Gás Natural

“Maranhão tem grande potencial para a produção de gás natural”

Entrevista com secretário-geral do IBP.

Estado do Maranhão
08/09/2014 09:50
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Secretário-geral do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis afirma que o estado deverá ser um dos destaques da Rio Oil & Gas Expo and O potencial do Maranhão no novo mapa exploratório brasileiro de petróleo e gás deve ser um dos destaques da Rio Oil & Gas Expo and Conference 2014 que chega à sua 17ª edição com expectativa de receber 55 mil visitantes de todo o mundo no período de 15 a 18 deste mês, no Rio de Janeiro. Um dos principais eventos mundiais da indústria do petróleo e o mais importante realizado pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), a Rio Oil & Gas terá como tema Novo Cenário Geopolítico: Superando os Desafios. Em entrevista exclusiva a O Estado, o secretário-geral do IBP, Milton Costa Filho, funcionário de carreira da Petrobras e engenheiro químico, fala da importância do evento, do Brasil no cenário geopolítico mundial na exploração de petróleo e gás e das potencialidades do Maranhão nessa área.
O Estado – O Brasil vive uma nova fase em sua exploração de petróleo e gás desde o advento do Pré-Sal. O que mudou e quais são as perspectivas de futuro para o setor?
Milton Costa Filho – A descoberta do pré-sal mudou as perspectivas internas e externas em relação ao Brasil e colocou o país em posição de destaque entre aqueles com maior potencial para atrair investimentos na indústria mundial de petróleo e gás. Oito anos após a primeira descoberta, já são mais de 500 mil barris de petróleo produzidos por dia no pré-sal, um óleo leve, de excelente qualidade, e com alto valor comercial. Atualmente, essa produção corresponde a cerca de 20% da produção brasileira e em 2018 deve responder por mais da metade da produção de petróleo do país. Durante a Rio Oil & Gas, teremos uma apresentação do diretor-presidente da Pré-Sal Petróleo S.A (PPSA), Oswaldo Pedrosa Junior, para falar sobre os novos contratos do pré-sal e a consolidação do regime de partilha no Brasil.
O Estado – Como o Brasil se insere hoje no cenário geopolítico mundial na exploração de petróleo e gás?
Milton Costa Filho – Dados recentes da Agência Internacional de Energia (IEA) e que serão apresentados durante a Rio Oil & Gas pelo economista-chefe da agência, Fatih Birol, apontam os Estados Unidos como o maior produtor mundial de gás natural – superando a Rússia – e um dos maiores de petróleo, que em um futuro próximo irá superar a Arábia Saudita. Até 2020, Irã, Noruega, Reino Unido e México enfrentarão queda na capacidade produtiva. Ainda conforme as previsões da IEA, o maior potencial de produção deve se concentrar no Iraque, nos EUA, no Canadá e no Brasil. Graças ao pré-sal, o país se mantém em situação privilegiada. A exploração nas jazidas alçará o Brasil ao patamar de um dos maiores exportadores de petróleo do mundo. A expectativa é de que em 2020 a produção supere a produção de 5 milhões de barris por dia.
O Estado – Quais são os principais desafios e/ou gargalos na sua avaliação que emperram o desenvolvimento do setor?
Milton Costa Filho – Garantir a sustentabilidade do suprimento de energia, a preços competitivos, para viabilizar o crescimento do país, é hoje um dos principais desafios do setor. Por essa razão, o desenvolvimento da indústria exige marcos regulatórios que estimulem a atração de investimentos. No caso das atividades de exploração e produção, a falta de um calendário predeterminado para a realização de leilões é outro desafio. Sem o estímulo dos
leilões, há risco da interrupção nos investimentos na cadeia de fornecedores. Neste caso, a adoção de um calendário de longo prazo, contínuo e transparente de rodadas de licitações permitiria às companhias planejar com antecedência a aplicação de recursos. A regularidade dos leilões e seu reflexo na cadeia produtiva, bem como os desafios do Brasil para as próximas décadas, estão entre os assuntos que serão discutidos na Rio Oil & Gas.
O Estado – O atual modelo de exploração de nossas riquezas minerais é o ideal ou há necessidade de ajustes?
Milton Costa Filho – Os projetos da indústria de energia são intensivos em capital e de longa maturação, razão pela qual requerem planejamento de longo prazo. O mercado (demanda) e a evolução tecnológica influenciam fortemente a indústria e, por isso, o aperfeiçoamento contínuo dos marcos regulatórios é fundamental para o desenvolvimento de uma indústria de energia competitiva e sustentável.
O Estado – Hoje, muitas empresas estão voltadas para a exploração de gás natural como insumo para a produção de energia. Temos como exemplo o empreendimento da Eneva (ex-MPX) no Maranhão, que integrou à produção de gás a produção de energia. Como o senhor avalia esse novo direcionamento da indústria de óleo e gás no país?
Milton Costa Filho – Cada vez mais o Brasil utiliza a geração térmica para ampliar a segurança no suprimento de eletricidade. E dentre as diversas fontes que vêm aumentando a participação na matriz energética brasileira, o gás natural é uma das mais utilizadas, tanto por suas características ambientais (baixas emissões), quanto pela facilidade logística (por ser suprido por gasodutos), além de outras qualidades.
As perspectivas de oferta e demanda de gás natural no Brasil são também um dos assuntos em destaque na conferência da Rio Oil & Gas. O desenvolvimento da produção de gás é uma
grande oportunidade para o país. O Estado – Qual a contribuição das rodadas de licitações
da ANP para o desenvolvimento da indústria de óleo e gás?
Milton Costa Filho – O IBP acredita que as rodadas de licitação para exploração de petróleo e gás ajudam a atrair investimentos e impulsionam o desenvolvimento do país.
Neste processo, a indústria de óleo e gás gera riquezas através da execução das atividades contratadas nas licitações, com a manutenção dos atuais empregos e geração de novos, manutenção do crescimento da indústria, geração de tecnologia e da demanda de bens e serviços. Os certames produzem um ciclo virtuoso para o desenvolvimento brasileiro.
O Estado – Como o senhor avalia o potencial das bacias maranhenses no mapa de petróleo e gás brasileiro?
Milton Costa Filho – O estado do Maranhão desponta, atualmente, como um dos estados com grande potencial para produção de gás natural na margem equatorial. Tal desenvolvimento, contudo, requer a criação de condições mínimas, como mão de obra capacitada, infraestrutura
adequada, licenciamento ambiental criterioso e mapeamento geológico, por parte do governo. A exploração e produção de gás pode vir a ser uma grande oportunidade de desenvolvimento para o estado do Maranhão.
O Estado – Há perspectivas de se encontrar petróleo no Maranhão? Em quais regiões há essa possibilidade?
Milton Costa Filho – Sim! Depende muito do desenvolvimento de atividades de exploração. Se os resultados dos estudos geológicos e da sísmica forem positivos podem levar ao descobrimento de novas reservas.

Secretário-geral do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis afirma que o estado deverá ser um dos destaques da Rio Oil & Gas Expo.

O potencial do Maranhão no novo mapa exploratório brasileiro de petróleo e gás deve ser um dos destaques da Rio Oil & Gas Expo and Conference 2014 que chega à sua 17ª edição com expectativa de receber 55 mil visitantes de todo o mundo no período de 15 a 18 deste mês, no Rio de Janeiro.

Um dos principais eventos mundiais da indústria do petróleo e o mais importante realizado pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), a Rio Oil & Gas terá como tema Novo Cenário Geopolítico: Superando os Desafios. Em entrevista exclusiva a O Estado, o secretário-geral do IBP, Milton Costa Filho, funcionário de carreira da Petrobras e engenheiro químico, fala da importância do evento, do Brasil no cenário geopolítico mundial na exploração de petróleo e gás e das potencialidades do Maranhão nessa área.

O Estado – O Brasil vive uma nova fase em sua exploração de petróleo e gás desde o advento do Pré-Sal. O que mudou e quais são as perspectivas de futuro para o setor?
Milton Costa Filho – A descoberta do pré-sal mudou as perspectivas internas e externas em relação ao Brasil e colocou o país em posição de destaque entre aqueles com maior potencial para atrair investimentos na indústria mundial de petróleo e gás. Oito anos após a primeira descoberta, já são mais de 500 mil barris de petróleo produzidos por dia no pré-sal, um óleo leve, de excelente qualidade, e com alto valor comercial. Atualmente, essa produção corresponde a cerca de 20% da produção brasileira e em 2018 deve responder por mais da metade da produção de petróleo do país. Durante a Rio Oil & Gas, teremos uma apresentação do diretor-presidente da Pré-Sal Petróleo S.A (PPSA), Oswaldo Pedrosa Junior, para falar sobre os novos contratos do pré-sal e a consolidação do regime de partilha no Brasil.


O Estado – Como o Brasil se insere hoje no cenário geopolítico mundial na exploração de petróleo e gás?
Milton Costa Filho – Dados recentes da Agência Internacional de Energia (IEA) e que serão apresentados durante a Rio Oil & Gas pelo economista-chefe da agência, Fatih Birol, apontam os Estados Unidos como o maior produtor mundial de gás natural – superando a Rússia – e um dos maiores de petróleo, que em um futuro próximo irá superar a Arábia Saudita. Até 2020, Irã, Noruega, Reino Unido e México enfrentarão queda na capacidade produtiva. Ainda conforme as previsões da IEA, o maior potencial de produção deve se concentrar no Iraque, nos EUA, no Canadá e no Brasil. Graças ao pré-sal, o país se mantém em situação privilegiada. A exploração nas jazidas alçará o Brasil ao patamar de um dos maiores exportadores de petróleo do mundo. A expectativa é de que em 2020 a produção supere a produção de 5 milhões de barris por dia.


O Estado – Quais são os principais desafios e/ou gargalos na sua avaliação que emperram o desenvolvimento do setor?
Milton Costa Filho – Garantir a sustentabilidade do suprimento de energia, a preços competitivos, para viabilizar o crescimento do país, é hoje um dos principais desafios do setor. Por essa razão, o desenvolvimento da indústria exige marcos regulatórios que estimulem a atração de investimentos. No caso das atividades de exploração e produção, a falta de um calendário predeterminado para a realização de leilões é outro desafio. Sem o estímulo dos leilões, há risco da interrupção nos investimentos na cadeia de fornecedores. Neste caso, a adoção de um calendário de longo prazo, contínuo e transparente de rodadas de licitações permitiria às companhias planejar com antecedência a aplicação de recursos. A regularidade dos leilões e seu reflexo na cadeia produtiva, bem como os desafios do Brasil para as próximas décadas, estão entre os assuntos que serão discutidos na Rio Oil & Gas.

O Estado – O atual modelo de exploração de nossas riquezas minerais é o ideal ou há necessidade de ajustes?

Milton Costa Filho – Os projetos da indústria de energia são intensivos em capital e de longa maturação, razão pela qual requerem planejamento de longo prazo. O mercado (demanda) e a evolução tecnológica influenciam fortemente a indústria e, por isso, o aperfeiçoamento contínuo dos marcos regulatórios é fundamental para o desenvolvimento de uma indústria de energia competitiva e sustentável.

O Estado – Hoje, muitas empresas estão voltadas para a exploração de gás natural como insumo para a produção de energia. Temos como exemplo o empreendimento da Eneva (ex-MPX) no Maranhão, que integrou à produção de gás a produção de energia. Como o senhor avalia esse novo direcionamento da indústria de óleo e gás no país?
Milton Costa Filho – Cada vez mais o Brasil utiliza a geração térmica para ampliar a segurança no suprimento de eletricidade. E dentre as diversas fontes que vêm aumentando a participação na matriz energética brasileira, o gás natural é uma das mais utilizadas, tanto por suas características ambientais (baixas emissões), quanto pela facilidade logística (por ser suprido por gasodutos), além de outras qualidades. As perspectivas de oferta e demanda de gás natural no Brasil são também um dos assuntos em destaque na conferência da Rio Oil & Gas. O desenvolvimento da produção de gás é uma grande oportunidade para o país.

O Estado – Qual a contribuição das rodadas de licitações da ANP para o desenvolvimento da indústria de óleo e gás?

Milton Costa Filho – O IBP acredita que as rodadas de licitação para exploração de petróleo e gás ajudam a atrair investimentos e impulsionam o desenvolvimento do país. Neste processo, a indústria de óleo e gás gera riquezas através da execução das atividades contratadas nas licitações, com a manutenção dos atuais empregos e geração de novos, manutenção do crescimento da indústria, geração de tecnologia e da demanda de bens e serviços. Os certames produzem um ciclo virtuoso para o desenvolvimento brasileiro. 

O Estado – Como o senhor avalia o potencial das bacias maranhenses no mapa de petróleo e gás brasileiro?
Milton Costa Filho – O estado do Maranhão desponta, atualmente, como um dos estados com grande potencial para produção de gás natural na margem equatorial. Tal desenvolvimento, contudo, requer a criação de condições mínimas, como mão de obra capacitada, infraestrutura adequada, licenciamento ambiental criterioso e mapeamento geológico, por parte do governo. A exploração e produção de gás pode vir a ser uma grande oportunidade de desenvolvimento para o estado do Maranhão. 


O Estado – Há perspectivas de se encontrar petróleo no Maranhão? Em quais regiões há essa possibilidade?
Milton Costa Filho – Sim! Depende muito do desenvolvimento de atividades de exploração. Se os resultados dos estudos geológicos e da sísmica forem positivos podem levar ao descobrimento de novas reservas.

 

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