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Angra renegocia R$ 1 bi em dívidas do Bertin

Valor Econômico
01/02/2012 15:18
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A Angra Partners concluiu uma renegociação de cerca de R$ 1 bilhão em dívidas do Bertin Energia, boa parte dela vencida com os bancos Itaú, Votorantim e Santander. O alongamento do financiamento deu certo fôlego ao grupo que espera, até o fim de fevereiro, fechar a venda de boa parte das concessões de usinas termelétricas de Aratu II, com capacidade de 2.600 MW (megawatts), que se comprometeu a construir até janeiro de 2013. A empresa precisa ainda financiar outros R$ 2 bilhões destinados à conclusão de 1.600 MW em termelétricas do complexo Aratu I, já em construção, e que consumiram R$ 700 milhões em capital próprio da família Bertin.

O administrador do Bertin Energia, Ricardo Knoepfelmacher, da Angra Partners, diz que a dívida renegociada é referente a empréstimos-ponte destinados a três usinas termelétricas - Maracanaú, Arembepe e Muricy - que já estão em operação e portanto gerando receita para a companhia. Mesmo assim, os financiamento de projetos feitos com Votorantim e Santander têm três e cinco anos de vencimento, o que vai tirar parte do retorno do investimento das usinas. O usual neste tipo de negócio é financiar em até 15 anos e a juros atrelados aos empréstimos do BNDES. Para a usina de Maracanaú, a opção foi lançar debêntures privadas para o BTG Pactual no valor de R$ 240 milhões e com juros de 11% ao ano. O vencimento foi também de cinco anos e os recursos usados para quitar dívida com o Itaú.

A situação financeira do Bertin Energia ainda é bastante delicada, porque o atraso de mais de um ano dos 1.600 MW de capacidade instalada, que deveriam ter sido entregues em janeiro de 2011, devem estar inteiramente em operação somente em 2013. Para estas térmicas foram adquiridas 120 máquinas do grupo alemão MAN e o Bertin está inadimplente no pagamento dos equipamentos.

A Angra assumiu o Bertin Energia em novembro e, desde então, trabalha para reestruturar o grupo, o que necessariamente passa pela venda das suas termelétricas. De acordo com Knoepfelmacher, seis grupos estão hoje analisando diferentes usinas termelétricas para uma possível aquisição. Elas precisam se vendidas até março, para que o negócio seja atraente aos compradores e não perca rentabilidade.

A empresa tenta ainda conseguir da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) uma suspensão temporária dos contratos de suas térmicas, já que as distribuidoras de energia estão sobrecontratadas em função da crise. Mas essa possibilidade é veemente combatida pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que entende que seria abrir um precedente perigoso para empreendedores que atrasam cronograma de implantação de suas usinas.

O grande atrativo das térmicas do Bertin, que devem ser entregues em janeiro de 2013, é o preço da energia negociada: está hoje em R$ 190 o MWh. Para se ter uma ideia, no último leilão realizado no ano passado as térmicas a gás natural venderam energia a R$ 100 o MWh. O grande problema de boa parte das usinas do Bertin é o fato de serem a óleo combustível. Apenas quatro usinas, que estão na mesa de negociações, serão movidas a gás natural, do complexo de Linhares. A usina José de Alencar, com cerca de 300 MW, é ainda um problema em função de a Petrobras ter suspendido os contratos de fornecimento de gás.
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