Empresas

Siemens duplica fábrica de Jundiaí

Valor Econômico
08/09/2011 15:21
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O forte crescimento das encomendas da área de energia da Siemens fizeram a empresa duplicar a capacidade instalada da fábrica de Jundiaí (SP), que atravessou a rua e ganhou mais 12 mil metros quadrados de instalações. A decisão de expansão foi tomada em função do crescimento de quase 30% da carteira de contratos no setor de energia durante o ano fiscal que se encerra no fim de setembro. Em 2010, a empresa registrou encomendas, em todas as áreas em que atua, de cerca de R$ 5 bilhões, sendo que a área de energia representou 40%.

A venda de turbinas eólicas foi o grande destaque do ano, segundo o diretor de energia da Siemens, Newton Duarte, mas a carteira também foi puxada pelos contratos assinados para fornecimento de transformadores à usina hidrelétrica de Belo Monte e o incremento da venda de equipamentos para distribuidoras de energia. A parte de equipamentos para o setor de distribuição vai ocupar integralmente as novas instalações na fábrica de Jundiaí. Já a parte eólica deverá ter uma nova planta industrial. "A importância do último leilão (que ocorreu em agosto) é que consolidou esse mercado de forma que podemos mostrar para nossa matriz", diz Duarte.

A ideia de instalar uma montadora de turbinas eólicas não é nova, mas ainda não se concretizou e a companhia negocia em que estado deve fazer a instalação. O Nordeste do país tem preferência, pela localização, principalmente o estado do Pernambuco, mas a mão de obra começa a ficar escassa na região, conta Duarte, que também tem apreço pela região do Porto de Açú, do empresário Eike Batista, no norte fluminense. No mais recente leilão de eólica, a Siemens fez pré-contrato para fornecimento de turbinas com capacidade de gerar 200 MW com um grupo estrangeiro, mas Duarte não quis revelar o nome.

Apesar do forte crescimento no Brasil, o país ainda representa apenas entre 2,5% e 3% da atividade mundial da Siemens. Duarte conta que as perspectivas de crescimento são boas, principalmente no setor de energia, em função de grandes projetos de transmissão como das usinas de Belo Monte, Teles Pires e mesmo de usinas como Tapajós e Trombetas, que nem tiveram ainda a parte de geração licitada. A expectativa em torno de projetos de transmissão no Brasil se dá em função da queda das exportações da empresa, que eram antes centradas nesta atividade. Com a apreciação do real, a média de exportação da companhia, que deveria ficar em torno de 40%, é bastante insignificante, segundo Duarte. "Nossos produtos ficaram 30% mais caros do que os chineses para se vender no mercado americano", disse o executivo.

Outra estratégia que a Siemens está buscando no Brasil é vender novas tecnologias na área de geração. Além de placas fotovoltaicas e concentradores solar, a Siemens apresentou à Eletrobras uma turbina chamada "tidal", que usa as forças das correntes dos rios para gerar pequenas quantidades de energia, sem a necessidade de barragens. São como uma espécie de torre eólica, mas cujas hélices ficam dentro da água. Elas poderiam ser colocadas em rios do Amazonas para suprir energia aos brasileiros que ainda não foram conectados sob o programa do governo federal Luz Para Todos. O custo desse tipo de turbina é bastante elevado, ficando em torno de US$ 6 mil por MWh. A Siemens tenta convencer o governo de que esse seria um custo ambiental menor do que ligar comunidades isoladas à geração de óleo diesel.
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