Logística

Ineficiência custa por ano R$ 50 milhões ao transporte ferroviário de combustíveis

A conclusão é do estudo "Planejamento Integrado do Sistema Logístico de Distribuição de Combustíveis", coordenado pelo professor Paulo Fernando Fleury, do Coppead/UFRJ. Estado do modal onera em 20% as distribuidoras e em 6% os revendedores.


01/06/2005 00:00
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O custo logístico anual do transporte de combustíveis no Brasil poderia ser R$ 50 milhões menor se fossem feitos investimentos da ordem de R$ 700 milhões na manutenção de linhas, compra de locomotivas e vagões-tanque. A conclusão é de um estudo coordenado pelo professor Paulo Fernando Fleury, do Centro de Estudos em Logística da Coppead/UFRJ, que participou nesta quarta-feira (1º/06) do 4º Seminário Brasileiro de Logística de Distribuição de Combustíveis, promovido pelo Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), no Rio.

O trabalho, intitulado "Planejamento Integrado do Sistema Logístico de Distribuição de Combustíveis", levanta todos os gargalos na distribuição de gasolina, diesel e álcool. São analisados os custos dessa deficiência, apontados os investimentos necessários e proposto um plano de ação com impacto favorável para outros segmentos econômicos. Para se ter uma idéia do conteúdo, demonstra que a ineficiência no setor ferroviário onera em 20% o custo das distribuidoras e em 6% os revendedores. Desta forma, o frete do transporte dos combustíveis analisados deveria corresponder a 2,8% do preço em bomba, mas chega a representar 5,4%. No caso do diesel, por exemplo, essa diferença chega a ser maior do que a margem de lucro das distribuidoras.

Como a recomposição das linhas teria impacto positivo em vários produtos, Fleury propõe que esses investimentos sejam rateados em parte com outros setores. O professor alerta que, se nada for feito, em três anos o custo acumulado do gargalo ferroviário chegará a R$ 200 milhões, com a agravante de acrescentar 5 mil viagens anuais de caminhões nas estradas, que têm 75% da malha em condições precárias. "Essa situação pode causar um problema de desabastecimento. Mas é difícil prever quando, porque todo mundo dizia que este ano iria estourar a capacidade de transporte de soja no país, mas houve uma quebra na safra e está sobrando espaço. O volume de venda de diesel depende muito do volume da safra. Quando cai a produção de soja cai também o consumo de diesel. Este ano poderia ter ocorrido uma paralisação, mas o fato é que estamos no limite e já passou da hora de fazermos esse investimento", afirmou Fleury.

O estudo coordenado por Paulo Fernando Fleury foi encomendado pelo IBP e será apresentado às autoridades. "Caso não sejam enfrentados, esses gargalos poderão provocar sérios impactos sobre a distribuição de combustíveis, se a economia não crescer", afirmou José Luiz Orlandi.

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