Investimentos

Petrobras pisa fundo

Valor Econômico
11/08/2010 09:55
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O balanço que será divulgado na sexta-feira pela Petrobras deve mostrar que a estatal não tirou o pé do acelerador em relação aos investimentos no segundo trimestre, apesar de ter sido obrigada a adiar o projeto de capitalização para setembro.


Dados de execução orçamentária do Ministério do Planejamento mostram que a estatal investiu R$ 34,8 bilhões de janeiro a junho, de um total de R$ 37,9 bilhões do conjunto das empresas federais. Isso representa um crescimento de 30% sobre os desembolsos da Petrobras no mesmo período de 2009 e é mais do que a petroleira investiu em todo o ano de 2007. Quando divulgou o balanço do primeiro trimestre, a Petrobras informou ter investido R$ 17,7 bilhões.


O dispêndio total aprovado para este ano é de R$ 88,5 bilhões, o que significa que a empresa terá que acelerar ainda mais os gastos no segundo semestre. Se mantivesse o mesmo ritmo do ano passado, quando o primeiro semestre representou 43% dos investimentos, as despesas de capital da estatal chegariam a R$ 80,9 bilhões em 2010.


O único problema em relação a esse plano bilionário de investimento é que ele supera em muito a geração de caixa operacional da companhia, que também já está próxima do limite de endividamento considerado confortável.


Para tentar resolver essa questão, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, e o diretor financeiro, Almir Barbassa, estão desde a semana passada em um périplo pela Europa e Ásia para apresentar a empresa e visitar dirigentes de fundos soberanos que possam participar do processo de capitalização da companhia.


Eles são esperados no Brasil na sexta-feira para uma reunião do conselho de administração que vai aprovar os resultados do segundo trimestre. A empresa não informa se os executivos foram explicar detalhes do processo de capitalização ou tentar captar recursos para o caixa. O fato é que nesta véspera de capitalização a Petrobras está sob grande pressão e precisa de dinheiro para fazer frente a seu plano bilionário de investimentos, de US$ 224 bilhões até 2014.


O evento mais importante deste ano é a capitalização, que na agenda está marcada para o mês que vem. Apesar da proximidade daquela que pode ser a maior oferta pública de ações do mundo, ainda existem várias pendências para ser resolvidas entre a estatal e o governo sobre todo o processo, que já dura quase um ano desde o anúncio.


Além de um laudo da consultoria Gaffney, Cline & Associates, contratada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que vai sugerir o preço do barril considerando o tamanho das reservas, produtividade e custos de exploração do petróleo que está na camada pré-sal, ainda não se sabe quais reservatórios serão cedidos pela União no processo de cessão onerosa.


As últimas declarações de dirigentes da agência reguladora - que está representando a União e usando a Petrobras como prestadora de serviços para encontrar óleo no pré-sal de Santos - informam que os reservatórios apelidados de Franco e Libra farão parte do contrato. Mas ainda não se sabe com certeza os volumes de petróleo em cada um deles, apesar das previsões de que abrigam reservas potenciais de 4,5 bilhões e 5 bilhões de barris, respectivamente.


Sem garantia dos volumes, que dificilmente se consegue obter perfurando apenas um poço, como é o caso das duas áreas, a Petrobras negocia outras opções em Brasília. Poderá ser cedido parte do petróleo que está em reservatórios já encontrados pela Petrobras e seus sócios e que se estendem para fora da área concedida. São as áreas "unitizáveis" que ficam nas concessões de Tupi, Guará e Iara. A "unitização" ocorre para se evitar que, por meio de um poço de um bloco já concedido, se retire o óleo de uma região que ainda não foi objeto de concessão ou que está sendo explorada por outra empresa. Também é objeto de negociação o conteúdo nacional dos equipamentos.


Outro ponto nevrálgico é o preço dos 5 bilhões de barris de petróleo que serão cedidos onerosamente pela União à Petrobras e que servirão de referência para a participação do governo no processo de capitalização.


O preço, portanto, é um ponto fundamental para se saber o tamanho da operação e com que apetite os atuais acionistas vão participar da oferta. A tendência é que o governo aumente sua participação no capital da Petrobras se os acionistas privados não aumentarem sua participação.


Já existem temores de que se estabeleça um preço mais alto, na faixa de US$ 7 a US$ 8 por barril, valor que é superior ao preço "justo" estimado pelo mercado, que é de US$ 5 a US$ 6 por barril. Haroldo Lima, diretor-geral da ANP, defende um valor maior. Ele é um dos únicos que fala atualmente sobre o assunto, durante o período de silêncio pré-oferta da Petrobras. Lima defende um preço maior e torce para o governo aumentar sua fatia na estatal, que hoje é de 32% considerando-se as ações ordinárias e preferenciais.


Naturalmente, o governo, que é o vendedor na operação, tende a defender um preço maior para os barris. Do outro lado, para a Petrobras e seus acionistas privados, quanto mais barato melhor.


No conjunto de perguntas ainda sem respostas sobre o futuro da Petrobras está a questão envolvendo a prioridade que será dada aos diversos projetos que ela tem no pré-sal, como Tupi, Guará, Iara e Bem-Te-Vi, só para citar alguns dos 11 blocos com reservatórios encontrados.


Os US$ 224 bilhões de investimentos previstos até 2014 destinam apenas US$ 33 bilhões para o pré-sal. E não está claro ainda se os 5 bilhões de barris da cessão onerosa terão algum tipo de "prioridade" no desenvolvimento em detrimento dos outros.


Esses barris são mais baratos porque sobre sua produção não vai incidir a Participação Especial (PE) cobrada pelo setor público, que em campos gigantes pode chegar a até 40% da receita líquida do projeto.
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