Mercado

AleSat monta estratégia de diversificação

Valor Econômico
10/02/2011 10:36
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O grupo AleSat, o quarto maior do país na distribuição de combustíveis, parte para a diversificação de suas atividades, diante de um mercado cada vez mais concentrado nos três grandes: BR, Cosan / Shell e Ultra / Ipiranga. Em dois meses vai entrar no segmento de distribuição de asfalto e espera ter, até o próximo ano, uma fatia de mercado próximo a que detém em sua atividade principal: 4%, ligeiramente abaixo dos 4,8% que controla na venda de álcool, gasolina e diesel. Está no horizonte da empresa ainda comprar um concorrente de menor porte.
 
 
A meta é chegar a um porte mais robusto no fim de 2012, data que deve ser decisiva para o grupo, já que o fundo americano de investimento Darby, que controla 23,5% do capital, concluirá o prazo de seis anos que tinha para poder exercer a opção de saída da empresa. "Alguma coisa vai acontecer. O Darby pode vender a parte dele, outro fundo pode entrar, os sócios podem adquirir esta fatia e há chances de fazermos um IPO", comentou o vice-presidente da empresa, Jucelino Sousa.
 
 
O executivo procurou deixar claro que uma venda para os principais concorrentes também não está descartada. "Tirando possivelmente a BR Distribuidora, todas as empresas são vendáveis. Somos a noiva do mercado e o nosso espírito é o de fazer negócio. E temos margem para seguirmos adiante e adquirirmos outras empresas também".
 

Uma transação com a AleSat pode levar a uma mudança no ranking das distribuidoras, com o grupo Cosan ultrapassando o Ultra, ou com o Ultra se consolidando em segundo. O próprio AleSat é resultante de uma fusão: 50% do capital do grupo pertence ao grupo mineiro Asamar, que também tem investimentos no ramo imobiliário e no de informática, entre outros, e 26,5% pertence ao empresário potiguar Marcelo Alecrim, que é o presidente do AleSat.
 

O grupo AleSat faturou em 2010 cerca de R$ 7 bilhões, valor praticamente idêntico ao de 2009. "Nosso foco no ano passado foi substituir a venda a postos independentes pela distribuição aos postos com a nossa bandeira. Para 2011 está prevista uma expansão física de 1.750 para 1,9 mil pontos de venda e em 2012 planejamos chegar a 2,5 mil, com uma aquisição", disse Sousa. Para este ano, a previsão de faturamento é de R$ 8 bilhões.
 

A empresa tenta entrar no ramo do asfalto desde 2008, quando adquiriu a distribuidora de combustível Repsol. Trata-se de um mercado muito menos concentrado, com margens altas e de investimento baixo para uma distribuidora, que pode aproveitar sinergias de logística e de vendas. Este ano, conseguiu convencer 80 empreiteiras e construtoras que são seus consumidores de óleo diesel a passarem a comprar o asfalto com a AleSat, o que somente em 2011 deve garantir uma venda de 41 mil toneladas a R$ 46 milhões.
 

A entrada não foi possível nos últimos dois anos porque a AleSat não tinha uma fábrica própria de asfaltos. "Pelas regras da Agência Nacional de Petróleo, só pode distribuir asfalto quem tem um mínimo de capacidade de produção própria. No tempo da Repsol não era assim, mas houve uma nova maneira de abordar o assunto", comentou Sousa. Para poder se habilitar, a AleSat arrendou uma fábrica em Ponta Grossa (PR), que é do grupo Pavimar Rodopetromar, de Francisco Beltrão (PR). É uma fábrica antiga, criada pela empresa Betunel nos anos 70. Entre 1998 e 2007, pertenceu à Asfaltos Continental. A capacidade de produção é de 2,2 mil toneladas por mês, o que é suficiente para se credenciar a revender o asfalto produzido pela Petrobras.
 

Até o fim do próximo ano, a empresa acredita que irá faturar o equivalente a R$ 112 milhões com a venda de asfalto. "Com a demanda que existe por obras de infraestrutura e a previsão de investimentos feita por conta da Copa do Mundo e da Olimpíada, a gente acredita que haverá muitos contratos para as empreiteiras nos próximos anos, o que deve aquecer o mercado de asfalto", previu Sousa.
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