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Pré-sal traz otimismo à Dedini, que prevê faturar R$ 140 mi

A Dedini, tradicional empresa de bens de capitais na indústria de açúcar e de etanol, está fechando parcerias com empresas estrangeiras para aproveitar a oportunidade de alavancar os ganhos com o mercado de petróleo e gás no Brasil, em funçã

DCI
10/09/2010 07:22
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A Dedini, tradicional empresa de bens de capitais na indústria de açúcar e de etanol, está fechando parcerias com empresas estrangeiras para aproveitar a oportunidade de alavancar os ganhos com o mercado de petróleo e gás no Brasil, em função da megarreserva do pré-sal.
 
 
A meta da empresa é aumentar os ganhos nesse segmento de negócios e manter a participação dessa unidade em 10% de seu faturamento, ao passo que este retorna ao patamar de 2008, ou seja, R$ 140 milhões para este ano e previsão de R$ 200 milhões para 2011 com o mercado petrolífero.
 
 
Esse movimento faz parte da mudança implementada pela empresa para reduzir sua dependência do setor sucroalcoleiro, que chegou a responder por 85% dos resultados e que deverá ficar em até 50% do total.
 
 
Segundo o diretor presidente da Dedini, Sérgio Leme, a companhia está focada no desenvolvimento de novos equipamentos em seu portfólio para entrar com mais força no segmento de processos de refinaria. "Estamos trabalhando na finalização de acordos com estrangeiras porque não precisamos reinventar a roda para trabalhar neste mercado", comentou ele. "Esperamos dois ou três acordos cujos termos estão em fase final de negociação", afirmou, sem revelar o nome das empresas com que a Dedini deverá fechar parceria.
 
 
Para dar suporte a essa estratégia, a companhia também investiu R$ 300 milhões nos últimos cinco anos para aumentar o desempenho de suas fábricas. Esse aporte não se destinou a atender apenas o setor de petróleo e gás, mas também os demais setores de atuação, como cervejeiro, equipamentos de geração hidráulica e sucroalcooleiro.
 
 
A empresa vem atuando há três anos no setor petrolífero e conta com o fornecimento de 345 equipamentos somente a petroquímicas. O mais recente foi destinado ao Consórcio HDS, que recebeu as duas primeiras unidades de um total de cinco torres e mais onze vasos de pressão, que serão instalados na Refinaria Alberto Pasqualini S.A. (Refap), em Canoas (RS). A fabricação desses equipamentos aconteceu nas unidades da Dedini em Piracicaba e em Sertãozinho, no interior de São Paulo.
 
 
Além da Refap, explicou o executivo, a empresa também está fornecendo para outros seis consórcios de refinarias do Brasil inteiro. Segundo Leme, a empresa também participará das licitações para as refinarias Premium da Petrobras no Ceará e no Maranhão, além da Abreu e Lima, em construção no Estado de Pernambuco.
 
 
Tendência
 
 
Esse movimento de parcerias com empresas estrangeiras para a exploração e produção de petróleo no Brasil vem do fato de que esse mercado está totalmente aberto. Segundo o economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) Rogério de Souza, ainda há estímulo para a indústria nacional, mesmo com a redução para 37% do índice de nacionalização dos equipamentos para a fase exploratória dos campos cedidos para a Petrobras retirar os cinco bilhões de barris, previstos na cessão onerosa para capitalizar a petrolífera.
 
 
"Os fornecedores brasileiros ainda têm o mercado de petróleo e gás aberto para o crescimento, essa redução não deverá desestimular o setor. Acredito que há espaço para as empresas locais e há ainda a possibilidade de associação a companhias internacionais para atender a demanda nacional", afirmou ele.
 
 
Em entrevista sobre a capitalização da Petrobras, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou que na fase exploratória a operação exigirá 37% de percentual mínimo de nacionalização. Na implantação dos projetos, o percentual sobe para o mínimo de 55% e média de 65%. Apesar dessa programação, a decisão preocupou os fornecedores.
 
 
Para Carlos Gaigher, diretor-geral da EagleBurgmann, subsidiária do Grupo Freudenberg que atua em vedação de bombas e compressores para toda a cadeia de petróleo, o índice de nacionalização deveria ser aumentado para algo entre 70% e 80%. Segundo ele, isso aumentaria o interesse da entrada de empresas no Brasil. "O índice de nacionalização em 65% já vai atrair empresas multinacionais para o Brasil, que terá condições de atender plenamente a demanda da Petrobras", afirmou ele. "Assim como a Freudenberg tem como prioridade o Brasil no mercado de óleo e gás, as demais empresas do setor no mundo veem o País como oportunidade de investimentos." Alberto Machado, diretor executivo da Abimaq (entidade que reúne fabricantes de máquinas), disse que sem esse índice à produção a indústria nacional corre o risco de ser desarticulada.
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