Mercado

Queda da gasolina aquece economia dos EUA

Gazeta Mercantil
16/10/2006 00:00
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Washington, 16 de Outubro de 2006 - A queda dos preços da gasolina anima os consumidores norte-americanos a aumentar os seus gastos, fator que poderá neutralizar a desaceleração do setor imobiliário e impulsionar o crescimento da economia. O preço galão (3,785 litros) de gasolina baixou em média cerca de 50 centavos de dólar em setembro, com a queda das cotações do petróleo e a redução da demanda, devido ao fim dos grandes deslocamentos do verão.
Depois dos recordes alcançados no verão, a baixa da commodity reanima os norte-americanos, deprimidos pela redução do valor das suas habitações. "A queda dos preços da gasolina é equivalente a uma redução de impostos de um pouco menos de US$ 100 milhões, ou 1% da receita disponível, o que vai amortecer o choque provocado pelo setor imobiliário", diz Nariman Behravesh, da Global Insight.

A bolsa, por sua vez, parece estar encantada com as notícias. O índice Dow Jones bateu novas marcas na semana passada e já começou a falar na barreira dos 12 mil pontos. Neste ano, já acumulou alta de 10%. "A confiança se mantém sobre três preços diferentes: os das ações, dos imóveis e os da gasolina", ressalta Ethan Harris, da Lehman Brothers.

"Os consumidores perdem confiança no valor das suas casas, mas a queda dos preços do petróleo mantém outros símbolos da saúde econômica: a queda do preço da gasolina e os novos recordes que a Bolsa vem registrando", acrescentou.

Em conseqüência, a confiança dos consumidores se fortaleceu em outubro, quando subiu para 92,3 pontos, em relação aos 85,4 pontos de setembro, segundo o índice publicado na sexta-feira pela Universidade de Michigan, e isto contribui para estimular o consumo.

As vendas no varejo - excetuando a gasolina - subiram 0,6% em setembro embora tenham retrocedido 0,4% em seu conjunto, devido ao fato de que os postos de gasolina deixaram de ganhar). As lojas de roupa tiveram o seu melhor mês desde outubro de 2005, e o crescimento foi vigoroso também para as casas de artigos esportivos e de entretenimento, shopping centers, cafés e restaurantes. "As famílias continuam a gastar a um ritmo sustentável", salientou o economista independente Joel Naroff, para quem "o consumo pode ser melhor do que muitos haviam previsto no terceiro trimestre".

O banco central havia detectado estas vibrações em seu relatório de conjuntura conhecido como Livro Bege, publicado na quinta-feira, no qual registra "um aumento maior dos gastos com consumo" desde o início de setembro e, como se sabe, o consumo é o principal motor do crescimento dos EUA.

O grande temor dos analistas nestas últimas semanas é que, com a desaceleração do setor imobiliário, o consumo possa ficar contido, precipitando o conjunto da economia para a recessão. Depois da publicação na sexta-feira do relatório detalhado sobre as vendas, os economistas se mostravam mais otimistas. "O crescimento deve superar 3% no quarto trimestre deste ano e no primeiro semestre do próximo", prevê Peter Morice, professor de Economia da Universidade de Maryland.

Outro aspecto positivo da queda do petróleo se refere à inflação: os preços dos produtos importados baixaram 2,1% em setembro, impulsionados pela queda de 10,3% dos preços dos produtos petrolíferos.

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