Empresas

Eletrobras não explica superávit menor

Valor Econômico
25/11/2010 09:57
Visualizações: 549
É curioso que o governo tenha associado a redução do superávit primário deste ano e de 2011 à retirada da Eletrobras do cálculo da meta. Na verdade, o grupo Eletrobras contribuiria com apenas 0,05% do Produto Interno Bruto (PIB) para o superávit do governo federal este ano e a redução da meta anunciada na semana passada pelo Ministério do Planejamento foi de 0,2% do PIB. A decisão relevante, portanto, não é a exclusão da Eletrobras do cálculo, mas a redução do esforço fiscal do governo federal daqui para frente.


Depois que o governo excluiu a Petrobras do cálculo do superávit, no ano passado, o resultado primário das estatais passou a ser negativo ou muito próximo de zero, como mostram os dados sobre a política fiscal divulgados pelo Banco Central. Em 2009, as estatais federais (incluindo a Eletrobras) apresentaram um déficit primário de R$ 1,86 bilhão, o equivalente a 0,06% do PIB. Se a Petrobras não for considerada nas estatísticas dos anos anteriores, o superávit do conjunto das demais estatais fica em 0,08% do PIB em 2008 e 0% em 2007.


Pelo histórico, o governo sabe que a ajuda das estatais (mesmo incluindo a Eletrobras) para o superávit primário é, na melhor das hipóteses, próxima de zero. É provável que este ano, mesmo se a Eletrobras fosse mantida no cálculo, essas empresas novamente apresentassem déficit. Assim, se a meta de 0,2% do PIB para as estatais fosse mantida, o Tesouro Nacional teria que fazer um esforço fiscal ainda maior, porque teria que compensar a frustração da meta dessas empresas, como determina a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Essa foi a razão para a mudança.


Forma de contabilizar o resultado de Itaipu mudou


O governo realizou também outra alteração importante em sua metodologia de cálculo. O conjunto das estatais não foi retirado do cálculo da meta de superávit primário, apenas a Petrobras e a Eletrobras. As demais estatais permaneceram e apenas o resultado primário delas foi igualado a zero. Elas não contribuirão, portanto, para a meta do superávit primário.


É interessante observar que, este ano, o resultado primário mais importante não seria da Eletrobras, mas de Itaipu. Essa empresa binacional seria responsável por 0,18% do PIB do superávit primário de 0,2% do PIB destinado às estatais. A Eletrobras faria 0,05% do PIB e as demais estatais federais registrariam déficit de 0,03% do PIB, como mostra a tabela abaixo.


Esse é o resultado primário registrado de acordo com a metodologia do Tesouro Nacional (que os especialistas chamam "acima da linha"). A metodologia do Banco Central é diferente, pois ele capta as variações dos saldos dos entes públicos no sistema financeiro ("abaixo da linha"). Há sempre uma diferença de valor do resultado primário entre as duas metodologias, que é chamada de "discrepância metodológica".


Um dos principais componentes da "discrepância metodológica" é o resultado de Itaipu. A construção da hidrelétrica de Itaipu foi financiada pelo Tesouro Nacional e pela Eletrobras. A receita obtida pela empresa binacional com a venda de energia de Itaipu (cotada em dólar) é utilizada para os seus gastos correntes e para pagar essas dívidas. Mas os pagamentos não são captados pelo Banco Central, pois as dívidas foram contraídas fora do sistema financeiro nacional. Em um determinado momento, o Tesouro passou a informar ao BC quanto recebia de Itaipu e os valores passaram a ser computados. Mas os pagamentos à Eletrobras não são.


Ao excluir a Eletrobras do cálculo do superávit primário, o governo mudou também a forma de contabilizar o resultado de Itaipu. Segundo explicações do Ministério do Planejamento, o resultado "acima da linha" passou a contabilizar apenas os pagamentos da empresa binacional ao Tesouro. Por causa disso, o superávit primário dessa empresa caiu de 0,18% do PIB para 0,03% do PIB, como mostra a tabela abaixo. O Planejamento explicou ainda que o superávit de Itaipu caiu também porque o valor inicial previa uma cotação do dólar de R$ 2,30 para este ano.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
Internacional
Petrobras e Pemex firmam parceria para cooperação em E&P
23/06/26
Fenasucro
Pela primeira vez, Brasil recebe congresso latino-americ...
23/06/26
Energy Summit
Com quatro prêmios, ENGIE é destaque no Energy Summit Awards
23/06/26
Combustíveis
Distribuidoras de combustíveis cobram avanço imediato do...
23/06/26
Energy Summit
Energy Summit 2026: Tecnologias da Embrapii fortalecem a...
22/06/26
Energy Summit
Biodiesel e combustíveis renováveis entram no centro da ...
22/06/26
Gás Natural
ANP prorroga consulta pública sobre cálculo do Método do...
22/06/26
Rio de Janeiro
Anuário do Petróleo no Rio, da Firjan, destaca que recor...
22/06/26
Biometano
Com mercado cinco vezes maior desde 2020, setor de biome...
22/06/26
Petrobras
Com investimento estimado de US$ 1,2 bilhão, Petrobras a...
22/06/26
Combustíveis
Etanol fecha a semana em recuperação e mostra sinais de ...
22/06/26
Inteligência Artificial
Impacto industrial: Executivo brasileiro integra novo co...
20/06/26
Indústria Naval
Ecovix assina contrato para a construção de quatro navio...
19/06/26
Exportações
Para ONIP tributação sobre exportações de petróleo compr...
18/06/26
Aviação
Fórum IBP SAF reúne setor privado e agentes públicos par...
18/06/26
Pré-Sal
Consórcio de Libra liderado pela Petrobras contrata Cepe...
18/06/26
Eólica Offshore
Com representante no Comitê Diretor da CEM, o WFO reforç...
18/06/26
Combustíveis
ANP realiza segunda parte de audiência pública sobre car...
18/06/26
PPSA
Produção de petróleo da União atinge 187 mil barris por ...
18/06/26
ANP
ANP faz pesquisa para aprimorar sua Carta de Serviços
17/06/26
Resultado
Atlas Portuário do ES: portos capixabas movimentam 137,5...
17/06/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.