Logística

Transpetro assina contratos com estaleiro do Rio

Subsidiária de transportes da Petrobras assina os contratos com o Consórcio Rio Naval para a construção de nove navios do Programa de Modernização e Expansão da Frota da empresa.

Da Redação
12/04/2007 00:00
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A Transpetro, subsidiária para transportes da Petrobras, assinou nesta quarta-feira (11), no Rio de Janeiro, os contratos com o Consórcio Rio Naval para a construção de nove navios do Programa de Modernização e Expansão da Frota da empresa, que faz parte do PAC - Programa de Aceleração do Crescimento do Governo Federal. Participaram da solenidade, no Estaleiro Sermetal, o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, e o presidente da Transpetro, Sergio Machado.

Para o presidente da Petrobras, a assinatura dos contratos não é uma “gota d’água no oceano” e sim a prova da continuidade de um processo. “Esse é um programa que dá apoio não só o setor de petróleo, mas garante a sustentabilidade da indústria naval, da marinha mercante e uma melhor infra-estrutura de transportes para o país”, afirmou Gabrielli.

Para o governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, a assinatura dos contratos foi um grande momento para o país, mas, sobretudo para o estado: “O Rio de Janeiro tem agora uma boa perspectiva de crescimento e expansão econômica”, declarou. “Os maiores investimentos do país serão realizados aqui”, disse.

Após assinar o Diário de Bordo da primeira embarcação, o Presidente da República se mostrou otimista em seu discurso.

“Não é possível que um país que teve condições de criar a Embraer, a Petrobras e chegar a combustíveis alternativos, não seja capaz de criar bases sólidas para a sua indústria naval, sobretudo com um passado como o da nossa”, afirmou.

“Nós não só temos engenharia como estamos dispostos a transformar o país na mais competente indústria naval do mundo”, afirmou. “Não vejo nenhuma crise ou possibilidade que possa atrapalhar o crescimento do país”.

Tudo indica que em breve os próximos contratos poderão ser assinados.

“Estas operações são estruturadas e dependem de uma série de requisitos, como garantias e a assinatura dos contratos entre Transpetro e estaleiros, Transpetro e BNDES e BNDES e estaleiros”, explicou o diretor da área de Infra-Estrutura do BNDES, Wagner Bittencourt. “Estamos agilizando os requisitos bancários. Esperamos ter tudo resolvido o mais rápido o possível, mas não adianta assinar o contrato com o estaleiro se o contrato com o BNDES não está assinado”, concluiu.

“A Petrobras está ampliando a sua produção, logo, temos necessidade de logística para o país e prazos apertados para termos esses navios trabalhando”, afirmou o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, informando que, além dos 42 navios já previstos no programa de renovação da frota da subsidiária, serão adquiridas mais três embarcações: um navio para transporte de etanol e mais dois petroleiros.

O Consórcio Rio Naval vai construir cinco navios Aframax e quatro Panamax. As embarcações encomendadas no Rio serão entregues à Transpetro entre 2009 e 2012. A previsão é de que dois novos Aframax sejam incorporados à frota da empresa já no primeiro ano de entregas.

Esta primeira fase do Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro prevê a construção de 26 navios. A metade será construída no Rio de Janeiro, gerando no estado mais de 11 mil novos empregos diretos. O outro estaleiro do Rio que fabricará embarcações para a empresa é o estaleiro Mauá Jurong, que venceu a licitação do lote de quatro navios de produtos. No dia 31 de janeiro, a Transpetro assinou contrato com o Consórcio Atlântico Sul, em Pernambuco, que irá construir dez navios Suezmax.
 
O projeto terá reflexo importante no mercado de trabalho, com a abertura de 22 mil novos empregos diretos, em um setor que passou por um longo período de estagnação. Para fazer frente a essa demanda, estão sendo criados diversos programas de reciclagem e qualificação de mão-de-obra, do nível básico ao superior. Só no Rio de Janeiro, já estão abertas mais de dez mil vagas em cursos que formarão profissionais de diferentes áreas do setor de construção naval, como soldador, mecânico, operador de máquinas, eletricista industrial e técnicos eletromecânicos, entre outras. A qualificação será feita pelo Senai e pelos Cefets (Centros Federais de Educação Tecnológica). No total, o Ministério do Trabalho investirá R$ 4 milhões para a qualificação profissional, no Rio e em Pernambuco, onde serão construídos 23 dos primeiros 26 navios encomendados pela Transpetro, nesta primeira fase.

O programa oferece ainda uma base estruturada de apoio tecnológico à indústria naval, ancorada em convênio com a Petrobras, o Ministério da Ciência e Tecnologia, via Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), e o Centro de Excelência em Engenharia Naval e Oceânica (CEENO). Esta parceria gerou a Rede Tecnológica de Construção Naval, com recursos da ordem de R$ 32 milhões, destinados a oito projetos que darão sustentabilidade à indústria de construção de navios de grande porte, como o laboratório de simulação de sistemas de construção naval e a plataforma para ensaios de manobras de embarcações, implantados na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
 
Após a assinatura com o Rio Naval, a Transpetro se prepara para assinar os contratos dos sete navios que serão encomendados aos estaleiros Mauá Jurong (RJ) e Itajaí (SC).

O Mauá Jurong construirá quatro navios de produtos, com preço global de US$ 277.079.543,00, enquanto o Itajaí fabricará três navios de GLP (gaseiros), ao preço global de US$ 130,9 milhões.

O resultado da licitação da Transpetro foi anunciado em março do ano passado. O valor total dos 26 navios (US$ 2.483.479.543) ficou apenas 1% superior ao que seria pago se a encomenda fosse feita no exterior, considerando a equivalência financeira e a necessidade de customização das embarcações, que têm altas exigências de projeto e de construção.

No total, o Programa de Modernização e Expansão da Frota da empresa prevê a construção de 42 navios. O objetivo é substituir navios e modernizar e ampliar a frota própria da empresa; aumentar a capacidade de atendimento às necessidades de transporte do Sistema Petrobras, e contribuir para a revitalização do segmento de construção de grandes navios, promovendo desenvolvimento para o Brasil, com geração de tecnologia, empregos e renda. A segunda fase, que será implementada logo após a assinatura dos contratos dessa etapa inicial, levará à construção de mais 16 navios.

Os navios fabricados no Brasil vão permitir uma redução nos gastos do país com afretamento de embarcações de bandeira estrangeira. O Brasil gasta US$ 10 bilhões por ano em transporte marítimo. Só a Petrobras gasta, anualmente, US$ 1,2 bilhão com afretamento de navios.
 
Empresas vencedoras da licitação, por lotes:

Lote 1 (dez navios Suezmax) - Consórcio Atlântico Sul, formado pelas empresas Camargo Corrêa e Queiroz Galvão, com parceria tecnológica da Samsung.
Preço global: US$ 1.209.500.000,00
Preço médio, por navio: US$ 120.950.000,00
 
Lote 2 (cinco navios Aframax) - Consórcio Rio Naval, formado pelas empresas MPE Participações e Administrações S.A e Sermetal Estaleiros S.A, com parceria tecnológica da Hyundai.
Preço global: US$ 517.000.000,00
Preço médio, por navio: US$ 103.400.000,00
 
Lote 3 (quatro navios Panamax) - Consórcio Rio Naval, formado pelas empresas MPE Participações e Administrações S.A e Sermetal Estaleiros S.A, com parceria tecnológica da Hyundai.
Preço global: US$ 349.000.000,00
Preço médio, por navio: US$ 87.250.000,00
 
Lote 4 (quatro navios de Produtos) - Estaleiro Mauá Jurong
Preço global: US$ 277.079.543,00
Preço médio, por navio: US$ 69.269.886,00
 
Lote 5 (três navios GLPs - gaseiros) - Estaleiro Itajaí
Preço global: US$ 130.900.000,00
Preço médio, por navio: US$ 43.633.334,00

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