Petrobras
Jornal do Commercio
O plano de expansão do parque de refino da Petrobras vai adicionar, até meados da próxima década, 1,3 milhão de barris por dia à capacidade brasileira de processamento de petróleo. Embora represente apenas 1,5% da capacidade atual de refino no mundo, o crescimento projetado pela estatal brasileira pode ajudar a suavizar um dos principais gargalos do mercado de petróleo, que é a dificuldade do parque existente para transformar petróleo pesado em destilados médios, como diesel e querosene de aviação.
Análise do banco Merril Lynch aponta a falta de capacidade de produção desses dois combustíveis como um dos principais fatores de pressão nos preços do petróleo. Em relatório recente, o chefe da área de pesquisas em commodities do banco, Francisco Blanch, diz que as refinarias atuais não conseguem obter margens razoáveis no processamento de óleo pesado, o que motiva grande busca por petróleos mais leves. "O crescimento da capacidade de refino será crítico no direcionamento dos preços do petróleo", avalia.
É consenso no mercado que o mundo vive um apagão de refino desde meados da década, reflexo do crescimento da demanda, principalmente no setor de transportes, aliado à falta de investimentos em novas refinarias durante as décadas de 80 e 90.
"Com a recessão provocada pelo segundo choque no petróleo, o consumo de combustíveis não cresceu como esperado nos anos 80, gerando ociosidade no parque de refino. Essa situação mudou", diz o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE).
Ele lembra ainda que há grandes restrições á construção de refinarias nos Estados Unidos e Europa e, por isso, o Brasil apresenta-se como bom candidato à necessária expansão da oferta de combustíveis.
Das cinco novas unidades planejadas pela Petrobras, duas são voltadas para exportação e foram batizadas de Premium 1 e Premium 2. A primeira terá capacidade para 600 mil barris por dia e ficará no Maranhão. A segunda, com 300 mil barris por dia, deve ser instalada no Ceará.
O objetivo da estatal é desenvolver os projetos prevendo o processamento de um mix entre óleo pesado, muito comum na Bacia de Campos, e óleo leve, que deve ser extraído na região do pré-sal, em Santos. Outro ponto que aumenta a relevância dos projetos é o foco justamente na produção de derivados médios, em falta no mercado mundial.
A situação é tão drástica que Blanch acredita que as companhias aéreas americanas devem começar a ter problemas financeiros por conta da alta do preço do querosene de aviação.
A primeira das refinarias Premium, porém, só deve iniciar as operações por volta de 2013. Antes disso, a Petrobras deve colocar em operação a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, com 200 mil barris por dia, e o Comperj, no Rio, este voltado para o setor petroquímico. Os investimentos em todo o pacote ainda não foram detalhados.
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