Mercado

Petróleo cai 14% e sinaliza tendência média de US$ 60

Valor Econômico
25/09/2006 00:00
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O preço do barril de petróleo acentuou sua trajetória de queda no mercado global e completou sua quinta semana em baixa. A redução é tão significativa que a commodity despencou 14% na Bolsa de Londres entre os dias 1 e 22 de setembro deste ano. Já na Bolsa Mercantil de Nova York, no mesmo período, o insumo acumulou queda de 13,82%.

O resultado foi que, após meses, o petróleo voltou ao patamar dos US$ 60 por barril. Em Londres, a commodity fechou a US$ 60,41 na última sexta-feira, queda de US$ 0,93. Já em Nova York foi negociada a US$ 60,55, US$ 1,04 menor.

Essa redução, portanto, refletiu o aumento dos estoques nos Estados Unidos e a diminuição da tensão em relação ao Irã. O humor melhorou junto aos negociadores da commodity, após as declarações do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, de que está disposto a negociar uma suspensão do programa nuclear do país. Além disso, o Departamento de Energia americano deu outro empurrão ao informar que as reservas de destilados no país atingiram na semana passada seu nível mais alto desde 1999.

"Essa é a tendência. A queda nos preços só será interrompida se acontecer algo excepcional na político de algum produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) ou algum ataque terrorista", afirma Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE).

Tanto é assim que Adriano Pires não hesita em apontar que o preço médio do barril fechará 2006 perto dos US$ 68. Queda significativa, na opinião do diretor da CBIE, só no ano que vem, quando acredita em valores médios ao redor dos US$ 60.

O mercado de uma forma geral se apóia em uma futura redução de preços, porque a economia mundial dá sinais de que não repetirá os fortes incrementos vistos nos últimos anos. Além disso, espera-se um aumento importante da diferença que separa a oferta e a demanda pelo insumo.

Neste ano, por exemplo, a diferença entre oferta e demanda tem girado ao redor de 1 milhão de barris por dia. E as estimativas são claras de que esta diferença deverá subir para 3 milhões de barris por dia.

Mesmo as boas notícias não animam o diretor do Departamento de Infra-Estrutura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Eduardo Spalding. "Há uma exaustão gradual da capacidade de incremento de produção por parte dos países-membros da Opep. E isso resultará em uma situação alternada de volatilidade nos próximos anos ", diz Spalding.

O diretor da Fiesp também afirma que não imagina uma volta do preço do petróleo a patamares baixos. Isso, porque o consumo do insumo vai continuar aumentando no mundo e as reservas deverão assumir uma trajetória de queda. "Essa redução é sazonal", afirma Spalding.

O diretor da CBIE tem uma visão distinta. Para ele, há razões estruturais que apontam na direção de uma queda de preço. Além das menores taxas de crescimento da economia, ele avalia que as novas descobertas no Golfo do México e o anúncio de que a Rússia produzirá na mesma quantidade que a Arábia Saudita definem o quadro.

Mas os analistas alertam para o fator Opep. Muitos acreditam que a entidade não deixará o preço voltar a disparar, porque isso viabilizaria fontes de energia alternativas, como biodiesel.

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