Energia elétrica

BR investirá R$ 1,3 bi em geração

Valor Econômico
20/02/2006 00:00
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Distribuidora de combustíveis da Petrobras vai construir 13 pequenas centrais hídricas.

Braço da Petrobras para distribuição de combustíveis e líder do mercado brasileiro, a BR Distribuidora vai participar do projeto de construção de 13 pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), que terão investimento total de R$ 1,3 bilhão. As PCHs são usinas que geram até 30 megawatts (MW) de energia a partir de pequenos reservatórios. O investimento é considerado pelo presidente da companhia, Rodolfo Landim, como o maior projeto da história da empresa na área de energia. Juntas, as PCHs terão potência instalada de 292 MW. A estatal terá como sócias no projeto as empresas BSB Energética, Araguaia e Eletroriver.

A BR e os sócios já receberam autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para o projeto, que terá uma modelagem financeira complexa. Será criada uma companhia para cada uma das usinas, que serão controladas por uma holding chamada Brasil PCH, da qual a estatal terá 49% das ações. A maior parte do financiamento (71%) será dado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Também serão emitidas debêntures que vão representar 15% do capital da Brasil Holdings. Outros 11%, equivalentes a R$ 143 milhões, virão de capital próprio dos acionistas e o projeto contará ainda com um sócio financeiro que vai aportar 2% do investimento. A energia produzida pelas empresas será integralmente comprada pela Eletrobrás, por meio de contratos de compra garantida (PPA).

As treze usinas integram o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia (Proinfa), do Ministério de Minas e Energia, que prevê a contratação de 3,3 mil MW de energia renovável para o Sistema Interligado Nacional (SIN), dos quais 1,1 mil MW oriundas de biomassa, e outros 1,1 mil cada de fontes eólica e PCHs.

Desde dezembro se comentava no mercado sobre a participação da BR em projetos de geração de energia, o que surpreendeu algumas fontes então ouvidas pelo Valor, considerando que essa não é a atividade fim da companhia. Mas Landim rebate essas afirmações lembrando que as PCHs produzem quantidade pequena de energia que poderá ser oferecida de forma pulverizada para consumidores livres no mercado quando acabar o contrato com a Eletrobrás. Por isso, segundo ele, esse investimento é mais característico do varejo do que os grandes empreendimentos da área de gás e energia da Petrobras.

O presidente da BR explica ainda que, assim como a Petrobras, a BR caminha para se tornar uma empresa de energia. E por isso quer estar posicionada para, no futuro, oferecer soluções energéticas para os seus clientes.

"Queremos estar preparados para sermos uma empresa de soluções de energia, e não apenas uma distribuidora. Nossa visão estratégica é que devemos oferecer, no futuro, não apenas combustíveis, mas calor ou energia para nossos clientes. E para alcançar o objetivo de ser uma empresa de soluções energéticas é que estamos investindo nesses novos ativos", explicou Rodolfo Landim.

A BR já é sócia de três empresas que operam oito termelétricas no Nordeste: Brasympe Energia S.A (20%), Breitener (30%) e Termoelétrica Potiguar (20%), que têm capacidade instalada de gerar 570 MW durante a fase de contratação de energia emergencial e cujos contratos estão acabando. Na maior delas, a Brasympe, tem como sócias, além da BR, a Montagem Projetos Especiais (MPE) e a Soenergy (do grupo Caterpillar) e controla seis térmicas a óleo no Espírito Santo, Sergipe e Alagoas com potência instalada total de 368 megawatts (MW). Na Breitener Energética, que só opera uma usina no Ceará, a estatal é sócia da EIT, Enerconsult e da sueca Skanska.

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