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Petra Energia começa a procurar gás em Minas Gerais

Valor Econômico
03/06/2011 09:53
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Petroleira novata surgida no rastro da febre pelo petróleo brasileiro em terra, a Petra Energia prepara para julho o início da exploração da bacia do São Francisco, em Minas Gerais. Controlada pelo empresário pernambucano Roberto Viana, com pequena participação de 9% do BTG Pactual, a Petra tem a concessão para explorar 24 blocos em Minas. Ela tem a maior área de exploração em bacias terrestres do país e, em Minas, tem área exploratória maior que de todas as concorrentes. O Estado também é o único local onde a empresa, que é sócia da OGX no Maranhão e da HRT no Solimões, não abriu espaço para novos sócios. No momento negocia com a russa TNK-BP uma quantia bilionária por sua participação acionária nos blocos operados pela HRT na Amazônia.
 
 
A Petra prevê investimentos de cerca de R$ 970 milhões em Minas até 2013. Serão R$ 160 milhões este ano, sendo uma parte na perfuração do primeiro poço, em junho, perto da cidade de Corinto. O resultado deve ser conhecido em agosto.
 

Na companhia, o que se diz é que a bacia do São Francisco "corre o risco de se tornar a bacia número um em terra no Brasil". Para isso, será necessário encontrar mais reservatórios e confirmar sua viabilidade comercial. Hoje, as maiores produtoras de gás em terra do país são as bacias do Solimões (AM), Recôncavo (BA) e Alagoas (AL).
 

No momento a Petra está fazendo um levantamento sísmico de segunda dimensão (2D) em uma área de 10 mil quilômetros (Km), dos quais 2,3 mil Km já estão prontos. É o maior programa contínuo de levantamento sísmico em terra já feito no país. Depois serão escolhidos os locais onde serão perfurados outros nove poços. Cada um com custo estimado entre US$ 8 milhões e US$ 10 milhões, segundo a empresa. Em 2012 deverão ser mais dois ou três poços, explica Lúcio Prevatti, geólogo sênior da Petra com passagem pela Shell.
 

"O que é muito promissor para essa bacia é que depois de vinte anos sem nenhuma atividade foram perfurados dois poços com descoberta de gás", ressalta Prevatti, se referindo às descobertas notificadas pela Orteng e Petrobras. em Morada Nova de Minas e Brasilândia de Minas, respectivamente.
 

Com perfil diferente da personalidade performática dos controladores da OGX e da HRT, a Petra é uma companhia de capital fechado que não está sempre na mídia e seu dono, Roberto Viana, é avesso à exposição pública. Tem verdadeiro horror de ser comparado aos novos milionários do setor como Eike Batista e Márcio Mello, da HRT. A companhia buscou no exterior um time de geólogos e geofísicos, a maioria brasileiros com carreira internacional, e Viana prefere que eles sejam a parte mais visível da companhia. Um dos diretores executivos é Read Taylor, ex-presidente da Devon no Brasil e América Latina. Alguns fizeram carreira na Shell, como o diretor-executivo Julian Fowles, ex-executivo da área de exploração e produção; o vice-presidente de exploração, Jonas Castro (ex-Petrobras, ANP e Shell); Antonio Tisi (ex- El Paso e Shell); e o diretor de geofísica, Fernando Neves. O diretor financeiro é Cláudio Sassaki, ex-vice-presidente do Goldman Sachs e Credit Suisse.
 

A Petra contratou a Schlumberger e Halliburton, duas gigantes prestadoras de serviços da indústria, para assessorá-la na exploração das áreas. A sísmica é feita com gigantescos caminhões vibradores da Global Serviços Geofísicos.
 

As áreas da Petra em Minas foram adquiridas na 7ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo (ANP), realizada em 2005, junto com a argentina Oil M&S, que se tornou a segunda maior concessionária do país, em quilometragem das áreas, depois da Petrobras. A companhia foi constituída como STR e adquiriu outros blocos após a desqualificação da empresa Geobrás.
 
 
Com a saída discreta dos argentinos, a STR ficou com tudo e começou a procurar os sócios atuais. Em junho de 2009 começou o processo de parcerias. Para a OGX Maranhão o empresário pernambucano cedeu 70% de sete blocos no Parnaíba (MA) onde a companhia de Eike Batista anunciou a descoberta de "meia Bolívia de gás". No mesmo mês cedeu 51% das 21 áreas no Solimões (AM), fatia que depois aumentou para 55%. Essa primeira venda permitiu a criação da HRT, hoje uma empresa aberta com ações na BM&F Bovespa.
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