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Petrobras incentiva especialização naval

<P>O programa de contratação de barcos de apoio offshore da Petrobras, que encomendará 146 unidades por cerca de US$ 5 bilhões em seis anos, abriu um ciclo de investimento em novos estaleiros especializados. Tanto o Grupo Wilson, Sons quanto o Grupo Fischer estudam a construção de um segundo e...

Jornal do Commercio
08/06/2008 21:00
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O programa de contratação de barcos de apoio offshore da Petrobras, que encomendará 146 unidades por cerca de US$ 5 bilhões em seis anos, abriu um ciclo de investimento em novos estaleiros especializados. Tanto o Grupo Wilson, Sons quanto o Grupo Fischer estudam a construção de um segundo estaleiro, decisão a ser tomada nos próximos meses. Já o Aker Promar, que investiu recentemente R$ 13 milhões na ampliação da unidade de Niterói (RJ), ganha novo alento para dar seqüência ao plano de construção de um novo estaleiro, em Barra do Furado (RJ).

De imediato, o programa da Petrobras colocou na praça uma licitação para contratação de 24 barcos de apoio. A concorrência se dá entre armadores, convidados em maio por carta-convite. Eles apresentarão, no final de julho, envelope com proposta de preço pelo afretamento de seus barcos, que serão necessariamente construídos no Brasil. Ganham os armadores que oferecerem menor custo pelo afretamento. O resultado é aguardado para o final de setembro. Pelo menos 15 armadores devem entrar na disputa, indicando os estaleiros em que construirão as unidades.

O presidente do Aker Promar, Miro Arantes Filho, afirma que, até agora, 12 armadores consultaram seu estaleiro, dos quais quatro ainda não operam no mercado nacional. Segundo ele, a empresa estava com uma postura cautelosa sobre a construção da unidade de Barra do Furado, resultado do desaquecimento do mercado de barco de apoio no ano passado. Com o recente anúncio das encomendas da Petrobras, o projeto de US$ 70 milhões, divulgado em maio de 2006, ganha novo fôlego, com perspectivas de início das obras no final deste ano.

O programa da Petrobras propicia aos empresários da área naval desenvolver projetos mais duradouros de investimento, explica o executivo, acrescentando que a construção da unidade de Barra do Furado depende apenas de acertos de áreas do Serviço de Patrimônio da União (SPU) e de obras de dragagem dos canais de acesso ao estaleiro, o que deverá ocorrer dentro de dois a três meses. Já em Niterói, investimentos na aquisição de um guindaste de 250 toneladas, na reforma da área de cais e na compra de máquinas de solda.

Já o estaleiro do Grupo Wilson, Sons, localizado no Guarujá (SP), tem capacidade para construir parte desta primeira etapa de encomendas da Petrobras. No médio prazo, contudo, a empresa precisará de maior capacidade de construção para atender a seqüência de encomendas da estatal. Já tínhamos em mente a necessidade de expandir o estaleiro desde o final do ano passado, já que temos uma área limitada de 22 mil metros quadrados. A encomenda reforçou essa visão, afirma Arnaldo Calbucci, diretor de rebocadores, offshore e estaleiro do grupo.

A empresa trabalha com duas possibilidades de expansão: a construção de um estaleiro em outro estado - o que exclui São Paulo, onde está a atual unidade - ou a aquisição e incorporação de áreas próximas ao estaleiro do Guarujá. O Conselho de Administração do Grupo Wilson, Sons aprovou a realização de estudos para as duas opções. O diretor prefere não entrar em detalhes, contudo, sobre terrenos e estados que estão sendo avaliados neste momento, mas frisa que as regiões Sul e Sudeste têm pólos importantes no setor.

Trata-se de uma decisão a ser tomada nos próximos dois a três meses, quando os estudos serão encaminhados ao Conselho. Se optarmos pela construção de um novo estaleiro, ele terá porte superior ao atual, acrescenta o executivo, lembrando que a unidade do Guarujá tem atualmente em carteira quatro barcos de apoio do tipo PSVs (Platform Supply Vessels) e 12 rebocadores portuários, o que ocupa toda a capacidade de construção do estaleiro até o próximo ano. Em 2009, teremos nova folga para construção dos barcos dessa primeira licitação da Petrobras.

Já o grupo Fischer, proprietário do Estaleiro Aliança, localizado em Niterói, está em busca de áreas na Baía de Guanabara para a possível construção de um novo estaleiro. Uma alternativa estudada pela empresa é a compra de terrenos em Itaboraí ou São Gonçalo, região Metropolitana do Rio de Janeiro, locais que serviriam para a pré-fabricação de blocos dos barcos de apoio. Nessa solução, os blocos seriam transportados até a atual unidade para posterior montagem, explica o presidente do Aliança, Luiz Maurício Portela.

Estamos atualmente fazendo análises do ponto de vista de produtividade e custos. Imaginamos que podemos participar (da licitação de barcos de apoio da Petrobras) com capacidade maior e, para isso, temos que aumentar nossa área de produção, explica Portela, acrescentando, por outro lado, que a empresa encontra dificuldades na procura por áreas. Os terrenos estão muito valorizados, seja pela própria atividade naval na Baía de Guanabara ou pela construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

O Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval) enviou recentemente carta à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmando que os estaleiros instalados no País tem plenas condições de atender à demanda por 146 barcos de apoio da Petrobras. Segundo a Petrobras, cada unidade encomendada deverá gerar cerca de 500 postos de trabalho e seu conjunto, em operação, demandará 3.800 tripulantes. A meta de conteúdo nacional estabelecido ficou na faixa de 70% a 80%.

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