Investimentos

Biocombustíveis podem adicionar até R$ 403,2 bilhões ao PIB

Com impacto direto na economia e efeitos em múltiplos setores, os biocombustíveis emergem como uma das principais alavancas da transição energética no Brasil.

Assessoria Instituto Equilíbrio
05/05/2026 16:57
Biocombustíveis podem adicionar até R$ 403,2 bilhões ao PIB Imagem: Divulgação Visualizações: 1787

O estudo "Potencial Econômico das Práticas Sustentáveis na Agricultura e Pecuária", conduzido pelo Observatório de Bioeconomia da Fundação Getulio Vargas (FGV), com apoio do Instituto Equilíbrio e da Agni, revela as diversas contribuições dos biocombustíveis à economia nacional e à transição climática do País. O levantamento apresenta uma avaliação integrada dos impactos socioeconômicos e ambientais de sete tecnologias do Plano ABC+, bem como sinergias e trade-offs.

Segundo o relatório da FGV Agro, os biocombustíveis — produzidos a partir de biomassa de origem renovável e utilizados para substituir combustíveis fósseis — podem gerar um impacto muito expressivo no PIB, adicionando até R$ 403,2 bilhões, de 2030 a 2035, com a produção estimada de 64 bilhões de litros, incluindo etanol de cana, etanol de milho, etanol de 2ª geração - que utiliza resíduos vegetais e biodiesel.

"Os biocombustíveis podem gerar R$ 62 de retorno para cada R$ 1 investido, um dos resultados mais expressivos do estudo. Mais do que uma alternativa energética, a bioenergia se configura como um vetor de crescimento, com efeitos que se propagam por diferentes setores da economia", afirma Cícero Lima, pesquisador responsável pelo estudo. Esse avanço requer fortalecimento de linhas de crédito, financiamentos atrativos e mecanismos de mitigação de riscos para produtores.

Essa expansão pode tornar o setor até 70% maior, com efeitos sobre transportes, indústria de transformação, agropecuária e agroindústria, o que também impulsionaria a produção de cana-de-açúcar em 31,34%. Outra grande vantagem seria a geração de emprego, com 225,5 mil novas ocupações, principalmente na agropecuária e na agroindústria, mas com efeito positivo nos comércios, serviços e economias locais, especialmente no interior do País.
 

Bioenergia avança com ganhos climáticos e melhor uso da terra
Um destaque é a ação dos biocombustíveis no impacto climático e no uso da terra. O potencial de redução das emissões é de 27,6 Mt CO₂e quando se considera somente a substituição dos combustíveis fósseis, uma vez que o etanol de cana pode reduzir 70–90% das emissões em comparação à gasolina. Já em relação à utilização da terra, o maior volume de biocombustíveis pode evitar 480 mil hectares de desmatamento, grande parte desta área no Cerrado e na Amazônia.

"O Brasil reúne vantagens competitivas únicas em biocombustíveis, com escala, base produtiva e tecnologia já consolidadas. O avanço do setor mostra que não há contradição entre produzir e descarbonizar. Com incentivos e previsibilidade adequados, o País pode transformar esse potencial em liderança global e consolidar a bioenergia como um dos principais motores da transição energética", destaca Eduardo Bastos, CEO do Instituto Equilíbrio.

As tecnologias de baixo carbono permitem expandir alimentos e biocombustíveis simultaneamente, com maior produtividade e melhor uso da terra. Dessa forma, o avanço da bioenergia ocorre sem competição por área agrícola, transformando um potencial conflito em uma estratégia de eficiência, sustentabilidade e liderança global do agro brasileiro.
 
 

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