Negócios

Petroleiras assumem 8,3% da moagem de cana

Valor Econômico
14/03/2011 09:48
Visualizações: 642
Agroenergia: Com a compra da CNAA, BP terá mais 4 milhões de toneladas, mas o objetivo é atingir 12 milhões


As companhias produtoras de petróleo continuam a avançar no segmento sucroalcooleiro do Brasil. Juntas, Shell, Petrobras e BP - que anunciou na sexta-feira a compra de 83% da CNAA (Companhia Nacional de Açúcar e Álcool) - já somam capacidade para moer cerca de 50 milhões de toneladas de cana, sem contar os planos de ampliação em curso.


O volume representa 8,3% do processamento de cana previsto para a temporada 2011/12, que deverá repetir as 600 milhões de toneladas da safra anterior - quando a participação das petroleiras ficou em torno de 7,5%, já considerando a entrada da Shell na Cosan, cujo acordo foi finalizado apenas em fevereiro deste ano.


A BP entrou efetivamente em biocombustíveis no Brasil em 2008 com a compra de 50% da usina Tropical, de Edeia (GO), atualmente com moagem de 2,5 milhões de toneladas de cana. A duplicação está em negociação com os outros sócios, a Brasil Ecodiesel e a Louis Dreyfus, cada uma com 25%.


O acordo de compra da CNAA vai elevar de imediato a participação da BP no segmento de 1,2 milhão de toneladas de cana para 5,2 milhões. O plano, segundo Mário Lindenhayn, presidente da BP Biofuels no Brasil, é elevar para 15 milhões de toneladas a capacidade de moagem das três usinas da CNAA, duas já em operação em Goiás e Minas Gerais e um greenfield. Isso sem contar a quarta área já adquirida pela CNAA no mesmo cluster e que é alvo de estudo para construção de mais uma usina.


Para comprar os 83% da CNAA, a BP vai desembolsar no total US$ 680 milhões a um pool de fundos de investimento, entre os principais o Riverstone e o Goldman Sachs. Parte desse montante virá como assunção de dívidas, que serão alongadas. Esse valor não foi informado, mas balanço da CNAA mostra que as dívidas com bancos estavam em R$ 611 milhões em 2009.


Em entrevista ao Valor, Lindenhayn não falou de metas ou investimentos futuros. Mas avisou que a empresa será um dos players mais relevantes do Brasil no setor. "Relevante significa algo superior a 50 milhões de toneladas", disse.


Mas, atualmente, quem segue à frente entre as petroleiras é mesmo a anglo-holandesa. Com 49% do negócio sucroalcooleiro da Cosan, o equivalente a uma capacidade de processamento de 30 milhões de toneladas de cana, a Shell e sua parceira na Raízen vem com dinheiro no bolso para sair dos 62 milhões de toneladas de capacidade de moagem de cana para 100 milhões de toneladas nos próximos anos, o que elevaria o domínio da Shell para algo próximo de 50 milhões de toneladas de capacidade.


A Petrobras tem três sócias diferentes vindas originalmente do setor. A usina Total, de Bambuí (MG), que está em fase de duplicação para 2 milhões a 3 milhões de toneladas de moagem. Também a Guarani, com cerca de 20 milhões de toneladas e da qual a estatal acordou a participação de 45% após um ciclo de investimentos em curso. E a Nova Fronteira, no Centro-Oeste, com o grupo São Martinho, projeto que tem apenas 2,5 milhões de toneladas de capacidade efetiva, mas com projeto para crescer, somente com a atual usina (Boa Vista), para 7 milhões de toneladas.


O apetite das petroleiras - e de outras multinacionais - pela bioenergia está dado e promete elevar as disputas por usinas nos próximos meses. O mercado estima que no final das contas, a compra da CNAA tenha saído por valores entre US$ 120 milhões e US$ 130 milhões por tonelada de cana de capacidade instalada. "Quem achar que o valor foi alto deve se surpreender, pois a tendência é que os preços dos ativos subam. As gigantes já passaram pela fase de digestão de ativos e virão de boca aberta para a briga", diz um especialista em fusões no setor.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
Energy Summit
Energy Summit 2026: arena Diálogos da Transição debate p...
26/06/26
Biometano
CGOB: ANP inicia participação social sobre Informe Técnico
26/06/26
Petrobras
Lubnor, referência em asfaltos e produtos especiais come...
25/06/26
Combustíveis
Painel dinâmico da ANP mostra dados de comercialização d...
25/06/26
Combustíveis
Aumento da mistura de etanol na gasolina fortalece produ...
25/06/26
Energy Summit
Lemon Energia recebe Ouro em Sustentabilidade no Energy ...
25/06/26
Pré-Sal
Campo de Búzios supera próprio recorde e produz 1 milhão...
25/06/26
Energy Summit
ABDI destaca redução no tempo de contratação em compras ...
24/06/26
Energy Summit
Binatural conquista Energy Summit Awards e reforça prota...
24/06/26
Energy Summit
Tauil & Chequer | Mayer Brown reúne representantes da AN...
23/06/26
Internacional
Petrobras e Pemex firmam parceria para cooperação em E&P
23/06/26
Fenasucro
Pela primeira vez, Brasil recebe congresso latino-americ...
23/06/26
Energy Summit
Com quatro prêmios, ENGIE é destaque no Energy Summit Awards
23/06/26
Combustíveis
Distribuidoras de combustíveis cobram avanço imediato do...
23/06/26
Energy Summit
Energy Summit 2026: Tecnologias da Embrapii fortalecem a...
22/06/26
Energy Summit
Biodiesel e combustíveis renováveis entram no centro da ...
22/06/26
Gás Natural
ANP prorroga consulta pública sobre cálculo do Método do...
22/06/26
Rio de Janeiro
Anuário do Petróleo no Rio, da Firjan, destaca que recor...
22/06/26
Biometano
Com mercado cinco vezes maior desde 2020, setor de biome...
22/06/26
Petrobras
Com investimento estimado de US$ 1,2 bilhão, Petrobras a...
22/06/26
Combustíveis
Etanol fecha a semana em recuperação e mostra sinais de ...
22/06/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.