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Com aporte na Maestra, NYK entra na cabotagem

O armador japonês NYK tornou-se sócio da brasileira Maestra Navegação e Logística, dedicada à navegação doméstica (cabotagem). Pelo acordo, a companhia estrangeira especializada no transporte marítimo de longo curso fez um aporte d

Valor Econômico
24/11/2011 09:54
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O armador japonês NYK tornou-se sócio da brasileira Maestra Navegação e Logística, dedicada à navegação doméstica (cabotagem). Pelo acordo, a companhia estrangeira especializada no transporte marítimo de longo curso fez um aporte de R$ 10 milhões na Maestra e terá, inicialmente, 10% do capital social e votante da companhia.

O negócio, oficializado na sexta-feira, prevê ainda a possibilidade de o grupo japonês elevar a fatia para 20% no período de 15 meses desde a assinatura. A NYK (sigla para Nippon Yusen Kabushiki Kaisha) terá um assento no conselho de administração da empresa, hoje constituído por cinco representantes. A Maestra é o braço de navegação da holding Triunfo Participações Investimentos, companhia de capital aberto que reúne ainda concessão rodoviária, hidrelétricas e operação de porto privativo. Com a entrada do novo sócio, a fatia da Triunfo na Maestra cai de 65% para 58,5%.

De acordo com Artur Bezerra, o conselheiro da NYK na Maestra, a empresa vinha há algum tempo estudando oportunidades de expansão na região, onde está há 10 anos, e viu na cabotagem uma possibilidade. Hoje na NYK, Bezerra já foi diretor em outra empresa de transporte marítimo doméstico, a Mercosul Line, do grupo A.P. Moller-Maersk. "Enxergamos com bastante interesse e sinergia essa parceria com a Maestra, uma empresa que está se colocando estrategicamente num segmento muito importante".

O gerenciamento da operação e a geração dos volumes de cargas continuam nas mãos da Maestra. A NYK participará da estratégia como usuária do serviço feeder, modalidade de transporte regional "alimentador" dos tráfegos internacionais, já que opera na importação e na exportação.

"Para a Maestra, é muito importante contar com a expertise de um parceiro global como a NYK. Agregará na gestão do negócio", afirma o diretor-presidente da Maestra, Fernando Real.

Até o fim deste ano, a Maestra colocará em rotação o quarto navio de sua frota. A empresa recebeu na segunda-feira autorização da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) para operar a nova embarcação, que receberá o nome de "Caribe". A frota atual é formada pelo "Pacífico", "Mediterrâneo" e "Atlântico". Quando totalmente operacional, a capacidade de rotação semanal da Maestra será para transportar 1.000 Teus (contêineres de 20 pés) por navio.

Questionado se há possibilidade de usar a frota da NYK para fazer o transporte costeiro, Real ressaltou que, "nessa primeira etapa de negócio", a frota está constituída com quatro embarcações. "No futuro, há possibilidade de que venhamos, dentro das regulamentações da Antaq, a usar a frota da NYK". Sobre a chance de a Maestra apostar no longo curso, o executivo afirma: "O nosso foco é cabotagem, o negócio foi concebido no primeiro momento para cabotagem. Acho muito prematuro falar tão para frente. Temos de nos concentrar no foco".

As operações da Maestra começaram neste ano, concentrando-se sobretudo nos últimos dois meses. A estimativa de seu presidente é que, com os quatro porta-contêineres operando juntos no próximo ano, a empresa consiga alcançar 12% do mercado de cabotagem em 2012.

As negociações entre NYK e Maestra começaram há quase um ano. A NYK é uma das maiores empresas de logística e transporte integrado do mundo e iniciou as atividades em 1885. Hoje, ocupa a 12ª posição no ranking mundial de transporte marítimo de contêineres, operando uma frota de 412 mil Teus (o equivalente a 2,6% do mercado) e 104 navios. O primeiro colocado é a Maersk Line, com uma frota de 2,5 milhões de Teus (fatia de 15,9%) e 657 embarcações.
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