Negócios

Venda da Quattor tem novo round na Justiça

Jornal do Commercio
07/01/2010 09:47
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A negociação em torno da incorporação da Quattor pela Braskem pode enfrentar um novo revés hoje. Em meio à demora para a assinatura do acordo, que já estaria definido, segundo fontes próximas às negociações, a operação pode voltar a ser barrada pela Justiça do Rio de Janeiro. Isso pode acontecer caso o juiz escalado para analisar o pedido de liminar contra as negociações, proposto por Alberto Soares de Sampaio Geyer, acate o posicionamento apresentado pelo sócio da Vila Velha Administração e Participações (controladora da Unipar) antes da assinatura do acordo.



A solicitação de Alberto Geyer foi entregue à Justiça antes do Natal, em pleno recesso judiciário. O juiz de plantão deu parecer favorável ao empresário, mas no dia seguinte o desembargador de plantão determinou que o assunto fosse analisado por um juiz em exercício, o que só poderá ocorrer a partir de hoje. Por isso, a oficialização do acordo, neste momento, tornou-se uma corrida contra o tempo, para evitar que nova decisão judicial interrompa as negociações - Joanita Soares de Sampaio Geyer, irmã de Alberto Geyer, também obteve liminar semelhante, em outubro, que inviabilizou a assinatura do acordo durante aproximadamente dois meses.



Neste momento, informa uma fonte ligada às negociações, pequenos detalhes, a maior parte destacados pelo corpo jurídico da Petrobras, ainda estão travando aquela que vem sendo chamada entre especialistas de a maior e mais complexa negociação do setor no Brasil.



"Não se trata apenas de uma negociação de duas ou três empresas, mas sim de 18 companhias que foram desmembradas ao longo dos últimos anos", destacou a fonte, lembrando que cada uma dessas empresas possui em sua composição acionária outras companhias ativas ou já incorporadas. "São interesses particulares de todos os lados e fica difícil acertar os ponteiros sobre como acomodar todos os ativos que estão debaixo deste imenso guarda-chuva", afirma.



Apesar disso, essa fonte acredita que a oficialização do negócio "não passa de sexta-feira". "Na segunda, terça, e hoje (ontem), eu repito: não dá para fechar ainda. Mas amanhã (hoje), ou no mais tardar na sexta, já teremos esta negociação finalizada", comentou. A menos que a Justiça volte a suspender o acordo. Ele descartou que exista uma "teoria conspiratória" por trás da dificuldade na assinatura do acordo e frisou que não existe qualquer contrapartida exigida pela Petrobras - uma das principais acionistas da Braskem - para concordar com a incorporação da Quattor.



ODEBRECHT. Nos bastidores do setor petroquímico chegou a ser cogitado que a Petrobras estaria exigindo que a Odebrecht efetivasse sua participação acionária nos investimentos do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), empreendimento da estatal, no valor de US$ 8,5 bilhões.



Em contrapartida, segundo estes rumores, a Petrobras concordaria em participar da incorporação da Quattor, que deverá movimentar aproximadamente R$ 3,5 bilhões na operação de aumento de capital da Braskem e mais R$ 800 milhões a R$ 900 milhões a serem destinados à Unipar, empresa que detém 60% da Quattor. Procurada, a Petrobras informou que não comentaria sobre o assunto.



"Isso não existe. A Odebrecht quer participar do Comperj e a Petrobras quer que ela participe. Já existe um consenso e isso está sendo negociado à parte", disse a fonte, lembrando que o principal interesse é a criação de uma empresa petroquímica altamente competitiva no mercado internacional.



A Braskem já comunicou oficialmente seu interesse em ingressar no polo, que deve reunir a Petrobras, única fornecedora local de nafta e outros derivados do petróleo, a Braskem, na condição de única petroquímica do País, além do Grupo Ultra e de outros eventuais parceiros internacionais e brasileiros.

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