Mercado

Maior parte do etanol brasileiro entrará nos EUA pelo Caribe

Agência Reuters
20/04/2009 03:33
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Grandes quantidades do etanol brasileiro exportado para os Estados Unidos passarão pelo Caribe para processamento com o objetivo de isentar o produto de uma tarifa de importação norte-americana, disse um analista de agricultura brasileiro na sexta-feira.

 

Os Estados Unidos fecharam uma brecha que permitia que empresas petrolíferas importassem etanol sem tarifas, com créditos que elas ganhavam por abastecer aeronaves que seguiam para fora do país, tampando uma janela pela qual o Brasil era capaz de exportar seu biocombustível de forma mais competitiva.

 

O único outro meio de evitar a tarifa de 54 por cento por galão sobre o etanol é processá-lo no Caribe, de onde ele pode ser importado sem tarifas devido de um acordo comercial que começou nos últimos anos da Guerra Fria para os EUA ganharem a simpatia da região.

 

"Uma fatia maior da capacidade (de processamento) do Caribe será utilizada nesta safra", afirmou Plínio Nastari, presidente da Datagro, em encontro com repórteres e um analista em São Paulo, na sexta-feira.

 

"A cota para importações norte-americanas de etanol através da CBI (Iniciativa da Bacia Caribenha) é de 2.353 bilhões de litros em 2009", afirmou. Ele disse ainda que esse número representou um aumento de 30 por cento em relação aos 1.732 bilhões de litros da cota do ano passado.

 

Algumas remessas de etanol brasileiro destinadas aos Estados Unidos param no Caribe para conversão em etanol anidro através da hidratação.

 

Apesar do recente aumento dos preços locais do etanol, mais e mais moinhos estão produzindo o produto agora, e o fluxo de etanol dos canaviais do centro-sul deve forçar a queda dos preços dentro do Brasil e desviar o biocombustível para os mercados internacionais. Entretanto, alguns analistas, inclusive Nastari, acreditam que as exportações de etanol do Brasil podem cair.

 

DEMANDA LOCAL SOBE

 

O Brasil deverá exportar um total de 4 bilhões de litros de etanol entre 2009 e 2010, uma queda em relação aos 4,8 bilhões esperados para 2008/2009, prevê a Datagro. A indústria automotiva dos EUA é a maior consumidora das exportações de etanol.

 

Há quem tenha previsto uma queda ainda maior nas exportações, devido a um crédito de 10 bilhões de reais que o governo prometeu nesta semana para estocar etanol durante a colheita.

 

"Teremos de ver quanto da promessa do governo para os moinhos estocarem o combustível caíram nas mãos de emprestadores", afirmou Nastari, que aceitou ser cético de que todos os fundos seriam usados.

 

Nastari afirmou que o crescimento na produção de cana do Brasil, para 601 milhões de toneladas em 2009/2010, contra 565 milhões de toneladas na safra passada, não manterá seu ritmo devido à expansão da demanda dos carros bicombustíveis no Brasil.

 

Uma maior parte da extração de cana irá para a produção de açúcar nesta safra, pelo enfraquecimento do real em relação ao dólar, o que aumentou os preços da exportação para produtores, afirmou Nastari.

 

Neste ano, 57,2 por cento da colheita de cana do centro-sul serão usadas para produzir etanol, contra 60,4 por cento no ano passado, enquanto o restante gerará açúcar. Uma colheita menor de cana na Índia ajudou a aumentar os preços do açúcar.  

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