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Companhias brasileiras caem em ranking global

O Brasil perdeu uma representante na lista das mil empresas de capital aberto que mais investem em pesquisa e desenvolvimento (P&D) no mundo. No ranking, elaborado pela consultoria americana Booz & Company, figuram agora seis companhias brasileiras.

Valor Econômico
22/10/2013 09:23
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O Brasil perdeu uma representante na lista das mil empresas de capital aberto que mais investem em pesquisa e desenvolvimento (P&D) no mundo. No ranking, elaborado pela consultoria americana Booz & Company, figuram agora seis companhias brasileiras.
 

A Companhia Paranaense de Energia (Copel), que havia se juntado à lista na pesquisa do ano passado, ficou de fora da edição atual porque seu investimento ficou abaixo do nível de classificação. As seis empresas que permaneceram no ranking (Vale, Petrobras, Gerdau, Totvs, CPFL Energia e Embraer) apresentaram pior desempenho no levantamento, que tem como base os investimentos em P&D de 2012.
 

A queda mais acentuada foi registrada pela CPFL, que perdeu mais de 300 posições, ficando na 937ª colocação. Como tem acontecido nos últimos anos, a Vale liderou a lista das empresas brasileiras. Com 14 posições a menos, a mineradora ocupa o 95º lugar.
 

Ao todo, as empresas brasileiras investiram US$ 3 bilhões em P&D, 18,3% inferior aos US$ 3,7 bilhões da pesquisa anterior. Segundo Fernando Fernandes, sócio da Booz & Company, o resultado foi impactado pela desvalorização do real frente ao dólar. Na comparação em reais, a queda foi de 5%, para R$ 5,9 bilhões.
 

De acordo com o analista, o desempenho das companhias nacionais está mais ligado a uma situação momentânea do que a um menor interesse em investir em P&D. "Fomos um dos últimos países a serem afetados pela crise econômica. A redução pode ser um reflexo disso", disse ao Valor.
 

Fernandes disse acreditar, no entanto, que o potencial do Brasil, em termos de participação nos investimentos globais em P&D, não tem muito espaço para ultrapassar o patamar atual, de cerca de 0,5% do total. Segundo ele, o país não oferece a infraestrutura, nem as políticas públicas necessárias para estimular um investimento massivo em inovação como tem acontecido na China, por exemplo. "Pensar em uma companhia brasileira na lista das dez maiores investidoras em P&D também é difícil por conta do porte das companhias, que não é tão grande", disse.
 

Em 2012, o desempenho das companhias brasileiras em P&D seguiu na contramão da média global, que apresentou um crescimento de 5,8%. Ao todo, foram aplicados US$ 638 bilhões em inovação, um recorde para o estudo, que começou a ser feito em 2005. Além disso, o crescimento em 2012 representou o terceiro ano consecutivo de alta nos investimentos depois da crise econômica mundial. Para Fernandes, isso significa que as companhias esperam um horizonte de menos turbulências na economia e precisam continuar investindo para conseguir crescer.
 

Na lista das dez empresas que mais investem em P&D no mundo, várias mudanças foram constatadas pelo estudo. A liderança, por exemplo, saiu das mãos da japonesa Toyota e passou para a alemã Volkswagen. A montadora, que no ano passado era a 11ª do ranking, elevou seu orçamento em US$ 3,7 bilhões em 2012 e chegou ao topo. A segunda colocação passou para a Samsung, que substituiu o laboratório Novartis. Já a também farmacêutica Roche manteve-se no 3º lugar.
 

Empresas da América do Norte, Europa e Japão responderam por 90% de todo o investimento em P&D no mundo em 2012.
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