Artigo Exclusivo

Eficiência, integração ou transição energética: o que vem primeiro? por Thiago Valejo Rodrigues

Redação TN/Assessoria
20/09/2022 13:21
Eficiência, integração ou transição energética: o que vem primeiro? por Thiago Valejo Rodrigues Imagem: Divulgação Visualizações: 2331

Não faz muito tempo, ouvi de um respeitado professor a seguinte reflexão: a integração entre diferentes fontes de energia funciona como estratégia no curto prazo, mas no longo prazo, o mundo só sobreviverá se abraçar a transição energética.

Além da transição e integração, trabalhar a eficiência nos processos de produção e transformação de energia é uma meta constante no planejamento e na atuação de diversas empresas, com bastante oportunidades de aprimoramento.

Vide o motor à combustão, inventado antes de 1800 e, passados mais de 200 anos, sua eficiência não ultrapassa muito o patamar de 40%. De tudo que é gerado de energia com a queima do combustível, a maior parte não é aproveitada em energia mecânica.

Pode-se estimar, em média, que para cada 1% de ganho de eficiência existe um potencial de redução de 2,5% nas emissões de COequivalente, com base em dados do Governo Americano (EPA).

Enquanto continua a se investir na eletrificação, principalmente no setor de transportes, a decisão da fabricante automotiva Toyota, em recente anúncio realizado no final de julho de 2022, foi investir no aumento da eficiência dos motores à combustão.

A mesma lógica se aplica no ambiente industrial, com o exemplo de um processo que utilize turbinas a gás, as quais, por vezes, possuem eficiência de queima na casa dos 30%. Sempre interessante destacar o conceito de energia útil, a efetivamente aplicada para o fim que se deseja, como exemplo geração de luz, versus a energia total que precisa ser produzida para contabilizar as perdas até se chegar na lâmpada.

A verdade é que ainda há muito espaço para aumentar o aproveitamento energético, até mesmo na aplicação de soluções híbridas que utilizem tanto combustível quanto eletricidade.

O que nos leva à integração energética e as sinergias de aplicar diferentes tipos de energia em um mesmo processo. As oportunidades vão desde integrar empreendimentos de eólica offshore e campos maduros de petróleo para aumento da produção, até plantas de hidrogênio com painéis de energia solar.

Antes de se pensar na transição energética, e aqui cabe um disclaimer com relação ao conceito de transição: não é uma mudança completa da matriz e, sim, o maior percentual de consumo de fontes limpas.

Por isso, petróleo, gás e até mesmo carvão continuarão com sua parcela significativa de contribuição na geração da energia no mundo. Carvão, diga-se de passagem, tem cenário projetado de aumento do volume de consumo global, de acordo com a IEA.

Não é preciso negar as vantagens dos processos de geração de energia mais limpa e o uso de eletricidade como alternativa a queima de combustíveis, principalmente aqueles mais poluentes. Aprofundar o debate sobre a transição energética tem ganhado força em espaços antes exclusivos do mercado de petróleo, por exemplo.

Por outro lado, qualquer análise quanto à substituição de fonte de energia deve considerar o conjunto do sistema energético, a cadeia de valor desde a produção até o consumo final. Nesse ponto, ainda há diversos gargalos e desafios para serem superados, na parte elétrica, como na parte de transmissão e distribuição de energia, não só no Brasil, mas em todo o mundo.

Muito se fala sobre o custo da não descarbonização e os impactos para o planeta com a queima de fontes fósseis. Porém, é preciso abordar um aspecto importante que impacta no desenvolvimento das renováveis - o preço da energia.

A economia da transição energética deve considerar o estímulo que altos preços de um determinado tipo de energia, como os recentes picos dos valores de barril de petróleo e do GNL, acarreta o incremento de participação das novas fontes na matriz energética.

No cenário atual, com maior demanda por gás no mundo e restrições de mobilidade dos recursos energéticos, mais que nunca cabe um olhar específico para os perfis de produção e de consumo regionais. A maior eficiência de consumo de energia, a melhor configuração de integração de fontes e o cenário de transição energética serão priorizados de acordo com o custo de oportunidade para cada país do mundo.

Sobre o autor: Thiago Valejo Rodrigues é formado em engenharia química pela UERJ, tem MBA em Economia de Petróleo e Gás pela UFRJ e pós graduação em Business Intelligence Master - Sistemas Inteligentes de Apoio à Decisão em Negócios pela PUC-Rio. Atua como gerente de Projetos de Petróleo, Gás e Naval da Firjan

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Cultura
Por que festas nordestinas exigem leitura cultural antes...
10/07/26
Comunicação Case
Essa empresa transformou a marca em uma viagem e levou p...
08/07/26
Energia Elétrica
Thymos Energia avalia Leilão de Transmissão da Aneel
06/07/26
Combustíveis
Os indicadores semanais do CEPEA/ESALQ mostram comportam...
06/07/26
Comunicação Case
Campanha que ajudou a impulsionar criação da maior área ...
06/07/26
Combustível
Etanol volta a ser mais vantajoso que a gasolina após qu...
03/07/26
Comunicação
De ESG à cultura organizacional: podcast discute o futur...
03/07/26
Etanol de milho
Atvos lança Pedra Fundamental da primeira planta de etan...
02/07/26
Bioenergia
Araçatuba (SP) recebe o 19º Congresso Nacional da Bioene...
01/07/26
Energy Summit
CPFL Energia está entre os destaques do Energy Summit Aw...
30/06/26
Energy Summit
Copa Energia lança desafio de inteligência artificial pa...
30/06/26
Fenasucro
FenaBio debate avanço do SAF e o papel do Brasil na avia...
30/06/26
Combustíveis
Etanol fecha a semana em alta e amplia recuperação no me...
29/06/26
Energia Elétrica
Demanda por energia elétrica cai quase 11% nos jogos do ...
26/06/26
Biometano
Com apoio da ABiogás e da SEMIL, USP inaugura usina de e...
26/06/26
Fertilizantes
Petrobras assina contratos para retomada das obras da UF...
26/06/26
Energy Summit
Energy Summit 2026: arena Diálogos da Transição debate p...
26/06/26
Biometano
CGOB: ANP inicia participação social sobre Informe Técnico
26/06/26
Combustíveis
Aumento da mistura de etanol na gasolina fortalece produ...
25/06/26
Comunicação Case
Siemens lança campanha com conceito 'parecido não é igua...
24/06/26
Energy Summit
Binatural conquista Energy Summit Awards e reforça prota...
24/06/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.