Empresas

Eletrobras vai disputar EDP com mais quatro grupos

Valor Econômico
09/08/2011 15:49
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O governo português parece que finalmente decidiu privatizar o controle da EDP, uma das maiores companhias daquele país, e a Eletrobras vai entrar na briga pelos 20% do capital da companhia que estão hoje sob controle estatal em Portugal.

Um negócio que deve ficar na casa dos bilhões de dólares. Se vencer, a estatal brasileira passará a ficar mais perto das gigantes elétricas mundiais. O Valor apurou, entretanto, que a disputa pode ser acirrada, mesmo com a crise financeira se agravando em todas as partes do mundo nos últimos dias. Além da Eletrobras, outros quatro competidores internacionais estariam no páreo pelos ativos portugueses. O grupo espanhol Iberdrola, os franceses da EDF, a alemã EoN e até um grupo estatal chinês estão na briga.

Um dos maiores ativos de interesse dos grupos estrangeiros é justamente a atividade brasileira da EDP. A empresa é uma gigante mundial, sendo uma das maiores geradoras de energia eólica, mas seus resultados no Brasil representam quase um quarto de toda a companhia. No país, o grupo português é dono de duas distribuidoras de energia, que atuam nos Estados de São Paulo (Bandeirante) e Espírito Santo (Escelsa), além de um parque gerador que soma 2,1 mil megawatts (MW) de capacidade instalada.

O que mais preocupa o governo brasileiro é o apetite dos chineses na disputa, que poderiam aumentar sua presença no país. Indiretamente, os chineses já tem participação relevante na distribuidora Eletropaulo e na geradora Tietê, já que detém 15% do capital total da AES nos Estados Unidos. Sem contar que, diretamente, passaram a controlar mais de três mil quilômetros de linhas de transmissão depois que a estatal chinesa State Grid comprou a Plena Transmissoras por R$ 3 bilhões. Nessa disputa, os chineses desbancaram a Cemig.

O governo português decidiu que vai vender 20% do capital da empresa e permanecer com apenas 5%

Inicialmente a Eletrobras negociava comprar apenas 10% do capital da EDP. Mas de acordo com o presidente da estatal brasileira, José da Costa Carvalho Neto, o governo português já decidiu que vai vender 20% do capital da empresa e deve permanecer apenas com 5%, que estariam impedidos de ser vendidos. A expectativa é que o edital de privatização da companhia portuguesa seja logo divulgado. Uma das vantagens da Eletrobras, neste momento, seria justamente a crise, que pode reduzir o apetite das europeias e o real forte.

Para a Iberdrola, o ativo tem diversos atrativos. A companhia espanhola já é dona de 7% do capital da EDP e áreas de atuação na Europa, centradas em Portugal e Espanha, são praticamente contíguas. Além disso, a empresa ampliaria sua participação no Brasil, onde declaradamente tem centrado investimentos. Já para os alemães da EoN essa seria a oportunidade de entrar no país, onde já analisaram diversas oportunidades e chegaram a cogitar a compra das térmicas do grupo Bertin. A francesa EDF poderia voltar a investir em terras brasileiras como seu presidente já anunciou recentemente.

No mundo, a estatal elétrica portuguesa tem uma capacidade instalada de quase 22 mil MW. O faturamento da companhia chegou a € 14,2 bilhões em 2010 e o lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) foi de € 3,6 bilhões. Quase 20% disso gerado pelos negócios brasileiros. Os negócios da EDP estão espalhados por Portugal, Espanha, França, Bélgica, Polônia, Romênia, Estados Unidos e Brasil. A empresa é o terceiro maior grupo industrial português e o terceiro maior produtor mundial de energia eólica. A empresa também atua no setor de gás na Península Ibérica.
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