Empresas

Gespi vai gerar energia com turbina de 707

Valor Econômico
16/12/2010 10:34
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A brasileira GespiAeronáutica, especializada em manutenção e reparo de turbinas aeronáuticas e industriais, está desenvolvendo projeto pioneiro de conversão de um motor aeronáutico de grande porte em turbina aeronáutica para geração de energia elétrica. A nova turbina, em fase de testes, foi projetada para utilizar combustíveis alternativos como o etanol. O motor utilizado para a conversão é o do Boeing 707, que está sendo desativado e pode ser encontrado com facilidade no mercado e a preços de sucata.


A principal vantagem no novo desenvolvimento, segundo o gerente técnico responsável pelo projeto, Genival Sena de Jesus, é o custo, que representa menos de 50% do preço de uma turbina nova importada e na mesma faixa de potência. Outra vantagem, segundo o gerente, é o fato de que toda a manutenção e assistência técnica do equipamento poderão ser executados no Brasil.


"O projeto da Gespi é interessante também para empresas que querem gerar sua própria energia, mas não dispõem de recursos para comprar turbo geradores importados", ressalta o gerente. Em geral, de acordo com Jesus, esses equipamentos são caros e possuem um custo de manutenção muito elevado.


"As termoelétricas que operam no Brasil também têm demonstrado preocupações com a aquisição de turbinas a gás no mercado externo, devido às dificuldades que os usuários brasileiros encontram para enviar suas turbinas para manutenção no exterior", explica. A manutenção das turbinas no Brasil, segundo Jesus, também reduziria o custo e o tempo de recebimento das turbinas que vão para o exterior e levam entre dois e três meses para retornar ao país.


A Gespi investiu cerca de R$ 2 milhões em recursos próprios no projeto da nova turbina, que será capaz de gerar 15 megawatts (MW), suficiente para alimentar 15 mil residências de baixo consumo, explica o gerente do projeto. Outro diferencial da Gespi nesse projeto é que a empresa desenvolveu seu próprio banco de ensaios para turbinas de grande porte. Segundo Jesus, esse tipo de equipamento é muito caro e envolve alto conteúdo tecnológico.


A turbina já foi testada com óleo diesel, etanol e está sendo preparada agora para operar com gás natural. A previsão da empresa é que dentro de um ano o turbo gerador Gespi esteja disponível para comercialização no mercado. "Já temos várias unidades desta turbina, além de facilidade para adquirir outras, em quantidade suficiente para gerar mais de 225 MW", comenta.


Jesus conta que existem hoje mais de mil turbinas do modelo utilizado pela Gespi para fazer a conversão. "Se houver necessidade de fabricação de novas turbinas, não será preciso recorrer ao fabricante original, pois a experiência da Gespi na manutenção desses equipamentos capacitou a empresa a desenvolver a engenharia reversa e fabricar o produto no Brasil". A utilização deste motores, segundo ele, também contribuirá para a redução do lixo aeronáutico exposto ao meio ambiente, considerado de difícil reciclagem.


O gerente disse ainda que a Gespi vem mantendo contato com algumas empresas nacionais e internacionais da área de geração de energia e com interesse no projeto da nova turbina. "Estamos buscando novas parcerias para viabilizar os investimentos necessários para acelerar o desenvolvimento do produto." A experiência da Gespi nessa área, segundo Jesus, veio com a manutenção das aeronaves Boeing 707 da Força Aérea Brasileira (FAB) e também de outras aeronaves do modelo operadas por empresas cargueiras.


A Gespi possui mais de 35 anos de atuação no mercado brasileiro e tem como principais clientes as Forças Armadas. Para fazer os serviços de manutenção e reparo de turbinas aeronáuticas, bem como o desenvolvimento de componentes aeronáuticos para uso civil e militar, a Gespi foi certificada pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e pela Aeronáutica, Marinha e Exército. O faturamento anual da companhia gira em torno de R$ 6 milhões.
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