Empresas

Linde investe R$ 200 milhões em novas unidades no Brasil

Valor Econômico
07/07/2011 10:23
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O grupo alemão Linde vai investir R$ 200 milhões em novas unidades produtoras de gás industrial no Brasil, impulsionado, sobretudo, pela expansão de setores-chave, como infraestrutura e siderurgia. Entre 2007 e 2010, os aportes da companhia no país somaram R$ 500 milhões.

Em entrevista ao Valor, o principal executivo global do grupo, Wolfgang Reitzle, um dos executivos mais bem pagos da Alemanha, afirmou que o Brasil e a China são extremamente importantes para a estratégia de crescimento da companhia no mercado internacional.

Dos R$ 200 milhões que serão investidos no país, cerca de R$ 70 milhões já foram contratados. Esses projetos estão concentrados na região Centro-Sul do Brasil em unidades de gás hidrogênio. Outros quatro projetos estão em negociação nos Estados de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul e deverão consumir os R$ 130 milhões restantes. As regiões Norte e Nordeste do país, com grandes projetos siderúrgicos, também estão na mira do grupo. Nos últimos meses, a companhia investiu em fábricas na Bahia e Rio de Janeiro.

Aquisições também estão nos planos da companhia no país, afirmou Clemis Miki, presidente do grupo para América do Sul. O movimento de concentração nesse setor é tendência global. No Brasil não tem sido diferente. No ano passado, a White Martins fechou a aquisição da empresa Gama para expandir seus negócios no estado de São Paulo.

Entre os quatro maiores grupos globais nesse segmento, a Linde registrou faturamento de € 12,86 bilhões no ano passado, crescimento de 14,8% sobre o ano anterior. A crise financeira global, deflagrada em 2008, afetou os negócios do grupo, sobretudo em países maduros. Durante esse período, as unidades produtoras operaram bem abaixo da capacidade, mas nenhuma unidade foi fechada. Reitzle acredita que a recuperação da economia nesses países será lenta e gradual. Segundo ele, as apostas seguem firmes em países da Ásia, América do Sul e Leste Europeu, mercados cuja economia está mais aquecida.

"Essa crise envolveu todos os países no mundo (...) e em todos os segmentos", afirmou o executivo. Como parte da estratégia, a Linde está centrando seus investimentos nos países emergentes. "Posso dizer que hoje cerca de 30% da receita do grupo está em mercados emergentes. Cerca de 70% dos investimentos estão são em mercados emergentes", disse o executivo. "É muito claro para a corporação estar no Brasil e ter sucesso nesse mercado."

No ano passado, as cinco maiores empresas produtoras de gases industriais foram condenadas pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) a pagar multa bilionária, de R$ 2,3 bilhões, por formação de cartel. A decisão atingiu quatro multinacionais - White Martins, Linde, Air Liquide, Air Products - e a nacional Indústria Brasileira de Gases (IBG). Todas recorreram. Lacônico, Reitzle disse que a empresa contesta a decisão, mas não se aprofundou no assunto.

À frente da companhia há quase dez anos, o executivo está entre os executivos mais bem remunerados da Alemanha, segundo publicações da imprensa alemã. Em 2008, seu contracheque anual foi em torno de € 8 milhões. Antes de assumir o comando da Linde, Reitzle passou por grandes montadoras, como a BMW e Ford. Sua visita ao Brasil foi tratada com toda pompa e circunstância, mas o executivo minimiza: "Viajo para muitos lugares. Faz parte da minha rotina."
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