Energia eólica

Efeitos da guerra comercial EUA-China atingem energia eólica

Bloomberg News, 17/01/2019
17/01/2019 14:46
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A guerra comercial entre os EUA e a China está elevando o preço das principais matérias-primas necessárias para a geração de energia eólica, segundo o CEO de uma importante fabricante de turbinas.

Os custos dos materiais estão 4 por cento mais altos desde o começo da disputa comercial, disse o CEO da Siemens Gamesa Renewable Energy, Markus Tacke. A empresa germano-espanhola está monitorando de perto os custos do aço, do cobre e da resina enquanto representantes comerciais chineses e americanos continuam tentando negociar uma trégua.

"As pessoas pelo menos estão conversando, o que é melhor do que não conversar", disse Tacke, na terça-feira, em entrevista, em Londres. "Vamos ver qual será o resultado disso. Temos falado abertamente sobre as possíveis implicações" para o setor.

As tarifas impostas como consequência da guerra comercial global podem afetar os negócios da Siemens Gamesa, que está com dificuldades para reduzir os custos de produção em um setor caracterizado por margens estreitas. O crescimento da geração eólica, que será sete vezes maior por volta de 2030, segundo estimativas da Bloomberg NEF, junto com posições relativamente fortes na Ásia e nos EUA, poderia reduzir os impactos da guerra comercial sobre a empresa com sede em Zamudio, na Espanha.

A segunda maior fabricante de turbinas do mundo em valor de mercado gera um décimo de suas receitas nos EUA, onde controla 20 por cento do mercado.

A Siemens Gamesa conta com uma estratégia de cobertura para mitigar as oscilações de preço dos materiais que necessita, disse Tacke. Na produção eólica em terra, é normal realizar hedging dos custos com até 18 meses de antecedência. A produção offshore usa o hedging natural de dois a três anos, incluído quando as condições são acordadas com um desenvolvedor.

Tacke deu entrevista antes do lançamento de sua maior turbina eólica até o momento, uma máquina de 10 megawatts que é o primeiro novo modelo produzido desde que a empresa combinou os negócios eólicos da Gamesa e da Siemens, em 2017.

O preço de operação e manutenção por megawatt de projetos eólicos com turbinas maiores pode ser mais de dois quintos menor porque as economias de escala reduzem os custos, segundo pesquisa da BNEF.

Brexit duro

O CEO disse que continua preocupado com a possibilidade de o Reino Unido sair da União Europeia sem nenhum acordo comercial.

"O que mais me preocupa em um Brexit duro é a livre circulação da força de trabalho", disse, poucas horas antes do plano da primeira-ministra Theresa May sofrer uma derrota humilhante na Câmara dos Comuns.

"Temos equipes europeias fazendo as instalações, algumas das instalações estão em águas dinamarquesas, algumas estão em águas britânicas, outras estão em águas alemãs", disse Tacke. "São equipes mistas. Se for impossível empregar dinamarqueses no Reino Unido, vai ser complicado para nós, porque a atividade requer muita experiência."

A Siemens Gamesa emprega cerca de 1.000 pessoas em uma fábrica de turbinas de 160 milhões de libras (US$ 205 milhões) que fica na região nordeste da Inglaterra e foi inaugurada em 2016. A fábrica de Hull importa componentes da Europa continental e exporta turbinas prontas. Tacke já havia expressado anteriormente o receio de que a fábrica se torne mais cara e complicada de administrar se não houver acordo para o Brexit.

 

 

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