E&P

Petrobras e Repsol fecham parceria no gás

Valor Econômico
24/02/2005 00:00
Visualizações: 1181

A Petrobras está negociando a formação de uma parceria com a espanhola Repsol com o objetivo de compartilhar os investimentos necessários para o desenvolvimento da produção do campo de gás de Mexilhão, na bacia de Santos (SP), o maior do país, com reservas estimadas em 419 bilhões de metros cúbicos de gás natural, a maior descoberta já feita no país. O acordo para formar a parceria foi assinado em janeiro e vinha sendo guardado a sete chaves.
O Valor procurou a direção da Petrobras e da Repsol no Brasil, mas os executivos não quiseram se pronunciar. A possibilidade de uma multinacional no projeto está irritando a área mais nacionalista da estatal brasileira que considera um equívoco entregar agora a um parceiro estrangeiro um campo no qual estima-se que já foram investidos cerca de US$ 300 milhões e sobre o qual a Petrobras detém 100% dos direitos exploratórios.
Segundo avaliação de técnicos da Petrobras, somente com o aluguel de equipamentos de perfuração a estatal já gastou cerca de US$ 285 milhões na área. A previsão de investimentos é estimada entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões, dependendo da tecnologia a ser utilizada, e que segundo a área nacionalista poderiam ser perfeitamente financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou com recursos oriundos da securitização de recebíveis da estatal.
Uma fonte que defende a associação lembra que a Petrobras não tem dinheiro para desenvolver a produção de 4 bilhões de barris de óleo equivalente de gás descobertos nos últimos anos. Está prevista para hoje a realização de um seminário fechado na sede da Petrobras para a apresentação dos dados sobre o campo à Repsol. Só depois os espanhóis vão definir seu percentual de participação.
Nesse seminário seriam apresentados dados considerados estratégicos sobre a geologia dos reservatórios, mas devido às pressões essa parte ficará de fora do seminário, o que foi interpretado pelos nacionalistas como uma pequena vitória. A retirada teria ocorrido após conversas de parlamentares do PT com dirigentes da Petrobras sobre os riscos de abrir a uma empresa concorrente detalhes tecnológicos.
A ordem para que a área de exploração e produção da Petrobras apressasse o início da exploração do campo teria vindo de Brasília. A escolha da Repsol também. Isso porque uma ala do governo teria considerado como manifestação de desinteresse da estatal brasileira o fato desses investimentos não estarem previstos no Plano Estratégico quatro anos após o primeiro furo na área. Apenas em 2003 ela informou ao mercado a descoberta de um campo gigante na área. A formação de parceria para tornar mais ágil o desenvolvimento do campo gigante, objetiva corrigir uma falha política no planejamento anterior, que previa o início da produção de gás em Santos para 2009/2010. Mas até lá o mandato do presidente Lula estará no final, já considerando a hipótese de sua reeleição em 2006. Agora, o objetivo é antecipar para pelo menos 2008.
Além da Repsol outras multinacionais de petróleo teriam se oferecido para fazer parceria em Mexilhão, como a britânica BG e a norueguesa Statoil. Segundo informações obtidas pelo Valor, a opção pelos espanhóis teve dois motivos: primeiro, o fato de as duas empresas já terem parcerias importantes em outros projetos na América Latina, o que permitirá uma "complementaridade" de investimentos. Em segundo, porque as empresas que manifestaram interesse já teriam sinalizado com projetos de exportação de gás natural liquefeito (GNL). Além de exigir investimentos maiores, isso transformaria o Brasil em uma plataforma de exportação de gás, o que não interessa ao governo brasileiro, que ainda desenha um modelo para o setor de gás e planeja expandir a presença desse insumo na matriz energética do país.
O campo de Mexilhão, quando tiver sua produção contratada, irá triplicar as reservas brasileiras de gás natural e será uma opção complementar ao gás boliviano para o abastecimento da região Sudeste. O campo foi encontrado no bloco exploratório BS-400, no qual a Petrobras já perfurou quatro poços para avaliar as dimensões de reservatório. Outros quatro poços foram perfurados no bloco limítrofe (BS-500) para delimitar as descobertas de petróleo e de gás no local.
A Petrobras e a Repsol já são sócias no Brasil, Argentina e Bolívia, onde as duas empresas dividem com a francesa Total a propriedade dos campos de San Alberto e San Antonio. A parceria se fortaleceu em dezembro de 2000, com a conclusão de uma troca de ativos no Brasil e Argentina, no qual a Petrobras adquiriu a rede de postos Eg3 e cedeu, como contrapartida, 30% da Refap, 10% do campo de Albacora Leste e 243 postos da BR.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Petrobras
US$450 milhões serão investidos no maior projeto de moni...
14/04/26
Combustíveis
Etanol gera economia superior a R$ 2,5 bilhões em março ...
14/04/26
Espírito Santo
Próximo pico da produção de petróleo no ES será em 2027
14/04/26
ANP
Oferta Permanente de Concessão (OPC): edital com inclusã...
14/04/26
Refino
Honeywell impulsiona primeiro projeto de Etanol-to-Jet (...
14/04/26
Cana Summit
Diesel sob pressão no campo acelera corrida por novas fo...
14/04/26
Pessoas
Eduardo Beser é o novo diretor-geral de Operações no Bra...
13/04/26
Evento
Promoção da Infis, 4º Seminário Tributação em Óleo e Gás...
13/04/26
Investimento
Camorim investe R$ 52 mi na construção de uma das maiore...
13/04/26
Bacia de Campos
Nova descoberta de hidrocarbonetos em águas profundas no...
13/04/26
BOGE 2026
Maior encontro de petróleo e gás do Norte e Nordeste es...
10/04/26
ANP
Fiscalização: aprovada consulta pública para revisão de ...
10/04/26
ANP
Reservas provadas de petróleo no Brasil cresceram 3,84% ...
10/04/26
Bacia de Campos
Petrobras retoma 100% de participação no campo de Tartar...
10/04/26
Oportunidade
Por que formar profissionais para funções críticas se to...
09/04/26
Energias Renováveis
Crise energética global impulsiona protagonismo do Brasi...
09/04/26
Pessoas
Alcoa e Posidonia reforçam avanços na equidade de gênero...
08/04/26
Evento
Fórum nacional debate expansão do biogás e do biometano ...
08/04/26
Curso
Firjan SENAI e Foresea assinam parceria para oferecer cu...
08/04/26
Posicionamento IBP
Taxação de 12% na MP1340 gera sobreposição tributária e ...
08/04/26
iBEM26
Entrevista exclusiva: Rosatom mira o Brasil e reforça pr...
07/04/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23