Fenasucro
Head Comercial da companhia, Manuel Viveiros, destacou na Fenabio aplicações do biocombustível em setores como transporte marítimo e ferroviário e geração de energia.
Redação TN Petróleo/Assessoria Binatural
Na foto executivos da Binatural, da esquerda pra direita: Paula Barbosa, João Marcelo Dumoncel, Alexandre Pereira, Manuel Viveiros e Gabriela Brumatti.
A Binatural, uma das principais produtoras de biodiesel do Brasil, defendeu a ampliação do uso do biocombustível em diferentes setores da economia durante a 32ª Fenasucro & Agrocana, realizada no Centro de Eventos Zanini, em Sertãozinho (SP). Considerada a maior feira do mundo exclusivamente dedicada à cadeia de bioenergia, a edição de 2026 reúne mais de 600 marcas expositoras, cerca de 3 mil produtos e visitantes de mais de 80 países.
A companhia foi representada pelo head comercial, Manuel Viveiros, na Fenabio, conferência dedicada à bioenergia realizada dentro da programação da Fenasucro. O espaço reuniu especialistas, executivos e tomadores de decisão para discutir inovação, tendências, desenvolvimento sustentável e os caminhos da transição energética. Durante sua participação, Viveiros destacou que a indústria brasileira de biodiesel já reúne escala, tecnologia, capacidade instalada e disponibilidade de matérias-primas para ampliar sua contribuição para a descarbonização.
Entre as oportunidades apontadas pelo executivo estão setores como transporte marítimo e ferroviário e geração termelétrica, que podem avançar na redução de emissões a partir de uma solução disponível hoje. Para Viveiros, a discussão sobre a transição energética precisa considerar não apenas tecnologias que ganharão escala nos próximos anos, mas também alternativas capazes de entregar resultados imediatamente.
"O biodiesel já é produzido em escala no Brasil e temos capacidade industrial para avançar. Quando olhamos para setores que precisam reduzir suas emissões, temos uma solução disponível agora, que aproveita uma cadeia produtiva consolidada no país e ainda gera benefícios econômicos e sociais. Ampliar esses usos é uma oportunidade de transformar descarbonização em desenvolvimento", afirma Viveiros, que também é coordenador de usos alternativos do biodiesel da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio).
Biodiesel como alternativa para o transporte marítimo
O transporte marítimo foi um dos segmentos destacados pelo executivo. Responsável por cerca de 3% das emissões globais de gases de efeito estufa e consumidor de aproximadamente 300 bilhões de litros de combustíveis marítimos por ano, o setor enfrenta o desafio de reduzir progressivamente sua intensidade de carbono até atingir emissões líquidas zero por volta de 2050, conforme as metas estabelecidas pela Organização Marítima Internacional (IMO).
Viveiros destacou o caráter drop-in do biodiesel, que permite sua incorporação à infraestrutura e às operações existentes, como uma vantagem para acelerar a descarbonização enquanto outras tecnologias seguem avançando em desenvolvimento e escala.
"O transporte marítimo não precisa esperar até 2050 para começar a reduzir suas emissões. O biodiesel permite iniciar esse movimento agora. É uma solução que já existe, é produzida em escala e pode ser incorporada às operações atuais. Cada litro de combustível fóssil que conseguimos substituir hoje representa uma redução que começa a ser contabilizada imediatamente", afirma.
Para a Binatural, a utilização do biodiesel também pode contribuir para que empresas do setor avancem gradualmente em suas próprias metas climáticas, combinando reduções imediatas com o desenvolvimento de outras tecnologias que poderão complementar a matriz energética marítima nas próximas décadas.
Menos burocracia para novos usos
Outro avanço destacado durante a Fenabio foi a mudança nas regras para o uso voluntário de biodiesel em teores superiores à mistura obrigatória. A Lei do Combustível do Futuro dispensou a necessidade de anuência prévia da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para aplicações como transporte ferroviário, navegação interior e marítima, frotas cativas, mineração e geração de energia elétrica.
Com a mudança, os interessados nesses usos passam a realizar uma comunicação à ANP, simplificando o processo para empresas que pretendem utilizar B100 ou misturas superiores ao percentual obrigatório como estratégia de descarbonização de suas operações.
A simplificação regulatória amplia as condições para que diferentes setores testem e adotem maiores teores do biocombustível. Segundo Viveiros, a mudança já vem aumentando a procura de empresas interessadas em avaliar o biodiesel em suas operações.
"Quando reduzimos barreiras para quem quer descarbonizar, criamos condições para que mais empresas conheçam na prática as possibilidades do biodiesel. Desde a simplificação desse processo, temos percebido um aumento no interesse de companhias de diferentes segmentos em entender como podem incorporar o biocombustível às suas operações", explica.
Uma cadeia que entrega além da redução de emissões
A defesa de novos usos ocorre em um momento em que o setor brasileiro de biodiesel acumula resultados expressivos. Desde o início do programa nacional, o Brasil já produziu mais de 90 bilhões de litros de biodiesel, volume associado à redução de aproximadamente 300 milhões de toneladas de CO₂.
Os impactos, porém, vão além dos benefícios ambientais. A produção nacional contribuiu para evitar mais de US$ 45 bilhões em importações de diesel fóssil, fortalecendo a segurança energética e mantendo recursos na economia brasileira. A cadeia também apoia mais de 300 mil agricultores familiares, conectando a transição energética à geração de renda, à produção agrícola e ao desenvolvimento regional.
O Brasil conta ainda com 58 plantas produtoras de biodiesel e capacidade instalada superior a 15 bilhões de litros por ano, estrutura que permite ampliar a produção sem a necessidade de começar uma nova cadeia industrial do zero.
"Quando falamos em biodiesel, não estamos tratando apenas de substituir um combustível por outro. Estamos falando de uma cadeia nacional que reduz emissões, diminui a dependência de combustível importado, movimenta a indústria, agrega valor às matérias-primas brasileiras e gera renda para milhares de famílias. Quanto mais conseguirmos levar essa solução para novos setores, maior será a contribuição da bioenergia para a economia e para a segurança energética do Brasil", conclui Viveiros.
Sobre a Binatural - A Binatural é uma das maiores especialistas em biodiesel do Brasil e figura entre as 10 principais produtoras do setor. Com atuação desde 2006, a empresa se destaca pelo uso de um diversificado mix de matérias-primas, contribuindo para a segurança energética, a descarbonização de diversos segmentos e o fortalecimento do agronegócio nacional, com forte atuação junto à Agricultura Familiar.
Além do biodiesel, produz ácido graxo, glicerina e borra, sendo os dois primeiros exportados para diversos mercados internacionais.
Reconhecida pelo investimento em inovação, pesquisa e desenvolvimento, a Binatural foi eleita como uma das 500 companhias que mais crescem nas Américas, por seis anos consecutivos, no ranking da Financial Times.
Também possui selo ISCC, o que reforça seu compromisso com a sustentabilidade, além da certificação GPTW e de estar entre as 10 melhores empresas para se trabalhar do agronegócio brasileiro.
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