Artigo Exclusivo

Fontes alternativas de energia, até quando serão alternativas? por Alberto Machado Neto

Redação TN Petróleo/Assessoria
28/07/2021 16:57
Fontes alternativas de energia, até quando serão alternativas? por Alberto Machado Neto Imagem: Divulgação Visualizações: 2464

Em decorrência dos choques do petróleo ocorridos na década de setenta, quando os países exportadores descobriram o poder econômico que detinham em mãos, o Brasil, então altamente dependente do petróleo importado, começou a buscar alternativas para reduzir sua necessidade de importação do energético.

Como Deus é brasileiro, entre um choque e outro, descobrimos a Bacia de Campos e, devido a necessidade de encontrar soluções para o abastecimento do país, sua exploração passou a ser prioridade nacional, suscitando uma série de soluções pioneiras devido às características dos nossos reservatórios.

DivulgaçãoNaquele período, ocorreram avanços tecnológicos importantes como a “invenção” dos sistemas antecipados de produção, que deram origem aos sistemas flutuantes e toda a gama de equipamentos subsea que viabilizaram a posterior produção de petróleo em águas profundas e ultra profundas. Batemos vários recordes de antecipação de produção.

Mesmo assim, no horizonte que então se conseguia enxergar, ou suportar, os esforços não seriam suficientes. Por esse motivo, começaram a busca por fontes alternativas de energia que pudessem mitigar nossa dependência de importação de petróleo, agravada pela elevada dívida externa e a falta de divisas no Banco Central.

Diversos programas foram iniciados, capitaneados pela Petrobras, buscando alternativas minimamente viáveis que pudessem montar uma matriz energética de emergência, com ênfase na continuidade operacional da mobilidade, centrada no modal rodoviário.

Cabe esclarecer que o suprimento de energia elétrica estava sendo equacionado via hidrelétricas de grande porte, ainda ambientalmente permitidas naquela época.

Já contávamos também com as mesmas refinarias que existem hoje e o que faltava era petróleo para abastecê-las para produzir combustíveis indispensáveis como GLP, gasolina e diesel.

Naquele cenário surgiu o “Proálcool” com o etanol sendo obtido a partir da cana de açúcar, iniciativa pioneira do Brasil em termos mundiais.

Ao mesmo tempo foram testadas rotas alternativas como, por exemplo, o álcool de mandioca, a gaseificação do carvão e a exploração do xisto betuminoso, que deu origem à planta de São Mateus do Sul. Dessas alternativas apenas o álcool prosperou, tendo posteriormente, passado a ser produzido também nos Estados Unidos, só que a partir do milho. Depois surgiram alternativas para outros derivados, como o biodiesel.

Todos os esforços empreendidos até então tiveram como motivação a produção de combustíveis e muitas das soluções adotadas só se tornaram viáveis em virtude do aumento do preço do barril do petróleo. Esforços na procura de alternativas de suprimento de hidrocarbonetos continuaram e deram origem à exploração econômica das areias betuminosas do Canadá, do gás natural no Alaska, do shale oil nos Estados Unidos e até mesmo do nosso pré-sal.

InstitucionalEntretanto, o petróleo, que naquela época era solução, passou a ser considerado um problema em virtude da emissão de gases ocasionados por sua queima e começaram as buscas de fontes alternativas de energia ambientalmente mais amigáveis. Cabe realçar, dado que, em termos de combustíveis fósseis, apesar de a maioria dos países não ser autossuficientes, não existem grandes dificuldades de compra do petróleo já produzido ou ainda nos reservatórios leiloados para exploração.

Nesse contexto, fontes de energia anteriormente consideradas inviáveis economicamente passaram a ganhar foco e, depois de passar por um boom de usinas termelétricas, começaram a crescer as aplicações de aproveitamento das energias eólica e solar. Tais alternativas, por serem ambientalmente “limpas” e renováveis, têm condições de viabilizar novas fontes em termos de biomassa e, mais recentemente, de hidrogênio.

Assim, as energias alternativas, que no passado foram desenvolvidas para complementar o atendimento à demanda de petróleo e, dado que atualmente o petróleo existe, hoje são desenvolvidas para o fornecimento de energia mais limpa e para assumir o papel de boa parte do consumo de petróleo, gás natural e do antigo carvão, de modo a atender às metas ambientais que estão sendo assumidas pelos países como compromisso para as próximas décadas.

Pelo andar da carruagem, as atuais “fontes de energias alternativas” no futuro deixarão de existir, pois passarão a ser as principais.

Sobre o autor: Alberto Machado Neto, M.Sc. é Engenheiro Químico e de Petróleo. Mestre em Engenharia de Produção COPPE/UFRJ e MBA-AMP-INSEAD-França. Diretor de Petróleo, Gás Natural e Bioenergia da ABIMAQ, Presidente da Arcplan Consulting e membro do Conselho de Administração da CODIN-RJ. Ex-Presidente da Brasil Supply e Ex-diretor da Newpark Drilling Fluids do Brasil. Ex-Superintendente da ONIP. Na Petrobras, entre 1970 e 1999, exerceu funções gerenciais corporativas e de direção. Professor visitante da FGV.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Biometano
Copa Energia amplia debate sobre o futuro do biometano n...
10/08/26
PD&I
Softwares da Unicamp para segurança industrial são testa...
10/08/26
PPSA
8º Leilão Spot: PPSA comercializa cargas de Búzios e de ...
10/08/26
Etanol
Etanol encerra a semana estável, com leve alta no hidratado
10/08/26
Fenasucro
Vallourec leva inovação para aumentar a eficiência das u...
07/08/26
Gás Natural
Gas release: ANP aprova relatório e abertura de consulta...
07/08/26
ANP
Fórum da ANP na Rio Innovation Week teve mais de 20 pain...
07/08/26
Remuneração aos Acionistas
Pagamento de remuneração aos acionistas de R$ 17,4 bilhõ...
07/08/26
Biometano
ANP aprova resolução sobre especificação e controle da q...
07/08/26
Resultado
Petrobras lucra R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre de 2026
07/08/26
Margem Equatorial
Firjan SENAI leva para o Amapá o programa Rede de Oportu...
07/08/26
Mobilidade Urbana
Scania e Caio lançam novo ônibus a gás/biometano Padron ...
07/08/26
Etanol
Venda de etanol em junho supera os 3 bilhões de litros
06/08/26
Bacia de Santos
Oil States assina contrato para fabricação dos Jumpers R...
06/08/26
ROG.e
MODEC é patrocinadora da ROG.e 2026
06/08/26
ANP
Seminário da ANP apresenta resultados da atividade de ex...
06/08/26
Fenasucro
Fenasucro & Agrocana: cinco motivos para não perder o pr...
06/08/26
ANP
Oferta Permanente: 6º Ciclo de Concessão terá 22 setores...
06/08/26
Internacional
Tarifaço EUA, Firjan Internacional elabora cartilha de a...
06/08/26
Bacia de Campos
Projeto Raia avança com novos marcos em um dos principai...
06/08/26
Resultado
ENGIE Brasil Energia registra lucro líquido de R$ 1,9 bi...
06/08/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.