Mercado

Setor portuário sofre com falta de interesse por qualificação

A análise é do presidente do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de Santos e Região, Claudio de Barros Nogueira. O sindicalista acredita isto ocorre principalmente devido ao que chama de “defeitos na legislação”. Segundo ele, atualmente, um ajuda

A Tribuna
07/10/2011 11:37
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A falta de interesse por qualificação aliada a uma legislação equivocada tem gerado despachantes aduaneiros despreparados para atender a demanda do setor portuário. A análise é do presidente do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de Santos e Região, Claudio de Barros Nogueira. 

Para ele, os profissionais querem apenas ganhar, se beneficiar, porém não buscam aprender mais da profissão. Isto faz com que estejam menos preparados para o mercado. “Às vezes chamo o pessoal para oferecer cursos de instrução e pouca gente aparece”. 

O sindicalista acredita isto ocorre principalmente devido ao que chama de “defeitos na legislação”. Segundo ele, atualmente, um ajudante de despachante precisa de apenas dois anos atuando na área para ser promovido a despachante. “Em dois anos eles não aprendem nada”, declarou. 

Na tentativa de começar a reverter esse cenário negativo, Nogueira está em negociação com a Universidade Católica de Santos (UniSantos) para realizar um curso específico, com duração de um ano, voltado a despachantes aduaneiros. A expectativa é que as aulas tenham início em 2012. 

As observações do presidente confirmam o posicionamento do presidente do GrupoMarimex, Antonio Carlos Fonseca Cristiano, durante o 1º Fórum Conheça o Porto. O evento é uma iniciativa de A Tribuna e foi realizado na semana passada no campus Dom David Picão da UniSantos. 

Durante os debates, voltados ao mercado de trabalho, o executivo afirmou que a área de despacho aduaneiro é carente e destacou que “as universidades não formam ninguém”.  

Em entrevista à A Tribuna, ele mencionou que antigamente os despachantes eram doutores e hoje aprendem “na marra”. Segundo ele, essa situação tem feito com que haja uma disputa entre as empresas pelos profissionais mais qualificados. 

“Se eu precisar de um despachante, não vai adiantar colocar um anúncio no jornal. Vou ter que procurar em uma empresa alguém que já esteja preparado. Precisamos de uma instituição que abrace o assunto para formar esses profissionais. Não adianta termos um porto moderno se os profissionais não souberem o que estão fazendo”, observou. 

Cristiano acredita ainda que falta valorização do despachante para que eles se sintam motivados. “Eles precisam saber a importância deles. Tem importador que desacredita nos despachantes”, disse. 

O professor do curso de Gestão em Comércio Exterior e Logística da Unisantos, Cláudio Luiz Rodrigues de Sá, também destacou a falta de interesse dos alunos em buscar cursos de qualificação e atualização para complementar o que é ensinado na universidade. 

De acordo com ele, o curso de gestão oferecido na instituição chega a abordar questões voltadas aos despachantes, porém não são suficientes para formar profissionais. “O foco do curso é gestão em comércio exterior, não é específico para alguma área, como a de despachante. O despachante é apenas parte do processo. O gestor deveria fazer outros cursos paralelos”, explicou. 

No entanto, o professor afirmou que os estudantes não costumam demonstrar interesse pela atividade. E esse comportamento também faz com que as universidades não se motivem a disponibilizar cursos mais específico. “Poucos perguntam. Também acho que há umconjunto de fatores que desestimula, como a falta de tempo e o valor alto desses cursos normalmente feitos apenas em São Paulo. Eles preferem aprender na prática”.
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