Mercado

Petróleo acumula queda de 12% em apenas dois dias

Valor Econômico/ag.
03/12/2004 00:00
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Os preços do petróleo caíram mais de US$ 2 nesta quinta-feira (02/12), pela segunda sessão consecutiva, depois de dados mostrarem o aumento acima do esperado dos estoques de derivados dos Estados Unidos.
Depois de recuar US$ 3,64 na quarta-feira - a maior queda diária desde setembro de 2001 - o contrato do tipo WTI, negociado em Nova York para entrega em janeiro, caiu mais US$ 2,24 e fechou em US$ 43,25 o barril. A queda acumulada nos dois últimos pregões é de 11,96%. Na mínima do dia, o contrato foi cotado a US$ 42,50 - o menor patamar em três meses.
Em Londres, o petróleo tipo Brent fechou em queda de US$ 2,16, cotado a US$ 40,15. Durante o pregão, o barril ficou abaixo dos US$ 40 pela primeira vez desde o início de setembro. Na mínima do dia, o contrato de janeiro chegou a US$ 39,50 o barril. O Brent serve de referência para os custos da Petrobras e acumula queda, em dois dias, de 11,7%.
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) informou ontem que autorizará seus membros a continuarem a produzir acima de suas cotas no primeiro trimestre do próximo ano se os preços do petróleo continuarem altos. A Opep deve se reunir no Cairo na próxima sexta-feira para decidir sua política de produção para o primeiro trimestre.
"Acredito que iremos tolerar uma produção maior pois os preços estão ainda muito altos", disse Purnomo Yusgiantoro, presidente do cartel. "Nós permitiremos que os membros da Opep produzam mais".
Alguns membros disseram que não há necessidade de frear a alta produção atual do cartel, que encontra-se no maior nível em 25 anos, mas o Irã disse que o grupo deve reduzi-la para evitar acúmulo de estoque no inverno.
Os 10 membros da Opep, com exceção do Iraque, produziram aproximadamente 27,9 milhões de barris de petróleo por dia (bpd) em outubro, 900 mil bpd acima do teto permitido pela própria organização, que passou a valer em 1º de novembro.
A Nigéria e Argélia, membros do cartel, disseram ambos que o grupo deve deixar as atuais cotas de produção inalteradas no encontro de dezembro.
O representante da Opep na Indonésia, Maizan Rashman, disse que seu país não apoiaria qualquer redução nas cotas. O único membro da Opep na Ásia produz menos que sua cota e chegou a ser algumas vezes importador neste ano.
Questionado se ele apoiaria a redução da cota, Rashman disse que "não, pois a Indonésia está sofrendo com os altos preços".
Purnomo também confirmou que deixará o cargo de secretário-geral do cartel no fim deste ano, quando acaba seu mandato.
A Opep não conseguiu chegar a um acordo sobre quem assumirá o posto, anteriormente ocupado por Alvaro Silva, cujo mandato terminou no fim de 2003.

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