Empresas

Para crescer no país, grupo AkzoNobel reorganiza a gestão

Valor Econômico
16/05/2011 10:01
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Apoiado no crescimento da infraestrutura e do setor de construção dos mercados emergentes, o grupo holandês AkzoNobel desenhou metas ambiciosas para esses países e está reestruturando seu comando. A ideia da fabricante global de tintas é ampliar sua participação nos mercados em desenvolvimento por meio de uma maior sinergia entre suas diferentes áreas de negócios.


"Temos que desenhar o que somos nesses países. Para alcançarmos nossa meta, vamos fortalecer a identidade da companhia no mercado brasileiro", disse a Valor o presidente mundial da AkzoNobel, Hans Wijers. No Brasil, a multinacional pretende dobrar seu faturamento até 2015, chegando a R$ 4 bilhões. Em 2010, a subsidiária faturou R$ 2 bilhões, resultado praticamente igual ao de 2009. Com 17 fábricas, a empresa atua nos segmentos de tintas decorativas (imobiliária), revestimentos de alto desempenho (tintas e revestimentos automotivos, industriais, entre outros) e especialidades químicas.


Para atingir a meta, a dona da marca de tintas Coral terá um novo desenho no comando das operações brasileiras. Quem hoje guia os negócios da subsidiária é o também holandês Jaap Kuiper, que acumula a função de diretor executivo da área de tintas decorativas (imobiliárias) da América Latina. Com as mudanças, o executivo receberá um reforço na gestão: os negócios brasileiros da AkzoNobel passarão a contar com um novo presidente, além de novos diretores. A meta de todos será unir todas as dez áreas em que a empresa atua no país sob uma única identidade.


Kuiper, por sua vez, continuará no comando dos negócios de tintas decorativas na América Latina. "Agora, cada país terá seu comando exclusivo. Os brasileiros não conhecem a marca AkzoNobel e queremos mudar isso", afirma Wijers. Segundo ele, antes da reestruturação, os executivos se reportavam para os comandos de cada unidade de negócio. Agora, os presidentes locais da empresa passarão a se reportar à matriz.


Um exemplo do novo posicionamento da companhia estará bem próximo do consumidor. Os galões de tinta da marca Coral, o carro-chefe da empresa no país, passam a levar também a marca da multinacional.


Para crescer organicamente no mercado brasileiro, a AkzoNobel planeja investir uma média de R$ 120 milhões ao ano nos próximos cinco anos. No caso de surgir uma oportunidade de aquisição, novos recursos podem ser direcionados ao país.


Dentro de suas três áreas de atuação, o segmento de especialidades químicas engloba a divisão de papel e celulose Eka Chemicals, cujo último investimento - anunciado no início do ano - é construção de um complexo na fábrica da Eldorado Brasil, em Três Lagoas (MS). Somente a Coral e a Eka representam mais de 50% dos resultados da subsidiária.


No segmento de tintas, a estratégia da empresa envolve o desenvolvimento de produtos sustentáveis e que caibam no bolso do consumidor. "Seria um erro atender somente os setores premium do mercado", afirma Wijers.


A reestruturação dos negócios brasileiros da AkzoNobel representam a continuidade de uma estratégia adotada pela multinacional há cerca de cinco anos. O período foi marcado pelo maior foco da empresa em suas áreas de atuação mais importantes. O grupo se desfez de negócios no segmento farmacêutico e têxtil, por exemplo. Com os recursos das vendas, a multinacional realizou aquisições em segmentos-chave. "Em 2008, somamos mais de € 27 bilhões em transações. 2010 marcou o primeiro ano da aplicação da nova estratégia. Agora estamos felizes com nosso portfólio", destacou Wijers.


Com atuação em mais de 80 países, a AkzoNobel tem 55 mil funcionários, sendo 2,8 mil no Brasil. No ano passado, o faturamento da multinacional somou €14,6 bilhões. Esse valor representou crescimento de 12% frente aos € 13,9 bilhões de 2009.
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