Empresas

Eletrobras estuda pedido de indenização de até R$ 28 bi

Ação é por investimentos ainda não amortizados.

Valor Econômico
12/09/2012 10:24
Visualizações: 530

 

Estimativas preliminares feitas pela Eletrobras indicam a existência de R$ 25 bilhões a R$ 28 bilhões em investimentos ainda não amortizados das concessões que vencem entre 2015 e 2017. Esses números foram revelados ao "Valor" pelo presidente da estatal, José da Costa Carvalho, e demonstram o tamanho das discussões em que governo e atuais concessionárias vão se envolver nos próximos meses.
A Eletrobras detém 67% de toda a potência de usinas com concessões perto de vencer, o equivalente a 15 mil megawatts (MW), e é a empresa do setor mais afetada pela medida provisória assinada na terça-feira (11) pela presidente Dilma Rousseff. De acordo com o executivo, as usinas mantidas pela estatal estão "em perfeitas condições" e "isso não é de graça".
O cálculo apresentado por Carvalho refere-se apenas às usinas hidrelétricas e às linhas de transmissão com contratos que estão prestes a expirar, sem levar em conta as distribuidoras de energia federalizadas - nas regiões Norte e Nordeste -, cuja administração passou para as mãos da Eletrobras. Se esses valores forem confirmados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), vão se transformar em indenizações para a estatal.
Isso dá uma dimensão do problema que a União precisará resolver. O governo diz que usará recursos da Reserva Global de Reversão (RGR), atualmente com um saldo próximo de R$ 20 bilhões, para pagar eventuais indenizações às atuais concessionárias. Esse valor, no entanto, fica abaixo do que só uma das empresas deverá pedir. Carvalho faz uma ressalva quanto à metodologia de cálculo dos investimentos não amortizados. "Não necessariamente usamos o critério que a Aneel vai adotar".
"Os recursos da RGR são suficientes para pagar as indenizações", disse o secretário do Tesouro, Arno Augustin, logo após o anúncio das medidas. O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, ressaltou que "grande parte das usinas hidrelétricas está amortizada", mas garantiu não haver problemas, se o saldo da RGR for insuficiente para cobrir todas as indenizações, e abriu a possibilidade de usar outros fontes de recursos para isso.
A RGR, um encargo criado em 1956, representa cerca de 1,2% das contas de luz e alimenta um fundo justamente com essa finalidade: pagar eventuais despesas do governo com o fim ou a retomada de concessões do setor elétrico. Aos poucos, no entanto, foi sendo desvirtuada e passou a funcionar como fonte de financiamento barato para projetos.
A questão das indenizações deverá se tornar um foco de atrito entre governo e concessionárias a partir de agora. O "Valor" apurou que, conforme cálculos avançados da Aneel e da EPE, a usina hidrelétrica de Ilha Solteira já tem mais de 99% de seus investimentos amortizados. Ela possui capacidade instalada de 3,4 mil megawatts (MW) e pertence à estatal paulista Cesp, mas sua concessão também expira em 2015. Isso significa que hoje, para o governo, não haveria amortização a ser feita para essa usina, o que pode tirar o valor de mercado da Cesp. Há anos o governo de São Paulo tenta privatizar a empresa, sem sucesso.
Carvalho disse que a Eletrobras se prepara "há muito tempo" para a diminuição de receitas com essas concessões, enxugando custos e buscando sinergia entre suas subsidiárias. "Agora essas medidas vão ter que se acelerar".
O impacto para as contas da Eletrobras, conforme destacou Carvalho, será minimizado pelo fato de que a estatal terá participação de 12 mil MW em novos empreendimentos que entram em operação até meados de 2016. É um conjunto de projetos que abrange hidrelétricas como Belo Monte, Jirau e Teles Pires - nas quais a Eletrobras é majoritária - e a totalidade da energia de Angra 3. Para o executivo, manter o caixa da empresa saudável é importante, porque "temos um papel importantíssimo em viabilizar os projetos estruturais na Amazônia e a integração energética na América do Sul".

Estimativas preliminares feitas pela Eletrobras indicam a existência de R$ 25 bilhões a R$ 28 bilhões em investimentos ainda não amortizados das concessões que vencem entre 2015 e 2017. Esses números foram revelados ao "Valor" pelo presidente da estatal, José da Costa Carvalho, e demonstram o tamanho das discussões em que governo e atuais concessionárias vão se envolver nos próximos meses.


A Eletrobras detém 67% de toda a potência de usinas com concessões perto de vencer, o equivalente a 15 mil megawatts (MW), e é a empresa do setor mais afetada pela medida provisória assinada na terça-feira (11) pela presidente Dilma Rousseff. De acordo com o executivo, as usinas mantidas pela estatal estão "em perfeitas condições" e "isso não é de graça".


O cálculo apresentado por Carvalho refere-se apenas às usinas hidrelétricas e às linhas de transmissão com contratos que estão prestes a expirar, sem levar em conta as distribuidoras de energia federalizadas - nas regiões Norte e Nordeste -, cuja administração passou para as mãos da Eletrobras. Se esses valores forem confirmados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), vão se transformar em indenizações para a estatal.


Isso dá uma dimensão do problema que a União precisará resolver. O governo diz que usará recursos da Reserva Global de Reversão (RGR), atualmente com um saldo próximo de R$ 20 bilhões, para pagar eventuais indenizações às atuais concessionárias. Esse valor, no entanto, fica abaixo do que só uma das empresas deverá pedir. Carvalho faz uma ressalva quanto à metodologia de cálculo dos investimentos não amortizados. "Não necessariamente usamos o critério que a Aneel vai adotar".


"Os recursos da RGR são suficientes para pagar as indenizações", disse o secretário do Tesouro, Arno Augustin, logo após o anúncio das medidas. O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, ressaltou que "grande parte das usinas hidrelétricas está amortizada", mas garantiu não haver problemas, se o saldo da RGR for insuficiente para cobrir todas as indenizações, e abriu a possibilidade de usar outros fontes de recursos para isso.


A RGR, um encargo criado em 1956, representa cerca de 1,2% das contas de luz e alimenta um fundo justamente com essa finalidade: pagar eventuais despesas do governo com o fim ou a retomada de concessões do setor elétrico. Aos poucos, no entanto, foi sendo desvirtuada e passou a funcionar como fonte de financiamento barato para projetos.


A questão das indenizações deverá se tornar um foco de atrito entre governo e concessionárias a partir de agora. O "Valor" apurou que, conforme cálculos avançados da Aneel e da EPE, a usina hidrelétrica de Ilha Solteira já tem mais de 99% de seus investimentos amortizados. Ela possui capacidade instalada de 3,4 mil megawatts (MW) e pertence à estatal paulista Cesp, mas sua concessão também expira em 2015. Isso significa que hoje, para o governo, não haveria amortização a ser feita para essa usina, o que pode tirar o valor de mercado da Cesp. Há anos o governo de São Paulo tenta privatizar a empresa, sem sucesso.


Carvalho disse que a Eletrobras se prepara "há muito tempo" para a diminuição de receitas com essas concessões, enxugando custos e buscando sinergia entre suas subsidiárias. "Agora essas medidas vão ter que se acelerar".


O impacto para as contas da Eletrobras, conforme destacou Carvalho, será minimizado pelo fato de que a estatal terá participação de 12 mil MW em novos empreendimentos que entram em operação até meados de 2016. É um conjunto de projetos que abrange hidrelétricas como Belo Monte, Jirau e Teles Pires - nas quais a Eletrobras é majoritária - e a totalidade da energia de Angra 3. Para o executivo, manter o caixa da empresa saudável é importante, porque "temos um papel importantíssimo em viabilizar os projetos estruturais na Amazônia e a integração energética na América do Sul".

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Cana Summit
No Cana Summit 2026, ORPLANA e UNICA formalizam revisão ...
16/04/26
Royalties
Firjan anuncia mobilização para defender interesse do RJ...
16/04/26
Reconhecimento
3º Prêmio Foresea de Fornecedores premia melhores empres...
16/04/26
Cana Summit
Abertura do Cana Summit 2026: autoridades e especialista...
15/04/26
Gás Natural
TBG e SCGás inauguram nova estação em Santa Catarina e a...
15/04/26
Espírito Santo
Indústria de Petróleo e Gás no ES deve investir mais de ...
15/04/26
Investimentos
SEAP: Bacia Sergipe-Alagoas irá receber dois FPSOs
14/04/26
Petrobras
US$450 milhões serão investidos no maior projeto de moni...
14/04/26
Combustíveis
Etanol gera economia superior a R$ 2,5 bilhões em março ...
14/04/26
Espírito Santo
Próximo pico da produção de petróleo no ES será em 2027
14/04/26
ANP
Oferta Permanente de Concessão (OPC): edital com inclusã...
14/04/26
Refino
Honeywell impulsiona primeiro projeto de Etanol-to-Jet (...
14/04/26
Cana Summit
Diesel sob pressão no campo acelera corrida por novas fo...
14/04/26
Pessoas
Eduardo Beser é o novo diretor-geral de Operações no Bra...
13/04/26
Evento
Promoção da Infis, 4º Seminário Tributação em Óleo e Gás...
13/04/26
Investimento
Camorim investe R$ 52 mi na construção de uma das maiore...
13/04/26
Bacia de Campos
Nova descoberta de hidrocarbonetos em águas profundas no...
13/04/26
BOGE 2026
Maior encontro de petróleo e gás do Norte e Nordeste es...
10/04/26
ANP
Fiscalização: aprovada consulta pública para revisão de ...
10/04/26
ANP
Reservas provadas de petróleo no Brasil cresceram 3,84% ...
10/04/26
Bacia de Campos
Petrobras retoma 100% de participação no campo de Tartar...
10/04/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23