Empresas

Canadenses vão propor parceria em Belo Monte

Belo Sun vai propor divisão de investimentos em linhas de transmissão.

Valor Econômico
24/09/2012 15:37
Visualizações: 744

 

A canadense Belo Sun, que pretende implantar "o maior projeto de exploração de ouro do Brasil" na região de Volta Grande do Xingu, mesmo local onde está sendo construída a hidrelétrica de Belo Monte, decidiu fazer uma proposta de parceria à Norte Energia, consórcio responsável pela usina.
Em entrevista ao "Valor", o vice-presidente de exploração da Belo Sun no Brasil, Hélio Diniz, disse que irá propor à Norte Energia a possibilidade de as duas empresas dividirem o investimento necessário para construir a linha de transmissão de energia que ligará as turbinas da hidrelétrica até a cidade de Altamira, no Pará.
"Faremos essa proposta. Precisamos discutir as sinergias dos dois projetos, seus custos e impactos ambientais", comentou Diniz. "Nós precisamos de energia para a mineração. Então, por que fazer duas linhas? Podemos compartilhar essa instalação. Nossa preocupação nem diz respeito ao investimento, mas à possibilidade de reduzir o impacto ambiental".
Hélio Diniz, que fica baseado em Minas Gerais, disse que hoje estará em Brasília para uma reunião no Ministério de Minas e Energia (MME). O objetivo, segundo ele, é fazer esclarecimentos sobre o empreendimento que a companhia pretende instalar no município de Senador José Porfírio, a 14 km de distância da barragem de Belo Monte. Com o apoio do MME, disse Diniz, a Belo Sun quer "estabelecer um diálogo" com os donos de Belo Monte. "Já fizemos vários contatos com a Norte Energia, mas só com os técnicos locais. Espero que consigamos um contato mais direto e oficial. Precisamos discutir as sinergias dos dois projetos".
O plano canadense de mineração teria surpreendido a diretoria da Norte Energia que, segundo interlocutores do consócio, só foi saber do projeto de extração de ouro após reclamações de ribeirinhos que vivem na região de Volta Grande, sobre ameaças de terem de deixar suas casas por conta do empreendimento de mineração. O fato é que o projeto foi mal recebido pela Norte Energia, que enxerga apenas mais uma polêmica para enfrentar enquanto toca a construção da hidrelétrica.
Reportagem do "Valor" da semana passada revelou detalhes do plano canadense. A Belo Sun, que pertence ao grupo Forbes & Manhattan, banco de capital fechado que desenvolve projetos internacionais de mineração, pretende investir US$ 1,076 bilhão na extração e beneficiamento de ouro. A produção média prevista para a planta de beneficiamento, segundo o relatório de impacto ambiental da Belo Sun, é de 4.684 quilos de ouro por ano, o que significa um faturamento anual de aproximadamente R$ 538,6 milhões.
O processo de licenciamento ambiental da mina é tocado pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Pará, mas a autorização de lavra ainda depende do Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM), autarquia federal vinculada ao MME. Na semana passada, conforme adiantou o Valor, o Ministério Público Federal (MPF) em Altamira encontrou inconsistências no projeto e informou que iria pedir esclarecimentos à empresa e ao governo.
A notícia de "investigação" do MPF fez com que os acionistas da Belo Sun, que tem capital aberto na Bolsa de Toronto, decidissem suspender um aporte de US$ 50 milhões previsto para bancar a próxima etapa do empreendimento. Segundo Hélio Diniz, a companhia optou por essa decisão "por conta do nervosismo" que tomou conta do mercado. "Essa ideia de investigação foi mal interpretada pelo mercado. Todos entenderam que se tratava de alguma irregularidade, por isso a proposta foi retirada. Depois, explicamos que se trata apenas de pedido de informação do Ministério Público", comentou. Segundo o executivo, a operação financeira foi retomada e deverá ser concluída em 30 dias.
Entre os esclarecimentos que os canadenses terão de fornecer está o impacto que o projeto trará para comunidades indígenas da região. Primeiro, Hélio Diniz disse que o relatório de impacto ambiental não mencionava os índios porque estes não seriam atingidos pela mineração. Depois, ele deu nova versão. "Dei uma informação errada. O estudo completo de fato avalia o impacto aos índios, além da sinergia com a usina", disse.
Segundo Diniz, a Belo Sun apresentou um requerimento à Fundação Nacional do Índio (Funai) em fevereiro para ter acesso às aldeias e, a partir daí, fazer seus levantamentos. "O problema é que até hoje não recebemos resposta. Temos tentado falar com a Funai, mas não conseguimos".

A canadense Belo Sun, que pretende implantar "o maior projeto de exploração de ouro do Brasil" na região de Volta Grande do Xingu, mesmo local onde está sendo construída a hidrelétrica de Belo Monte, decidiu fazer uma proposta de parceria à Norte Energia, consórcio responsável pela usina.


Em entrevista ao "Valor", o vice-presidente de exploração da Belo Sun no Brasil, Hélio Diniz, disse que irá propor à Norte Energia a possibilidade de as duas empresas dividirem o investimento necessário para construir a linha de transmissão de energia que ligará as turbinas da hidrelétrica até a cidade de Altamira, no Pará.


"Faremos essa proposta. Precisamos discutir as sinergias dos dois projetos, seus custos e impactos ambientais", comentou Diniz. "Nós precisamos de energia para a mineração. Então, por que fazer duas linhas? Podemos compartilhar essa instalação. Nossa preocupação nem diz respeito ao investimento, mas à possibilidade de reduzir o impacto ambiental".


Hélio Diniz, que fica baseado em Minas Gerais, disse que hoje estará em Brasília para uma reunião no Ministério de Minas e Energia (MME). O objetivo, segundo ele, é fazer esclarecimentos sobre o empreendimento que a companhia pretende instalar no município de Senador José Porfírio, a 14 km de distância da barragem de Belo Monte. Com o apoio do MME, disse Diniz, a Belo Sun quer "estabelecer um diálogo" com os donos de Belo Monte. "Já fizemos vários contatos com a Norte Energia, mas só com os técnicos locais. Espero que consigamos um contato mais direto e oficial. Precisamos discutir as sinergias dos dois projetos".


O plano canadense de mineração teria surpreendido a diretoria da Norte Energia que, segundo interlocutores do consócio, só foi saber do projeto de extração de ouro após reclamações de ribeirinhos que vivem na região de Volta Grande, sobre ameaças de terem de deixar suas casas por conta do empreendimento de mineração. O fato é que o projeto foi mal recebido pela Norte Energia, que enxerga apenas mais uma polêmica para enfrentar enquanto toca a construção da hidrelétrica.


Reportagem do "Valor" da semana passada revelou detalhes do plano canadense. A Belo Sun, que pertence ao grupo Forbes & Manhattan, banco de capital fechado que desenvolve projetos internacionais de mineração, pretende investir US$ 1,076 bilhão na extração e beneficiamento de ouro. A produção média prevista para a planta de beneficiamento, segundo o relatório de impacto ambiental da Belo Sun, é de 4.684 quilos de ouro por ano, o que significa um faturamento anual de aproximadamente R$ 538,6 milhões.


O processo de licenciamento ambiental da mina é tocado pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Pará, mas a autorização de lavra ainda depende do Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM), autarquia federal vinculada ao MME. Na semana passada, conforme adiantou o Valor, o Ministério Público Federal (MPF) em Altamira encontrou inconsistências no projeto e informou que iria pedir esclarecimentos à empresa e ao governo.


A notícia de "investigação" do MPF fez com que os acionistas da Belo Sun, que tem capital aberto na Bolsa de Toronto, decidissem suspender um aporte de US$ 50 milhões previsto para bancar a próxima etapa do empreendimento. Segundo Hélio Diniz, a companhia optou por essa decisão "por conta do nervosismo" que tomou conta do mercado. "Essa ideia de investigação foi mal interpretada pelo mercado. Todos entenderam que se tratava de alguma irregularidade, por isso a proposta foi retirada. Depois, explicamos que se trata apenas de pedido de informação do Ministério Público", comentou. Segundo o executivo, a operação financeira foi retomada e deverá ser concluída em 30 dias.


Entre os esclarecimentos que os canadenses terão de fornecer está o impacto que o projeto trará para comunidades indígenas da região. Primeiro, Hélio Diniz disse que o relatório de impacto ambiental não mencionava os índios porque estes não seriam atingidos pela mineração. Depois, ele deu nova versão. "Dei uma informação errada. O estudo completo de fato avalia o impacto aos índios, além da sinergia com a usina", disse.


Segundo Diniz, a Belo Sun apresentou um requerimento à Fundação Nacional do Índio (Funai) em fevereiro para ter acesso às aldeias e, a partir daí, fazer seus levantamentos. "O problema é que até hoje não recebemos resposta. Temos tentado falar com a Funai, mas não conseguimos".

 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Petrobras
US$450 milhões serão investidos no maior projeto de moni...
14/04/26
Combustíveis
Etanol gera economia superior a R$ 2,5 bilhões em março ...
14/04/26
Espírito Santo
Próximo pico da produção de petróleo no ES será em 2027
14/04/26
ANP
Oferta Permanente de Concessão (OPC): edital com inclusã...
14/04/26
Refino
Honeywell impulsiona primeiro projeto de Etanol-to-Jet (...
14/04/26
Cana Summit
Diesel sob pressão no campo acelera corrida por novas fo...
14/04/26
Pessoas
Eduardo Beser é o novo diretor-geral de Operações no Bra...
13/04/26
Evento
Promoção da Infis, 4º Seminário Tributação em Óleo e Gás...
13/04/26
Investimento
Camorim investe R$ 52 mi na construção de uma das maiore...
13/04/26
Bacia de Campos
Nova descoberta de hidrocarbonetos em águas profundas no...
13/04/26
BOGE 2026
Maior encontro de petróleo e gás do Norte e Nordeste es...
10/04/26
ANP
Fiscalização: aprovada consulta pública para revisão de ...
10/04/26
ANP
Reservas provadas de petróleo no Brasil cresceram 3,84% ...
10/04/26
Bacia de Campos
Petrobras retoma 100% de participação no campo de Tartar...
10/04/26
Oportunidade
Por que formar profissionais para funções críticas se to...
09/04/26
Energias Renováveis
Crise energética global impulsiona protagonismo do Brasi...
09/04/26
Pessoas
Alcoa e Posidonia reforçam avanços na equidade de gênero...
08/04/26
Evento
Fórum nacional debate expansão do biogás e do biometano ...
08/04/26
Curso
Firjan SENAI e Foresea assinam parceria para oferecer cu...
08/04/26
Posicionamento IBP
Taxação de 12% na MP1340 gera sobreposição tributária e ...
08/04/26
iBEM26
Entrevista exclusiva: Rosatom mira o Brasil e reforça pr...
07/04/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23