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ETH Bioenergia avança em pesquisa com cana

Valor Econômico
11/03/2011 12:44
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Criada para ser a maior empresa de etanol do país, a ETH Bioenergia, controlada pelo grupo Odebrecht, montou seu próprio departamento de pesquisa e desenvolvimento. Além de aprimorar os processos já existentes de uso dos açúcares da cana, a empresa investe para desenvolver outros produtos que agreguem mais valor ao caldo da cana, que podem ser químicos, fármacos e até alimentícios.


Nessa linha, já está em andamento um projeto, ainda sob segredo industrial, com a petroquímica Braskem, também controlada pela Odebrecht. O primeiro passo foi fazer um mapeamento de todas as oportunidades industriais ainda não exploradas de uso do caldo da cana.
 

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), também no projeto, levantou 120 possibilidades de pesquisa. Após diversas filtragens, cinco a seis projetos ficaram para ser estudados mais a fundo. E é justamente nessa fase em que o projeto está, diz o engenheiro químico Carlos Eduardo Calmanovici, diretor do departamento de Inovação e Tecnologia da ETH.


Vindo da própria Braskem, onde trabalhou no desenvolvimento do plástico verde da petroquímica, Calmanovici, não informa sequer qual será o uso final desses "pré-selecionados". Ele conta que para chegar às cinco ou seis oportunidades foram avaliados alguns critérios. Entre eles, os que resultassem em produtos não tóxicos e de rotas igualmente limpas. Ainda, que preferencialmente pudessem substituir itens hoje importados e que, obviamente, tivessem um mercado promissor.


Com esses "candidatos" à mão, Braskem e ETH agora se debruçam nos estudos de viabilidade econômica - investimento e retorno - para bater o martelo. Nem todos os da lista serão executados na parceria com a petroquímica. "A Braskem tem seus interesses, assim como a ETH. Onde eles se convergirem, haverá parceria", diz.


Alguns dos projetos mapeados podem ser desenvolvidos ainda em parceria com outras companhias, que tenham interesses afins, diz Calmanovici. Outras pesquisas já estão em andamento, para avançar nos processos industriais e agrícolas já existentes. Entre eles, o de leveduras (substâncias que levam à fermentação).


Também em parceria com a Unicamp, e em cooperação com outras instituições de pesquisa, o projeto consiste na manipulação de genes das leveduras de forma a intensificar as características positivas, como a de resistência, e isolar as que prejudicam a fermentação.


Com isso, a empresa espera ter mais estabilidade na operação das usinas - que têm condições de clima e solo diferentes - assim como mais controle do processo industrial. "Ao final, teremos, no mínimo, ganhos de 0,5% a 1% na eficiência da fermentação", diz Calmanovici, também presidente da Anpei (Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras). Esse projeto, que começou há cerca de seis meses, já tem duas patentes registradas por Unicamp e ETH.


Ainda não orçamento definido para o departamento de Inovação, mas a previsão é de que absorva a partir de 2012 de 0,5% a 1% do faturamento da companhia - programado para atingir R$ 4 bilhões. Quando isso acontecer, a ETH estará operando com nove usinas com moagem de 40 milhões de toneladas de cana - nesta safra 2011/12 devem ser processados cerca de 20 milhoes de toneladas.
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