Mercado

Especialistas estimam preço ideal entre US$ 30 e US$ 35

O preço do óleo cru deverá se manter acima dos US$ 40 se houver novos ataques terroristas à infra-estrutura petrolífera do Iraque e da Arábia Saudita ou problemas políticos em grandes exportadores, como Nigéria e Venezuela. Os fundamentos econômicos apontam para preços na faixa entre pouco

Valor Econômico
02/06/2004 00:00
Visualizações: 814

O preço do óleo cru deverá se manter acima dos US$ 40 se houver novos ataques terroristas à infra-estrutura petrolífera do Iraque e da Arábia Saudita ou problemas políticos em grandes exportadores, como Nigéria e Venezuela. A avaliação é do diretor da área de Petróleo da consultoria Cambridge Energy Resources Associates (Cera), James Burkhard, que não vê fundamentos econômicos capazes de justificar a alta recorde do óleo cru. "Os fundamentos econômicos apontam para preços na faixa entre pouco mais de US$ 30 e US$ 35 para o resto de 2004", disse Burkhard ao Valor.
Apesar de importantes, os fundamentos têm um papel limitado na formação dos preços: "As condições no Oriente Médio são provavelmente as mais incertas em décadas. Se essas condições vão se desdobrar de maneira positiva ou negativa, não podemos prever", disse. Um relatório assinado por outro especialista da Cera - Joseph Stanislaw - projeta uma cotação na mesma faixa de US$ 30 a US$ 35. Esse patamar de preço se manteria ao longo de 2005 e, possivelmente, 2006, com picos próximos e acima de US$ 40, nos momentos de maior volatilidade. Em seu relatório, Stanislaw destaca o "impacto psicológico" dos desdobramentos geopolíticos no Oriente Média e da guerra contra o terrorismo sobre a indústria.
O fato de os preços já terem ultrapassado a barreira dos US$ 40 é visto ainda com cautela pela consultoria. "Os preços têm estado na casa dos US$ 40 apenas há poucas semanas e não há um ano", acrescentou Burkhard. Isso não quer dizer que as altas cotações sejam apenas transitórias. Stanislaw lembra, em seu relatório, que nos últimos anos a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) vem trabalhando implicitamente com um preço mínimo em torno de US$ 25 e US$ 26, ao invés de se ater à faixa de US$ 22 a US$ 28, divulgada oficialmente. Comparando os preços atuais com as décadas de 80 e 90, acrescidos da inflação no período, a Cera constatou que o barril que custava US$ 30 em 1980 custaria hoje US$ 60. E que um barril de US$ 30 em 2004 equivale a uma cotação de US$ 19 em 1990.
Mesmo com os olhos voltados para o Oriente Médio, Burkhard e outros especialistas frisam que o fator mais importante para entender a alta recorde do petróleo está no incremento da demanda. "O fator mais importante por trás dos preços altos verificados atualmente é o crescimento forte na demanda mundial, liderado pela China e pelos Estados Unidos", disse o diretor da área de Petróleo. "Nós esperamos que o crescimento da demanda global por petróleo para este ano seja o dobro da taxa média de crescimento que vimos nos seis anos anteriores."
Perguntado sobre a relutância da Petrobras em reajustar os preços da gasolina e do óleo diesel, Burkhard admite um certo desconforto. "Esta é uma questão política e está baseada numa avaliação política feita em Brasília. As empresas que exploram petróleo geralmente têm um grande fluxo de caixa, mas esse é um tema político e eu prefiro não comentá-lo", esquivou-se.
A Petrobras disse ontem que não tem nada a declarar sobre preços. Enquanto isso, o economista Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), calcula que o "colchão" de R$ 2 bilhões formado pela empresa em 2003 já caiu para R$ 700 milhões. Essa seria a "gordura" que a Petrobras ainda teria para suportar aumentos no mercado internacional sem repassar para os preços da gasolina e óleo diesel. Esse superávit, por assim dizer, foi formado, segundo Pires, quando a estatal não acompanhou a queda dos preços após o conflito no Iraque.
"O colchão da Petrobras estava sendo gasto de forma mais lenta no início do ano quando a alta do petróleo foi compensada em parte pelo câmbio. Mas agora o dólar passou a barreira dos R$ 3 e o petróleo fechou em mais de US$ 42. Sem aumentar os combustíveis, a Petrobras está mostrando que o governo PT está manipulando preços e subsidiando os ricos e a classe média", afirma.
Amanhã, os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) se reúnem em Beirute para decidir se aumentam a produção. A Arábia Saudita - responsável por um terço da produção da Opep e que sofreu ataque terrorista no fim-de-semana - defende um aumento da produção em 2 milhões de barris por dia. Outros produtores, como a Venezuela, são contra a proposta.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
ROG.e 2026
TBG debate integração do mercado de gás natural no Cone ...
25/09/26
ROG.e 2026
Sucesso! ROG.e 2026 fecha com 83 mil visitantes e injeçã...
25/09/26
ROG.e 2026
Expansão das fontes renováveis e mudanças no mercado abr...
25/09/26
ROG.e 2026
Presidente da Petrobras defende exploração ativa e prevê...
25/09/26
ROG.e 2026
Inovação tecnológica e dedicação à indústria marcam prem...
25/09/26
Petroquímica
Referência mundial em sustentabilidade, I’m green™ bio-b...
25/09/26
ROG.e 2026
Escassez de engenheiros preocupa setores estratégicos e ...
25/09/26
ROG.e 2026
Constellation é reconhecida pela Petrobras como a melhor...
25/09/26
ROG.e 2026
Na ROG.e 2026, Shell destaca parcerias, inovação e disci...
25/09/26
ROG.e 2026
Nikki Martin, presidente e CEO da EnerGeo Alliance falou...
25/09/26
ROG.e 2026
Porto do Açu e OceanPact assinam acordo para expansão de...
25/09/26
ROG.e 2026
Mayekawa apresenta soluções para óleo, gás e energia na ...
25/09/26
ROG.e 2026
Shell destaca papel da capacitação para aproximar jovens...
25/09/26
Terminais
Ultracargo é reconhecida pelo quarto ano consecutivo com...
25/09/26
GNL
Edge e Governo do Rio Grande do Sul assinam Memorando de...
25/09/26
E&P
ANP contrata B3 para assessoria técnica às licitações de E&P
25/09/26
ROG.e 2026
Porto do Açu e Perenco Brasil assinam acordo para primei...
25/09/26
ROG.e 2026
Lideranças apontam o Brasil como pilar de segurança ener...
24/09/26
ROG.e 2026
Firjan SENAI e Sebrae Rio conectam MPEs a grandes empres...
24/09/26
ROG.e 2026
Estudo da PPSA identifica boas práticas para apoiar deci...
24/09/26
ROG.e 2026
EAS participa da ROG.e 2026
24/09/26
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25