Investimento

Libra negocia implantação de megaterminal de contêineres

A Libra Terminais S.A. negocia com as autoridades do setor portuário a unificação de suas áreas para construção de um megaterminal especializado na movimentação de contêineres no Porto de Santos ­ o projeto Libra-Santos. Essa nova con

A Tribuna - SP
01/09/2009 07:03
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A Libra Terminais S.A. negocia com as autoridades do setor portuário a unificação de suas áreas para construção de um megaterminal especializado na movimentação de contêineres no Porto de Santos ­ o projeto Libra-Santos. Essa nova configuração permitirá à empresa duplicar sua capacidade operacional, podendo escoar 2,1 milhões de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) por ano. O desafio da Libra, no momento, é convencer os intervenientes do processo de concessão de que o empreendimento é bom para o Porto e para o País. Uma vez concluídas as negociações para a junção de seus terminais, a firma estima concluir as obras em até 18 meses. O primeiro passo foi dado no último dia 30 de julho, com a compra do Terminal 33, anteriormente administrado pelo Terminal de Exportação de Açúcar do Guarujá (Teag). Uma área de 33mil metrosquadrados, 220 metros de cais e dois armazéns dedicados a carga geral com 9 mil metros quadradoscadapassaram aser controlados pela Libra, que pagou R$ 65,37 milhões na negociação. O valor não é confirmado pela empresa, mas consta no ato de concentração aprovado peloMinistério da Fazenda, documento de domínio público. A negociação envolveu a compra não só da superestrutura, mas também dos direitos do contrato de arrendamento assinado em 2000, com vigência de 20 anos. O documento permite a movimentação de carga geral ­ seu objetivo inicial, uma vez que a especialização em açúcar ensacado ocorreu ao longo dos anos, por influência de uma demanda de mercado atendida pelo Teag. A Libra planeja operar também cargas de projeto ­ como grandes motores, transformadores e materiais para a atividade offshore. A área do Terminal 33 fica ao lado dos terminais 35 e 37, controladospela empresa. No total, são 105 mil metros quadrados deárea já à disposição da operadora portuária. Dopontodevista prático, a empresa possui atualmente três terminais na mesmaregião, mas segregados. "Hoje operamos com seis gates (portões de entrada). A carga sai de um terminal e entra em outro, sai de outro e entra em um. Esses procedimentos operacionais, necessários devido à separação física, desaparecem (com a unificação) e nós passamos a ter um terreno mais adequado", detalhou o presidente da Libra Terminais, Gustavo Pecly. O executivo afirmou que os momentos de crise não costumam ser impeditivos aos investimentos em infraestrutura, porque este é um setor que exige melhoria contínua."Estaaçãode comprar o T-33 e estruturar um terminal com maior capacidade visa ao futuro. Do jeito que está, na crise em que estamos, de repente ficaria normal permanecermos no tamanho atual". O presidente da Libra acredita que a turbulência financeira não terá vida longa. "A crise vai passar, seja em 2009, 2010 ou 2011. Vem o crescimento na sequência e nós não podemos ficar parados esperando a carga chegar para investir". CAIS LINEAR O desejo de unificação dos terminais é antigo, mas pela primeira vez a empresa vai a público defender a construção de um cais linear ligando suas áreas. Se aprovada a junção ­ que consiste, basicamente, no aterramento de todo o trecho do Canal do Estuário que separa os terminais 35 e 37, na Ponta da Praia ­, a área controlada pela Libra pularia para cerca de 140 mil metros quadrados, com um cais de 1.700 metros. A via interna, construída em paralelepípedo e atualmente utilizada para o acesso de carretas ao pátio de contêineres, se incorporaria ao projeto. Já a malha ferroviária que corta a mesma via seria deslocada para fora do terminal e passaria a acompanhar a Avenida Mário Covas Júnior (Portuária). A concretização do plano depende do aval da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) e da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Também precisam consentir a Polícia Federal, que mantém no local a Delegacia de Polícia Marítima de Santos (Depom), e a empresa Fabiana Transportes, que oferece serviços de travessia do Estuário de Santos e está instalada na área. Na defesa do projeto, Pecly diz esperar "que autorizem o mais rápido possível". "É a chance que temos de, numa reversão do mercado, apresentarmos um porto menos congestionado e menos traumatizado que vimos em 2008".
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