Em geral, em todo o Brasil, os resultados no quarto trimestre não foram bons... porque houve um arrefecimento da economia", disse Abreu.
As distribuidoras de energia tendem a contratar a maior parte da energia cinco anos antes para atender a demanda, com base na previsão de crescimento do mercado de consumo. Quando há frustração na demanda prevista, as empresas ficam com sobra de energia contratada. "Ficamos com energia para vender e não conseguimos. Isso é mal para o resultado", disse.
A produção industrial e o PIB mostraram forte desaceleração no ano passado, o que impactou o mercado de distribuição de energia.
Em 2011, a empresa lucrou R$ 490,7 milhões, queda de 15,8% ante 2010. A receita líquida somou R$ 5,4 bilhões.
A Energias do Brasil irá investir R$ 950 milhões em 2012, dos quais um terço será aplicado em distribuição e o restante em geração - na manutenção de usinas, na finalização da termelétrica Pecém e na construção da hidrelétrica Santo Antônio do Jari, principalmente.
A expectativa da empresa é de que a termelétrica de Pecém, na qual a empresa é sócia com a MPX, cada uma com 50%, entre em operação ainda neste semestre. Segundo o diretor de Geração da Energias do Brasil, Luiz Otavio Henriques, a usina está em fase de comissionamento.