Mercado

Gás nacional continua competitivo

O diretor de gás e energia da Petrobrás, Ildo Sauer, assegurou ao Estado que, mesmo com os aumentos em estudo para o preço do gás natural, o combustível manterá sua competitividade em relação aos principais concorrentes, como o óleo combustível e o diesel.

O Estado de S. Paulo
13/11/2006 00:00
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O diretor de gás e energia da Petrobrás, Ildo Sauer, assegurou ao Estado que, mesmo com os aumentos em estudo para o preço do gás natural, o combustível manterá sua competitividade em relação aos principais concorrentes, como o óleo combustível e o diesel. Ele não quis adiantar valores, mas sinalizou que o preço do gás nacional não deverá ultrapassar o valor cobrado pelo produto importado da Bolívia, que hoje chega para as distribuidoras a US$ 5,70 por milhão de BTU, segundo cálculos do mercado.

Atualmente, o gás nacional custa para as distribuidoras pouco mais de US$ 4 por milhão de BTU. Desde janeiro de 2003, a Petrobrás abandonou o modelo de reajustes trimestrais segundo as variações internacionais do petróleo, que deixou de ser obrigatória no final de 2001, mas foi mantida durante o ano seguinte. Pelos cálculos do consultor Marco Tavares, da Gas Energy, caso a fórmula tivesse sido mantida, o gás nacional valeria hoje US$ 4,70 por milhão de BTU - 14,6% a mais do que o valor cobrado pela estatal.

Sauer informou que a fórmula de preços em avaliação prevê a divisão em duas parcelas. A primeira, que deve oscilar em torno dos US$ 2 por milhão de BTU, será referente ao custo de transporte do produto e servirá para custear a malha nacional de gasodutos. A segunda, variável, refere-se à molécula do gás e será atrelada ao preço do óleo combustível no mercado internacional.`Porém, sempre mantendo a competitividade. Temos que assegurar que o gás seja competitivo`, disse Sauer.

Ele argumenta que o mercado de gás sofre concorrência de combustíveis concorrentes e, por isso, é necessário manter e ganhar novos clientes. Segundo Sauer, a Petrobrás terá 100 milhões de m³/dia em 2011 - o dobro da oferta atual.`Não sou louco de querer matar o mercado de gás natural, preciso vender o meu produto`, afirmou, rechaçando especulações de que a empresa estaria analisando uma política de redução do consumo face às dificuldades de abastecimento provocadas, principalmente, pela crise com a Bolívia. Sauer lembrou que a empresa vai investir US$ 22 bilhões para abrir novas frentes de oferta e esses recursos terão que ser recuperados: daí a necessidade de aumentos. `As avaliações sobre os novos preços seguem três linhas: satisfazer o consumidor, manter a competitividade sobre os concorrentes e justificar nosso investimento`, disse Sauer. Segundo avaliações de especialistas, respaldadas por declarações da direção da Petrobrás, o gás boliviano está hoje no limite da competitividade em relação ao óleo combustível, fato que sinaliza que será um teto para a alta do gás nacional.

A Petrobrás já apresentou sua proposta de mudanças à Associação Brasileira das Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás). Sauer espera concluir as negociações com as distribuidoras no primeiro semestre de 2007. Já há empresas com contratos vencidos e, segundo Sauer, dos cerca de 50 milhões de metros cúbicos que a empresa vende ao mercado, apenas 26 milhões têm contratos atualmente.

Fonte: O Estado de S. Paulo

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