Energia Eólica

Polo do Vale do Aço em Minas Gerais focará produção para energia eólica

Diário do Comércio, 04/02
05/02/2016 10:18
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Depois de adequar o parque fabril para atender aos mercados de óleo, gás e naval e ainda fechar 2015 no vermelho, o Arranjo Produtivo Local (APL) de Metalmecânica agora vai ingressar nos segmentos energético e deagronegócio. O foco das empresas do polo, localizado na Região Metropolitana do Vale do Aço, será a fabricação de torres eólicas, acessórios para fixação de turbinas, além de implementos agrícolas. O objetivo é reduzir os impactos da crise econômica nacional sobre o setor e utilizar parte da capacidade ociosa das fábricas da região.

Há cerca de três anos, as empresas do polo de metalmecânica passaram a atender com maior força à demanda do setor de óleo, gás e da indústria naval. A mudança de perfil ocorre em função de menor procura por parte da siderurgia e mineração, setores prioritários até então. “Realmente tivemos uma série de resultados positivos com a fabricação de blocos, principalmente, mas com a crise na Petrobras o projeto foi paralisado e não conseguimos alcançar uma resposta à altura dos nossos objetivos”, afirma o presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Vale do Aço, Carlos Afonso de Carvalho.

Os resultados não corresponderam às expectativas e a retração média no faturamento das empresas do APL chegou a 40% em 2015 frente a 2014. A demanda está tão baixa que a capacidade ociosa do setor está entre 50% e 60%, segundo projeções do sindicato. Diante do cenário, o sindicato agora tenta estimular uma nova mudança de enfoque das empresas. É uma tentativa de sobrevivência até que os demais setores antes atendidos pelo polo voltem a demandar na proporção anterior.

No caso do setor energético, a aposta é nas eólicas. Diante da necessidade de ampliar o parque de geração de energia, o governo tem estimulado a implantação de parques eólicos no País. A estimativa da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), é que o setor eólico deverá atrair US$ 16 bilhões até 2017.

Para pegar uma carona nesses aportes previstos, algumas empresas do Vale do Aço já estão fechando parcerias com grupos europeus para atender a esse mercado. O Sindimiva está organizando um evento, que deverá ter palestras e rodadas de negócios, para instruir os empresários que pretendem seguir a mesma tendência, ainda sem data marcada.

Agronegócio ­ Da mesma forma, como a agroindústria está indo bem, os empresários do Vale do Aço também deverão apostar na fabricação de implementos agrícolas. A atuação nos dois mercados deverá ajudar a reduzir os impactos da crise econômica sobre o setor. Mas não deverá anular por completo os efeitos negativos. Tanto que, para Carvalho, deverá ocorrer uma retração de 10% sobre o faturamento do setor neste ano.

A mudança de alvo não obriga as empresas a passarem por reformulações muito profundas. “Já temos o parque industrial preparado. E como há uma capacidade ociosa expressiva, não haverá necessidade de mudar muita coisa. Apenas fechar os contratos”, afirma.

Essa ação do setor metalmecânica é uma das propostas da Agenda de Convergência do Vale do Aço, proposta pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). “A situação do setor foi uma das coisas que debatemos em reunião nesta semana. Outra questão que já conseguimos viabilizar é o centro de tecnologia de solda no Senai de Ipatinga, que era uma necessidade antiga do setor”, afirma o presidente da regional Vale do Aço da Fiemg, Luciano Araújo.

Segundo ele, muitas questões prioritárias para a região estão começando a ser viabilizadas em diversas áreas como saúde, educação e infraestrutura. “A nossa ideia é implementar esse projeto nas dez regionais da Fiemg no Estado. A proposta é pautar as ações prioritárias para a região de modo a nortear os trabalhos do governo”, afirma.

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