Energia Limpa

Por que a energia limpa se tornou estratégica para o futuro da hotelaria, por Ana Lia Ferrero

Redação TN Petróleo/Assessoria Prime Energy
09/04/2026 12:53
Por que a energia limpa se tornou estratégica para o futuro da hotelaria, por Ana Lia Ferrero Imagem: Wanezza Soares/Prime Energy Visualizações: 548

O setor hoteleiro brasileiro vive um ciclo consistente de crescimento, com novos investimentos, expansão de redes e aumento da demanda por viagens a lazer e negócios. Mas, mais do que um bom momento econômico, a hotelaria atravessa uma mudança de mentalidade que redefine o próprio conceito de hospitalidade. Hoje, hospedar não é apenas oferecer conforto e serviço de qualidade, é também assumir responsabilidade sobre o impacto gerado no meio ambiente e na sociedade.

Não é apenas percepção, é dado. O perfil do viajante mudou. Levantamentos recentes indicam que o modo como o setor lida com os recursos naturais já pesa de forma decisiva na escolha de destinos e meios de hospedagem. A busca contemporânea por experiências marcantes deixou de ser sinônimo de excesso e passou a representar consciência, equilíbrio e propósito. Um hotel valorizado hoje é aquele que entrega bem-estar, cria experiências relevantes e, ao mesmo tempo, preserva recursos naturais, respeita o entorno e contribui para um futuro mais responsável.

Nesse cenário, tratar essa necessidade como uma pauta resumida à redução de plásticos ou à economia pontual de energia é um erro. O setor começa a compreender que o compromisso ambiental faz parte da essência da marca e da jornada oferecida ao cliente. Redes de diferentes portes vêm incorporando práticas estruturais, que vão da gestão eficiente de insumos ao uso de fontes limpas de energia, porque entenderam que esse posicionamento, além de contribuir diretamente para a resolução do problema, fortalece reputação, gera identificação e constrói confiança. Esse movimento é impulsionado, sobretudo, pelas novas gerações, que cobram coerência, transparência e ações concretas.

Durante muito tempo, a energia limpa foi vista majoritariamente como uma ferramenta de redução de custos operacionais. Hoje, esse olhar mudou. A energia passou a ocupar um papel estratégico no negócio hoteleiro, diretamente associada à criação de ambientes mais responsáveis ambientalmente, à experiência do hóspede e ao posicionamento das marcas. Ela deixou de ser apenas um recurso técnico para se tornar parte da narrativa e da proposta de valor dos empreendimentos.

É nesse ponto que a energia limpa deixa de atuar apenas nos bastidores da operação e assume protagonismo. Empreendimentos que adotam fontes renováveis, investem em eficiência energética e buscam reduzir emissões agem para mitigar impactos, comunicam valores de forma objetiva, constroem narrativas legítimas e entregam experiências alinhadas às expectativas de um consumidor cada vez mais atento e exigente.

Tenho acompanhado de perto o aumento expressivo da procura por soluções energéticas capazes de reduzir a emissão de gases de efeito estufa sem comprometer a dinâmica operacional. Modelos como a energia por assinatura avançam justamente por responderem a essa nova lógica. Eles permitem acesso à eletricidade de fonte renovável sem necessidade de obras, aportes iniciais ou complexidade técnica, ampliando o alcance da transição energética e acelerando decisões que antes ficavam restritas a poucos grupos.

Sob a ótica do setor de energia, essa evolução é irreversível. A hotelaria se consolida como uma das principais vitrines da transição energética, justamente por transformar escolhas técnicas em percepções tangíveis. Quando um empreendimento opta por energia de fonte limpa, ele não está apenas reduzindo emissões. Está deixando claro qual papel escolhe ocupar no mundo.

O futuro da hospitalidade não será definido apenas por design, tecnologia ou localização, mas pela capacidade de integrar crescimento econômico, experiência e responsabilidade ambiental. A energia, nesse contexto, deixa de ser coadjuvante e assume o protagonismo que sempre esteve ao seu alcance. O caminho adiante passa, inevitavelmente, pelas decisões que fazemos hoje sobre como gerar e consumir energia.

Sobre a autora: Ana Lia Ferrero é CEO da Prime Energy, fornecedora das soluções de energia renovável da Shell Energy no Brasil. Com trajetória consolidada no setor de energia, acumula experiência em comercialização, estratégia e desenvolvimento de negócios. À frente da companhia desde 2025, lidera a consolidação da empresa como uma das principais fornecedoras de soluções em energia renovável e eficiência energética para o mercado corporativo brasileiro.

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